EURO2016: Cinco motivos para crer que a França irá à final

Franceses só imaginam um desfecho possível para a Euro: a conquista do título (Foto: FFF.fr)

Franceses só imaginam um desfecho possível para a Euro: a conquista do título (Foto: FFF.fr)

Os donos da casa vêm cumprindo seu dever. Sediando uma Eurocopa pela terceira vez, a seleção francesa já parece ter deixado para trás as incertezas que, antes do torneio, pairavam sobre si. O que parecia ser uma equipe abalada por um grave problema extra-campo viu florescer novas referências, que vêm assumindo a responsabilidade e conduzindo a nação em uma missão cujo único objetivo possível é a taça.

Faltam só mais dois capítulos para esse desfecho, sonhado por torcida, comissão técnica e jogadores. O problema é que, no meio desse caminho, há um gigante. Na semifinal, os franceses se deparam com a Alemanha. A campeã mundial, “dona” do jogo bonito (após tomá-lo do ex-dono, na casa dele…) nos últimos anos. Um adversário inteligente e competitivo ao extremo, além de experiente na arte de levantar canecos.

NUMEROS

Vai ser complicadíssimo, é verdade. Mas a França tem, sim, boas razões para confiar que poderá seguir esse roteiro até a apoteótica final em Paris.

1-ANFITRIA

Seleção francesa não perde em casa em torneio oficial há 56 anos (Foto: FFF.fr)

Seleção francesa não perde em casa em torneio oficial há 56 anos (Foto: FFF.fr)

Em primeiro lugar, porque a torcida francesa tem sido muito presente nesta Euro. O time de Didier Deschamps tem jogado sempre com o apoio de arquibancadas lotadas, e recebem incentivo o tempo quase todo. O momento da Marseillaise tem sido um espetáculo à parte, que nitidamente motiva os atletas antes das partidas.

Mas essa sintonia não é algo novo. A França já foi sede da Eurocopa em outras duas ocasiões. Na primeira edição do torneio, em 1960, apenas uma fase final com quatro times foi disputada no país. Os Bleus somaram duas derrotas – a última, no dia 9 de julho, contra a Tchecoslováquia, por 2 a 0. Desde então, eles não sabem mais o que é perder em casa em partidas oficiais.

A outra Euro disputada na França deu início à sequência de jogos sem derrota que resiste até o duelo desta quinta-feira contra a Alemanha. Em 1984, comandados por Michel Platini, os franceses foram arrasadores e ergueram o troféu após cinco vitórias (uma na prorrogação, sobre Portugal) em cinco partidas. Na atual edição, mais quatro triunfos e um empate, contra a Suíça.

Nesse período, o país sediou ainda a Copa do Mundo de 1998 e a Copa das Confederações de 2003 – competições em que também não perdeu nenhuma vez. Foram mais seis vitórias (uma na prorrogação) e um empate (contra a Itália, derrotada nos pênaltis) no Mundial, e outras cinco vitórias, cinco anos depois.

Em outras palavras, a marca francesa é de 56 anos e 22 partidas sem perder dentro de casa em um torneio oficial, superando inclusive o peso das camisas de Brasil e Itália. Ou seja, os Bleus não têm motivo nenhum para se intimidar.

2-CRESCENTE

Após início instável, Deschamps parece convicto em relação a seu time (Foto: FFF.fr)

Após início instável, Deschamps parece, enfim, convicto em relação a seu time (Foto: FFF.fr)

É bem verdade que a seleção francesa não começou tão bem assim sua campanha na Euro. Não em termos de resultados – a classificação na primeira fase veio com alguma tranquilidade -, mas de futebol. A equipe de Deschamps demorou a se encontrar.

A vitória sobre a Romênia, na estreia, veio só no último minuto, graças a um lampejo de Dimitri Payet. Contra a Albânia, o técnico promoveu mudanças, mas a história foi a mesma: gols, só depois dos 44 minutos do segundo tempo. Na última partida da fase de grupos, contra a Suíça, empate em 0 a 0.

Nas oitavas de final, um susto – os franceses foram para o intervalo perdendo para a Irlanda por 1 a 0. Mas no segundo tempo, começaram a reescrever a história: viraram o placar, jogaram bem, administraram o resultado e garantiram a classificação. No jogo seguinte, fizeram sua melhor atuação no torneio: golearam a surpreendente Islândia por 5 a 2.

Tudo agora parece mais claro. Deschamps dá indícios de que deixou suas dúvidas no passado. Os jogadores se mostram confiantes e sabem: estão muito próximos de realizar o sonho e marcar positivamente essa geração que teve a chance de jogar um grande torneio dentro de casa.

3-ATAQUE

Artilheiro e vice da Euro 2016, Griezmann e Payet assumiram a responsabilidade na França (Foto: FFF.fr)

Artilheiro e vice da Euro 2016, Griezmann e Payet assumiram a responsabilidade na França (Foto: FFF.fr)

Antes da Euro começar, muito se questionava sobre como a França faria para lidar com a ausência de Karim Benzema. Mas depois de cinco partidas disputadas, não dá para dizer que os Bleus estejam realmente sentindo falta do astro do Real Madrid. A seleção é dona do melhor ataque do torneio, com 11 gols, e tem o artilheiro da competição, Antoine Griezmann, que foi às redes quatro vezes.

O poder de fogo francês não se limita ao baixinho dono da camisa sete. Dimitri Payet e Olivier Giroud, com três gols cada, também são destaques da equipe no torneio. No banco, há ainda nomes como Anthony Martial e Kingsley Coman. Ou seja, Deschamps tem opções de velocidade pelos flancos, de drible e desequilíbrio no um contra um, de presença de área e de poder de conclusão. O que lhe permite adotar praticamente qualquer abordagem ofensiva.

4-MEIO

Sissoko, Pogba e Matuidi são símbolos da versatilidade (Foto: FFF.fr)

Sissoko, Pogba e Matuidi são símbolos da versatilidade (Foto: FFF.fr)

A grande qualidade dessa seleção francesa talvez seja sua abundância de qualidade no meio-campo. Não só isso: a forma como esses talentos são capazes de se desdobrar e cumprir diferentes funções dentro de uma partida também são um trunfo e tanto.

Blaise Matuidi e Paul Pogba, referências do time, não apenas são ótimos marcadores, como também dão muita qualidade à saída de jogo. Moussa Sissoko, acionado contra a Islândia e provável titular na semifinal, dá velocidade e amplitude pela direita, ajudando no ataque sem comprometer o sistema defensivo. N’Golo Kanté, que deixou o time por suspensão, é outro grande ladrão de bolas que também sabe o que fazer com ela nos pés.

Na meia ofensiva, Payet pode desempenhar um papel de armador ou ser mais agressivo, deixando a criação sob responsabilidade de Pogba e Matuidi e se oferecendo como segundo atacante ou winger, pelos lados do campo. Em suma, a comissão técnica francesa não pode se queixar de falta de alternativas de jogo.

5-BOLA-AEREA

Seleção francesa é recordista em gols de cabeça em uma edição de Euro (Foto: FFF.fr)

Seleção francesa é recordista em gols de cabeça em uma edição de Euro (Foto: FFF.fr)

Além dessa fartura de boas opções no ataque, os Bleus podem dizer que sabem fazer a bola chegar a eles de diferentes maneiras. São seis gols com a bola no chão e cinco de cabeça – nenhuma outra seleção marcou tanto pelo alto em uma edição de Euro.

Isso porque as opções de cabeceio na França não se resumem a Olivier Giroud. O próprio Griezmann, de apenas 1,75m, também testou duas bolas nas redes rivais ao longo da competição. Paul Pogba, do alto de seu 1,91m, marcou um na goleada sobre a Islândia. Além deles, há ainda os que são bons de cabeça mas ainda não marcaram, como o atacante Gignac ou os zagueiros Koscielny, Rami, Mangala e Umtiti.

Considerando que a Alemanha perdeu três de seus jogadores mais altos (Mats Hummels, Sami Khedira e Mario Gomez), é possível antever muito sofrimento dos campeões mundiais para conter as investidas aéreas dos franceses.

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Recifense, rubro-negro, apaixonado por música e estudante de Jornalismo. Sócio-diretor do Doentes por Futebol, com passagens por Seleção do Rádio e SuperesportesPE. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.

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