Portugal exorcizou seus fantasmas para ser o dono da Europa

  • por Elcio Mendonça
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Foto: Divulgação/UEFA - 12 após perder a final em casa, Portugal reescreveu a história

Foto: Divulgação/UEFA – 12 após perder a final em casa, Portugal reescreveu a história

Para que serve o medo senão para superá-lo? Isso está na alma do povo português. Se hoje existe um Cabo da Boa Esperança é porque um dia o atravessaram quando ele ainda era das Tormentas.

Contra os canhões, marchar. É o que diz um verso do hino português, que veio a calhar na França. Para conquistar a Europa, Portugal precisou seguir em frente e exorcizar os seus fantasmas.

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A Seleção das Quinas não vencia a França há 41 anos. Venceu! Foi eliminado nos três encontros oficiais com os gauleses. Venceu! Tinha a sina de nos momentos decisivos “jogar como nunca e perder como sempre”. Venceu! O “time de um homem só” viu sua estrela sair de campo lesionada logo no começo de jogo. E venceu!

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O Stade de France é o Cabo da Boa Esperança do futebol português, que viveu neste 10 de julho o dia mais importante de sua história. Uma conquista, para muitos, improvável. Mas também era improvável chegar às Índias.

Portugal se consolidou durante a Euro. Após uma primeira fase abaixo da crítica, cresceu nos momentos decisivos. Sofreu apenas um gol durante os 450 minutos jogados no mata-mata e passou pelas três prorrogações que teve pela frente.

Foto: Divulgação/UEFA - Éder saiu do banco para dar o título a Portugal

Foto: Divulgação/UEFA – Éder saiu do banco para dar o título a Portugal

A decisão não poderia ter um desafio maior. Uma França que não perdia um jogo oficial em casa desde 1960, lar de 1,5 milhão de portugueses, a maior colônia lusitana no planeta, nem sempre muito querida em um país que caminha para uma perigosa extrema direita. A seleção que perdeu a chance de fazer história 12 anos antes, em casa, contra uma guerreira Grécia, quis recuperar o que já deveria ser seu da maneira mais difícil possível.

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Quando Cristiano Ronaldo caiu no gramado, milhões desabaram com ele. O capitão, o Vasco da Gama dos tempos modernos, não estava mais à frente da nau.

Foto: Divulgação/UEFA - Cristiano Ronaldo deixou o jogo após falta cometida por Payet

Foto: Divulgação/UEFA – Cristiano Ronaldo deixou o jogo após entrada de Payet

Quiseram os deuses do futebol que Portugal tivesse um herói improvável. De contestado à lenda, Éder fez explodir um grito que esteve preso na garganta durante toda a história de um país.

Mas ele não chutou sozinho a bola. Eusébio, Coluna, Chalana, Figo, Rui Costa, enfim, todos que estiveram próximos de um dia levantar a taça, chutaram com ele. Um gol marcado não só pelos 15 milhões de portugueses espalhados pelo mundo, mas também por aqueles que, aonde quer que estejam, partiram sem ter essa alegria.

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Tenho em mim que o chute de Gignac, nos derradeiros minutos do tempo normal, não bateu na trave por acaso. Eusébio, diretamente do Monte Olimpo, empurrou aquela bola.

Portugal não precisa mais esperar por Dom Sebastião, em uma manhã de nevoeiro, para fazer o seu destino. A Europa tem um novo dono e ele fala português.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.

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