Micale é um sopro de modernidade na Seleção

  • por Elcio Mendonça
  • 1 year atrás
Foto: Divulgação/CBF - Micale assumiu a Seleção Olímpica com a saída de Dunga

Foto: Divulgação/CBF – Micale assumiu a Seleção Olímpica com a saída de Dunga

Foi preciso uma uma bomba atômica do tamanho de um 7 a 1 para a maioria das pessoas perceber que o futebol brasileiro estava longe dos seus melhores dias. Desde então, de especialistas ao torcedor comum, todos concordam que é preciso repensar como as coisas são feitas por aqui.

Pouco mais de dois anos após o encontro com a Alemanha, é possível dizer que quase nada mudou no que diz respeito à gestão. Os vícios continuam os mesmos, assim como a politicagem segue ditando as regras, mas nem tudo é para se lamentar.

Dentro de campo houve, sim, um avanço. Do ponto de vista tático, diminuiu-se a distância com o futebol jogado fora daqui, principalmente na Europa. Vários técnicos trouxeram aspectos importantes do jogo no Velho Continente, e não há nada para se envergonhar nisso. Trata-se de uma estratégia presente até no mundo corporativo, conhecida como “benchmarking”, quando você analisa o que a concorrência faz e o que pode aprender com isso.

Foto: Divulgação/FIFA - Gabriel Jesus esteve no Mundial Sub 20 com Rogério Micale

Foto: Divulgação/FIFA – Gabriel Jesus esteve no Mundial Sub 20 com Rogério Micale

É impossível olhar para o Palmeiras de Cuca, o Grêmio de Roger ou o Santos de Dorival Júnior, por exemplo, e não enxergar essas influências. Não se trata de copiar um modelo estrangeiro, mas, sim, de estudá-lo e aprimorá-lo com o seu jeito de atuar, implantando conceitos atuais como a compactação, rápida transição, muita movimentação e bom trabalho de passes, sempre com a maior velocidade possível.

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Ideias que até outro dia estavam distantes da Seleção. Foi necessária a saída de Dunga para se corrigir isso. Primeiro, com Tite, o melhor técnico do país na atualidade, assumindo o time principal. Depois, consertando um enorme erro de planejamento e permitindo que Rogério Micale possa comandar a equipe olímpica. Mesmo participando de todo o processo de montagem do time que estará nos Jogos Olímpicos, o baiano de 47 anos seria substituído pelo capitão do tetra no Rio de Janeiro.

Antes do passeio alemão em Belo Horizonte, Tite já tinha influências estrangeiras em seu trabalho. Foi campeão da Libertadores e do Mundial com um Corinthians que jogava “à europeia”, taticamente avançado em comparação aos demais clubes nacionais.

Foto: Divulgação/CBF - Linhas no campo para auxiliar o trabalho dos pontas

Foto: Divulgação/CBF – Linhas no campo para auxiliar o trabalho dos pontas

Voltando ao time das Olimpíadas, Micale é um sopro de modernidade na Seleção. Dos conceitos de treinamento ao modelo de jogo implantado, o treinador, que sempre atuou nas categorias de base, apresenta um trabalho que chama a atenção.

Não por acaso já entrou no radar de grandes clubes nacionais. Para evitar a saída de Rogério após o Rio 2016, a CBF estuda a criação de um time sub 23 permanente, que seria formado por atletas com idade para disputar os Jogos de Tóquio, em 2020. Micale seria o responsável por essa equipe, que jogaria nas datas FIFA, e pela coordenação da base.

Mas como o 7 a 1 não foi capaz de mudar todos os hábitos por essas bandas, ainda se analisa o trabalho se baseando apenas no placar. Qualquer resultado que não seja o inédito ouro poderá colocar fim no trabalho de Micale. Um duro golpe na expectativa de um futuro melhor para o futebol brasileiro, empolgado com Tite e Micale à frente das amarelinhas…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.