Prazer, Europa, sou Robson-Kanu

  • por Lucas Martins
  • 1 year atrás

As voltas dadas pelo mundo podem acarretar em um milhão de coisas, mas é fato que elas costumam ser implacáveis. Pegam-nos de surpresa, são capazes de causar os mais variados sentimentos. Na noite francesa deste 1º de julho de 2016, o britânico Henry Robson-Kanu pôde saborear essa sensação plenamente.

Sem clube, um desconhecido para meia Europa aos 27 anos e dispensado pelo Arsenal aos 15, Robson-Kanu alcançou o jogo de sua vida contra a Bélgica – e anotou o golaço da virada. Tudo dentro do maior evento da história do futebol galês, considerando que o atacante nem é intocável na equipe de Chris Coleman. Uma vez mais, o esporte bretão faz girar a roda mágica que é a vida. Obrigado, deuses! Nós só podemos agradecer.

CmTn7CjWYAAcfGJ

Foto: Uefa

Histórico de seguidas rejeições

A carreira futebolística de Robson-Kanu é condicionada por três grandes rejeições. Três acontecimentos que mudaram tudo. A primeira ocorreu no gigante Arsenal, quando o camisa 9 foi liberado das categorias de base aos 15 anos. Poderia ter sido o fim de um atleta, a estação derradeira de um trem. Porém, Henry resolveu apenas ignorar quem o ignorou. Foi para o Reading, se tornou profissional no clube.

>>Leia mais: Joe Allen, o Pirlo dos castelos<<

Emprestado em duas oportunidades, o atacante conseguiu manter-se em atividade, defendendo o Reading, até a última temporada. Entre altos e baixos, foram mais de 10 anos na equipe inglesa. Mas seu contrato acabou junto com o último mês de junho (portanto, há algumas horas), depois de míseros três gols na Championship. Robson-Kanu entrou na Eurocopa sem clube, na pista.

CmTnmolWAAI2HlT

Foto: Uefa

Antes de falar da Euro, entretanto, é importante passar pela terceira rejeição. Nascido em Londres, o futebolista chegou a jogar pela seleção da Inglaterra na base. Todavia, observando a falta de oportunidades, optou pelo país de sua avó – Gales, obviamente. Onde, aos 21 anos, já estava sendo convocado para o time principal. Apesar de tudo, o londrino driblou todas as negativas para fazer história com os galeses. A histórica seleção de Bale também é a seleção de Robson-Kanu.

Eurocopa e o jogo da vida

O ex-jogador do Arsenal teve participação direta na classificação de Gales para a Euro, afinal esteve em quase todas as partidas da fase classificatória. Contudo, já na competição, chegou a perder sua vaga de titular para o garoto Jonathan Williams (Bale foi centroavante na ocasião) e tem alternado com Sam Vokes um lugar entre os 11. Pois Kanu realmente não vinha bem e, mesmo tendo anotado na estreia, não passava total confiança.

CmTuwigWYAEMRem

Foto: Uefa

A história mudou nesta sexta-feira, com uma exibição cinematográfica frente aos belgas. Robson-Kanu trabalhou de pivô, pisou na bola para temporizar as jogadas no ataque, tabelou. Infiltrou, tirou os zagueiros de posição e incomodou do minuto 1 ao 80 (quando foi substituído). O homem teve personalidade para realizar de tudo num mata-mata tão complicado. Até mesmo um gol maravilhoso, de atacante de classe que ele não é. O tento da virada, da explosão. Para incendiar a terra dos castelos.

O triunfo galês por 3 a 1 está marcado, uma seleção estreante disputará a semifinal da Eurocopa. Gales é de Bale, pode ser de Ramsey, de Allen ou até do capitão Ashley Williams. Mas nenhuma história supera a de Robson-Kanu, esse herói na arte de ressuscitar.

https://www.youtube.com/watch?v=C4O6chwHLA4

Comentários

2000. Um doente por futebol que busca insistentemente entender esse jogo magnífico de forma completa - claro, sem sucesso.