Ádám Nagy: esperança húngara e Rossoblu

A Euro 2016 deixou em evidência muitos jogadores cuja existência já era sabida, mas pouco conhecida. A competição continental também trouxe a Hungria de volta aos grandes palcos do futebol, o que não acontecia desde a Copa do Mundo de 1986. Foi com esse cenário desenhado que, em meio à vasta experiência de atletas como Zoltán Gera, Balász Dzsudzsák e do folclórico goleiro Gábor Király, acendeu o brilho de um candidato a nova estrela do país: Ádám Nagy.

OLHO NELE 2017 - ADAM NAGY

Primeiros Passos:

Volante de 21 anos, o garoto tem trajetória curiosa. No início de 2012, teve a oportunidade de treinar em um projeto de desenvolvimento de jovens jogadores financiado por um fundo de investimentos inglês (VisionPro Sports Institute Ltd), em Portugal. Contudo, essa situação persistiu por pouco mais que um ano, quando a academia foi encerrada e o jogador firmou contrato com Feréncvaros, já atuando desde o início em sua segunda equipe, na terceira divisão húngara. Ao final da campanha de 2014-2015, ganhou suas primeiras oportunidades no time principal e de lá não mais saiu.

Foto: Divulgação/FRANI.hu

Foto: Divulgação/FRADI.hu

Menos de seis meses após a estreia, Nagy chegou à Seleção Húngara, tendo marcado presença em todas as convocações desde então, o que já lhe rende 11 aparições com a camisa dos Mighty Magiars. Sua evolução é meteórica, muito disso em razão de suas qualidades técnicas, raras para alguém de sua posição e valorizadas em demasia.

Características:

Para muitos, pode parecer um contrassenso, mas, a despeito de ser volante, o atleta é franzino, não se destacando pelo jogo físico. Todavia, seu requinte e consistência chamam atenção. Formado no futsal, é dono de toque fácil e preciso na bola (na Euro, em três jogos, conseguiu 90% de aproveitamento nesse fundamento), facilidade para o drible, visão de jogo privilegiada e incomum aptidão para o jogo de corpo, frequentemente usado para iludir seus adversários. Apesar da pouca idade, destaca-se pela tranquilidade e frieza comum aos jogadores mais experientes.

Foto: Divulgação/FRANI.hu

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Essas características o tornam um jogador utilíssimo, pois pode cobrir grande parte das funções do meio-campo, desde a construção de jogo recuada, passando pela contenção e chegando ao setor de criação. Outro ponto que lhe favorece é a facilidade para manejar a bola com os dois pés. Falta-lhe, porém, maior desenvolvimento das capacidades físicas e não só da força, mas também da resistência, o que por vezes é perceptível na parte final das partidas. Entretanto, isso também se justifica pela incansável movimentação que impõe, sempre se fazendo opção para seus companheiros e buscando ditar o ritmo da partida.

Talento desembarcando no Calcio:

Diante de suas qualidades e do desempenho na Euro, era difícil imaginar que o garoto seguisse no obscuro futebol de seu país, por mais que atuasse no mais tradicional de seus clubes. Após namoro com o Benfica, e especulação envolvendo clubes como o Leicester City e o Olympique de Marselha, curiosamente o jovem acabou firmando contrato com o Bologna, pela pechincha de €1,5 milhão. Na Itália, deverá compartir meio-campo com algumas peças outrora mais badaladas, casos do franco-argelino Saphir Taider e do albano-suíço Blerim Dzemaili.

Foto: Divulgação/Bolognafc.it

Foto: Divulgação/Bolognafc.it

Embora decadente, o futebol italiano pode se confirmar uma boa escolha para Nagy, justamente pelo estilo de jogo praticado na Velha Bota, que pode ajudá-lo a desenvolver as deficiências físicas que ainda demostra. Além disso, como comprovam os casos recentes de Andrea Pirlo, na Juventus, e de Jorginho, no Napoli, há espaço para atletas com seu perfil no país.

“Escolhi o Bologna porque senti que posso aprender e me desenvolver, para me tornar um jogador ainda melhor. É claro que conheço minhas deficiências no campo. Especialmente no meio tenho que ter mais força física (…) mais músculos (…) mas isso não é o principal, eu também tenho que melhorar meu jogo aéreo (…) Quero mostrar a todos de dentro do clube, aos torcedores e para a Itália porquê o Bologna me contratou”, disse o jogador à Bologna TV.

Futuro promissor:

Talentoso e consciente de seu momento, qualidades e defeitos, o jogador vem brilhando com a camisa da Hungria e é peça fundamental no trabalho de recuperação por que passa sua seleção. Além disso, deu passo importante se mudando para o futebol italiano. Mesmo que não tenha ido para um grande centro, Nagy passa a estar em evidência e, continuando seu desenvolvimento, não tardará a ser observado com carinho por equipes maiores. Qualidade para tanto não lhe falta.

Olho Nele!

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog, e no "Bundesliga Brasil".