EURO2016: Cinco motivos para crer que o País de Gales irá à final

  • por Gregor Vasconcelos
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Foto: @FAWales

Foto: @FAWales

A seleção de Chris Coleman já excedeu todas as expectativas em sua primeira participação na Eurocopa. Mas agora, a um jogo da grande final, eles não querem parar por aqui.

Depois de dois jogos nervosos contra a Eslováquia e Inglaterra, o País de Gales se via na segunda posição do grupo com três pontos. A derrota para os ingleses nos acréscimos, poderia ter sido traumatizante para uma equipe mais fragilizada. Mas não para Aaron Ramsey, Gareth Bale e companhia que, no jogo seguinte, encontraram a sintonia perfeita que faltava até então. E passearam para cima da Russia: 3 a 0, fora o baile.

Com a classificação em primeiro, veio a Irlanda do Norte. Um jogo dificil em uma tarde quente em Paris. A seleção de Michael O’Neill conseguiu neutralizar Bale, Ramsey e Joe Allen por 89 minutos. Mas em sua unica falha de marcação foram punidos com o gol contra de Gareth McAuley após cruzamento de Bale.

GALES-SEMIS

Nas quartas de final, nem o começo devastador da Bélgica assustou os dragões de Gales. O 3 a 1 foi, no fim das contas, tranquilo, levando a seleção a um patamar nunca atingido em sua história : a semifinal de uma competição internacional.

1-LIVRE

Galeses têm jogado com muita serenidade nesta Euro (Foto: @FAWales)

Galeses têm jogado com muita serenidade nesta Euro (Foto: @FAWales)

Sem se classificar para uma competição internacional desde 1958, Gales se via traumatizado pelas suas falhas anteriores. A mão de Joe Jordan que tirou os Galeses da copa de 78; o pênalti perdido por Paul Bodin que impediu os Galeses de ir a copa nos Estados Unidos… são apenas dois exemplos de noites trágicas para o futebol galês.

Quando a classificação para a Euro se confirmou, após derrota para a Bósnia, o narrador galês, emocionado, gritava: “os homens de Chris Coleman acabam de livrar o futebol galês das algemas de seu passado!”

Os 23 presentes na França já eram heróis antes da Euro começar. Isso deu uma leveza ao time, que joga sem pressão e não sente mais o peso das gerações passadas. Daqui para frente, os galeses apenas vão desbravar territórios novos, criar história. Já os portugueses, seus adversários nessa quarta-feira, brigam contra sua história recente de falhas nas fases finais da Eurocopa.

2-TOGETHER

União do elenco galês é nítida (Foto: @UEFAEURO)

União e emoção do elenco galês são nítidas (Foto: @UEFAEURO)

Na coletiva antes da partida contra a Inglaterra, Bale afirmou que nenhum jogador inglês seria titular em sua equipe. Depois da derrota por 2 a 1 para os rivais, essa afirmação parecia ridícula. Mas após ver a (falta de) reação do English Team quando estava atrás no placar contra a Islândia, e como Gales reagiu na mesma situação contra a forte Bélgica, ficou um pouco mais claro o que Bale quis dizer.

O espirito de equipe e sintonia dos 23 jogadores galeses é inigualado na competição até aqui. Apesar de alguns jogadores destoarem um pouco em qualidade, eles acreditam no seu técnico e no seu plano de jogo. Mais importante ainda, acreditam um no outro.

Isso ficou claro com todos os jogadores correndo para o banco para comemorarem juntos os gols na partida. Não existem egos no time de Gales, apenas uma unidade com uma missão em comum: fazer história.

3-BALE

Bale é o primeiro jogador em 24 anos a marcar dois gols de falta em uma edição de Euro (Foto: @UEFAEURO)

Bale é o primeiro jogador em 24 anos a marcar dois gols de falta em uma edição de Euro (Foto: @UEFAEURO)

A principal batalha individual do confronto dessa quarta será entre os companheiros de Real Madrid e dois jogadores mais caros da história: Bale e Cristiano Ronaldo.

Com as camisas de suas seleções, não há duvida de que o galês leva vantagem. Enquanto Ronaldo veste a camisa de Portugal como um peso em suas costas, Bale parece um homem possuído ao botar o vermelho de Gales.

Foram sete dos onze gols que o País de Gales fez nas Eliminatórias e, na França, já são três gols e uma assistência, todas vindo em jogos diferentes. O português, por outro lado, fez uma excelente partida contra a Hungria, mas tirando isso, decepcionou em todas as outras.

A força e velocidade de Bale são ideais para neutralizar o tecnicamente bom, mas frágil meio português, que precisará mudar bastante o seu estilo de jogo para encarar o camisa 11 galês.

4-VANTAGEM

Joe Allen tem sido um  dos principais destaques galeses (Foto: @UEFAEURO)

Joe Allen tem sido um dos principais destaques galeses (Foto: @UEFAEURO)

Muito tem sido falado sobre a influência de Ramsey e Bale, mas pouco se escuta sobre a força do meio-campo galês. Joe Ledley, que se recuperou de uma perna quebrada em seis semanas para viajar à França, dá uma base solida para seus companheiros brilharem.

O jogador do Crystal Palace não aparece muito no ataque, mas sua presença destrutiva dá liberdade para os seus dois companheiros, Ramsey e Allen, jogarem o futebol que tem feito deles dos dois grandes destaques da Euro até aqui.

>>> Leia mais: Joe Allen, o Pirlo dos castelos <<<

Portugal pode aprender com a Irlanda do Norte e Inglaterra que o principal jeito de parar Gales é ser agressivo no meio campo. As duas equipes que mais deram trabalho a equipe de Coleman até aqui pressionaram a bola a todo momento, quebrando a fluência entre o trio Ramsey, Ledley, Allen. A suspensão do meia do Arsenal pode vir a ser decisiva, mas seu substituto, Jonny Williams, já se mostrou uma peça importante ao longo da competição. É dificil imaginar que Portugal mantenha a disciplina necessária para parar o controle galês.

5-GARY

Corpo do técnico galês foi encontrado enforcado na garagem de sua casa, em novembro de 2011 (Foto: Reprodução)

Corpo do técnico galês foi encontrado enforcado na garagem de sua casa (Foto: Reprodução)

Um lado pouco discutido da campanha de Gales é a influência do finado Gary Speed, ex-treinador da seleção, que cometeu suicídio em novembro de 2011.

O ex-jogador de Leeds, Newcastle, Everton e Bolton assumiu uma seleção talentosa, mas que se encontrava na 117ª posição no ranking da Fifa. Passando sua confiança a Ramsey, que foi o capitão durante a curta passagem de Speed pela seleção, e Bale, Gales começou a crescer e se encontrava em 45º quando Speed faleceu.

Seu grande amigo, Coleman, aceitou o convite para sucedê-lo. Mas a morte de Speed pesava na seleção, que perdeu os primeiros cinco jogos sob o comando do novo treinador.

Após essa sequência, Coleman reinventou a si mesmo e ao time. Tirando a braçadeira de Ramsey, que se via muito pressionado e sem rumo após a morte de seu grande mentor. Com isso, Gales ressurgiu, Bale passou a jogar como jogava no Tottenham e, sem a necessidade de ser vocal, passou a poder liderar a equipe com seu futebol. Acima de tudo, Coleman transformou o nome de Speed em inspiração.

Pode ter certeza que o ex-treinador estará na cabeça de todos os jogadores com o dragão em sua camisa na quarta-feira. Mas não será pensando no quão diferente a vida poderia ter sido se Speed estivesse vivo, mas sim em honrar o técnico, transformando em realidade o seu sonho que trouxe Gales até aqui.

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.

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