EURO2016: Cinco motivos para crer que a Alemanha irá à final

Foto: Twitter/DFB

Foto: Twitter/DFB

Por Raniery Medeiros

Como de costume, a Alemanha está nas semifinais de um grande torneio. Esta vem sendo a tônica da Mannschaft desde 2006, e é certo que os atuais campeões mundiais almejam fazer mais história.

Ao olhar para a primeira fase, constatamos um grau de crescimento coletivo dos comandados de Joachim Löw. Dos jogos sem brilho contra Ucrânia e Polônia ao módulo intenso de criar oportunidades contra Irlanda do Norte e Eslováquia.

A grande batalha veio justamente nas quartas de final, contra a Itália. Esquemas táticos semelhantes, clássico amarrado. Mas após 120 minutos e pênaltis, veio a classificação. Dessa batalha, entretanto, surgiram algumas baixas e dúvidas: Mario Gómez, Khedira, Schweinsteiger e Hummels.

NUMEROS

A disputa por uma vaga na grande final será contra a França, que terá a torcida amplamente a seu favor. Não restam dúvidas de que a Alemanha estrará pronta para a partida da próxima quinta-feira (7). Por que acreditar na Alemanha?

1-RITMO

Saída de jogo qualificada começa na zaga, com Jerôme Boateng (Foto: Twitter/DFB)

Saída de jogo qualificada começa na zaga, com Jerôme Boateng (Foto: Twitter/DFB)

Reconhecida por seu toque de bola e controle da partida, os alemães forçam o adversário ao erro no instante em que bloqueiam suas linhas de passes. Tal fato proporciona a recuperação de bola ainda no campo inimigo, fazendo com que o gol fique cada vez mais perto. Mas, para isso, é preciso saber ditar o ritmo do jogo. Seja na linha dos zagueiros ou pelo meio, a qualidade no passe é impecável.

Boateng, Hummels (suspenso) e Kroos, não sendo pressionados, enxergam o cotejo de maneira diferenciada. A tranquilidade para sair jogando favorece o segundo meio-campista e os homens de frente, que recebem a pelota com reais chances de gol. Outro fator interessante é a paciência. Se o oponente estiver bem fechado, a bola retorna ao ponto de origem, sem vergonha alguma.

Essa posse de bola precisa ser clara e objetiva, com profundidade pelos lados. Os atletas exercem diferentes funções e, dessa forma, o time alemão procura o espaço livre. Isso faz com que apreça a criatividade de Kroos, Özil e Draxler. O poder de decisão dos zagueiros também influencia no aspecto técnico dos demais companheiros, pois é aí que aparece o improviso. Tal proposta, sendo muito incisiva, foi perfeitamente executada contra Irlanda do Norte e Eslováquia.

FRANCA

Bastante à vontade na Nationalelf, Kroos pode ser a chave para a classificação à final (Foto: @UEFAEURO)

Bastante à vontade na Nationalelf, Kroos pode ser a chave para a classificação à final (Foto: Twitter/DFB)

Sim, a França vem com o moral nas alturas após a goleada imposta a Islândia. Isso fará com que seus torcedores apoiem ainda mais sua seleção. Contudo, a Alemanha, com todo respeito, não é a Islândia.

Os Bleus costumam criar muitas oportunidades ofensivas, mas deixam espaços perceptíveis entre a linha de defesa e o meio. É justamente aí que a Alemanha pode tirar proveito. Toni Kroos terá a possibilidade de abrir ainda mais o jogo com inversões, diversificando entre passes curtos e longos, podendo mandar a bola nas costas dos laterais.

A proposta de Löw concerne ao poder de armação dos zagueiros, para quebrar essa primeira linha francesa. Os homens de frente terão a chance de aproximação com Özil, favorecendo a triangulação e o deslocamento entre as linhas.

O treinador alemão precisará encontrar alternativas para surprir as ausências de Hummels (suspenso). Khedira (lesionado), Schweinsteiger (dúvida) e Mario Gómez (fora da Euro). Não dá para inventar na reta decisiva, mas a ideia de ter um falso nove pode ajudar Mesut Özil.

É preciso respeitar a França, sua torcida apaixonada, mas, antes de qualquer coisa, deve-se manter a essência e a proposta de jogo que vem dando certo.

3-DEFESA

Meia de origem, Kimmich se adaptou bem à lateral direita alemã (Foto: @UEFAEURO)

Meia de origem, Kimmich se adaptou bem à lateral direita alemã (Foto: Twitter/DFB)

Neuer, Kimmich, Boateng, Hummels e Hector. Por mais que o zagueiro recém-contratado pelo Bayern esteja suspenso, o rendimento coletivo não cai. A primeira linha é sempre compactada, sem quebrá-la por qualquer razão. Será muito importante que o substituto de Hummels tenha isso em mente.

Essa confiabilidade está associada ao modo tático e coletivo que vem sendo executado há anos. Boateng é um gigante no embate; Kimmich assumiu a titularidade com a autonomia de um veterano; Hector possui suas limitações, mas é inteligente no aspecto tático, e Hummels é o zagueiro com classe, bom desarme e visão de jogo. Posicionamento conta muito nos momentos decisivos, e a defesa sofreu apenas um gol nas cinco partidas disputadas.

4-CHEGADA

Seja por seus clubes ou pela Mannschaft, jogadores são acostumados a vencer (Foto: @UEFAEURO)

Seja por seus clubes ou pela Mannschaft, jogadores são acostumados a vencer (Foto: Twitter/DFB)

A Alemanha sempre foi aquela seleção chata, que incomoda, que não desiste. Que costuma chegar às fases finais com frequência. Das quinze edições de Eurocopa, esta é a 9ª vez que a Mannschaft figura entre as quatro melhores.

Essas condições foram renegadas em 2000 e 2004, mas de 2006 para cá a equipe dirigida por Löw não sabe o que é ser eliminada antes da fase semifinal. Isso pesa muito em decisões. Quando se acostuma a decidir com frequência, as chances de vitória aumentam significativamente.

5-SOBERANIA

Consagrada pelo título mundial de 2014, geração quer mais (Foto: Divulgação)

Consagrada pelo título mundial de 2014, geração tetracampeã quer mais (Foto: Divulgação)

Para os habituados a vencer, eis a questão: o que os estimula a seguir com o mesmo ritmo, mesmo consagrados? Resposta: bater recordes. A dobradinha Eurocopa e Copa do Mundo foi conquistada em 1972 e 1974, e por pouco não veio o triplete em 1976.

Sendo assim, e mirando o recorde da seleção espanhola campeã entre 2008 e 2012, os alemães vão em busca da hegemonia no futebol. Isso é perfeitamente normal ao olharmos para outros esportes/esportistas: Federer em Wimbledon, Nadal em Roland Garros, a seleção brasileira masculina de vôlei (2001-2004), a feminina (2004 e 2008), Michael Phelps, Chicago Bulls etc.

A camisa da Alemanha pesa, bem como seu tradicionalismo. Não à toa, é tida como a melhor seleção do mundo, com outra boa geração vindo por aí. Este time já provou ser capaz de realizar grandes feitos.

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