Desafio de Bauza na Argentina vai além das quatro linhas

  • por Elcio Mendonça
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Foto: Divulgação - Bauza precisará convencer Messi a voltar à seleção

Foto: Divulgação – Bauza precisará convencer Messi a voltar à seleção

26 anos após ser convocado para a Copa do Mundo na Itália, Edgardo Bauza volta à seleção argentina. Dessa vez com uma missão mais complicada do que ser um zagueiro suplente. Precisará superar a crise que afeta a AFA para tentar acabar com o jejum de títulos que dura desde 1993.

É bem verdade que Patón não era a primeira opção para assumir a Albiceleste. A Associação do Futebol Argentino, com razão, tentou antes treinadores que estão na Europa. Diego Simeone não quis deixar o Atlético de Madrid. Sampaoli, por sua vez, se interessou pelo cargo, mas o Sevilla não aceitou que ele se dividisse entre clube e seleção.

A bola da vez para substituir Gerardo Martino parecia ser Marcelo Bielsa, que deixou a Lazio dois dias após ser anunciado pelo clube italiano. Mas a saída dos Biancazzurri não teve relação com a Argentina. Foi apenas mais um capítulo na trajetória de um treinador que não ganhou o apelido de louco por acaso.

Foto: Divulgação/OM - Nem Lazio, nem Argentina. Bielsa fez jus ao apelido

Foto: Divulgação/OM – Nem Lazio, nem Argentina. Bielsa fez jus ao apelido

Ainda assim, Bauza chega com moral à “Celeste y Blanco”. Era a melhor opção entre os nomes disponíveis para o cargo e tem o apoio da imprensa local. Seus dois títulos de Libertadores, com LDU e San Lorenzo, o credenciam à função, assim como a boa campanha com o São Paulo na última edição do torneio.

Mas os desafios de Patón vão além das quatro linhas. A AFA vive o pior momento da sua história, em meio a uma crise política e financeira. Atualmente está sob intervenção da FIFA e é notória a falta de organização da associação.

Tal situação prejudicou diretamente a própria seleção durante a Copa América Centenário. Problemas de logística e até mesmo a falta de jogadores extras (jovens convocados para complementar o número de jogadores nos treinos) atrapalharam Messi e companhia em solo americano.

Tanto que o craque do Barcelona, logo após a derrota para o Chile na final, declarou que não jogará mais pela seleção argentina. Caso não mude de ideia, outros nomes de peso, como Mascherano e Aguero, poderão seguir o caminho do camisa 10.

Bauza precisará lidar logo de cara com isso. Reconquistar a confiança da Pulga e evitar um desmanche do time. Mais do que isso, elevar a moral de uma seleção que soma três vice-campeonatos nas últimas competições que disputou, pressionada por um tabu de 23 anos sem uma conquista da equipe principal.

Foto: Divulgação/AFA - Bauza, atrás de Maradona, esteve na Copa de 90

Foto: Divulgação/AFA – Bauza, atrás de Maradona, esteve na Copa de 90

E terá que fazer isso em pouco tempo. Sua primeira convocação está marcada para daqui duas semanas e a estreia acontecerá no clássico contra o Uruguai, dia primeiro de setembro, em Mendoza, pelas Eliminatórias.

Dentro de campo se espera uma Argentina mais pragmática, com um time montado a partir da defesa. Um equilíbrio interessante para um time que ficou conhecido nos últimos anos por ter um grande ataque e uma defesa abaixo da média. É possível imaginar uma equipe montada no 4-2-3-1, com Messi, se ele voltar atrás em sua decisão, atuando como enganche. Algo parecido com o que o próprio Patón fez com Ganso no São Paulo.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.

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