DOENTES POR FUTEBOL

O caminho até a Rússia: começa a era Tite

Finalmente Tite foi apontado como treinador da seleção brasileira. Chega com sensação geral de ser o único de sua geração com capacidade devolver o alto desempenho a seleção. Sua primeira convocação passou longe de ser unanime, mas apontou para as ideias que marcaram a carreira do técnico bi campeão brasileiro, campeão da Libertadores e campeão Mundial a frente do Corinthians.


Leia mais: DPF Recomenda “Tite”


Tite iniciou sua trajetória na seleção numa espécie de “batismo de fogo” contra Equador e Colômbia. Não é fácil enfrentar a promissora seleção do Equador, que recebeu o Brasil na vice liderança na altitude de Quito. Muito menos bater de frente com o Cafeteros de José Pekerman, liderados por James Rodriguez. Nos dois duros embates, em sua estreia no comando da Canarinho, Tite manteve a estrutura e as ideias de jogo, dando a seleção algum padrão coletivo. Isso era totalmente inexistente na era Dunga.

ODD Shark
O 4-1-4-1 da seleção brasileira no comando de Tite - Reprodução: SporTV

O 4-1-4-1 da seleção brasileira no comando de Tite – Reprodução: SporTV

Na estrutura de campo, o mesmo 4-1-4-1 que fez muito sucesso no último brasileirão.


Leia mais: O competente e organizado Corinthians de Tite


A frente da defesa, Casemiro dominou todo o espaço central. O voltante do Real Madrid se destacou com 13 desarmes nos dois jogos. Muito mais do que somados os desarmes de toda linha defensiva (Daniel Alves, Miranda, Marquinhos e Marcelo).

Foi o grande responsável por bater os craques adversários e dar menos trabalho a dupla de zaga.

Ranking de desarmes contra Equador e Colômbia

  • Casemiro – 13
  • Renato Augusto – 5
  • Daniel Alves – 4
  • Paulinho – 2
  • Marcelo – 2
  • Marquinhos – 1
  • Miranda – 1

Como interiores, peças que jogam por dentro do meio campo, Paulinho e Renato Augusto trabalharam como pensa o comandante conceitualmente. Renato mais próximo de Casemiro, e por vezes até atrás dele para a saída e transição com posse de bola. Paulinho com mais projeção, pisando o terço final do campo. Chegando mais sem bola para receber, arrematar ou ajudar na criação mais perto do gol.

Renato Augusto e Paulinho, os meias centrais de Tite. Um para distribuir o jogo e o outro para chegar no ataque para finalizar as jogadas. (Créditos: Reprodução DPF. Fotos de Lucas Figueiredo/CBF)

Renato Augusto e Paulinho, os meias centrais de Tite. Um para distribuir o jogo e o outro para chegar no ataque para finalizar as jogadas.
(Créditos: Reprodução DPF. Fotos de Lucas Figueiredo/CBF)

Um para a saída e transição com bola e outro para o avanço e a presença no terço final.

Ranking de passes contra Equador e Colômbia

  • Marcelo – 138 passes certos (7 errados)
  • Renato Augusto – 126 passes certos (10 errados)
  • Daniel Alves – 111 passes certos (13 errados
  • Casemiro – 103 passes certos (8 errados)
  • Paulinho – 74 passes certos (6 errados

No trio ofensivo, a mecânica de Neymar, Gabriel Jesus e Willian foi bem dinâmica.

O atacante do Palmeiras brilhou de forma mais intensa no primeiro jogo, quando sofreu um pênalti e marcou dois bonitos gols. Do comando do ataque, abriu espaço para infiltrações e em alguns momentos até inverteu posição com o camisa dez.

O atacante do Barcelona trabalhou da ponta para dentro, de forma diferente da que atuava com Dunga. Neymar atuou de forma mais semelhante com a seleção olímpica, quando foi o homem mais centralizado do meio campo. Partindo do lado, Neymar conseguiu marcar o gol da vitória contra a Colômbia, além da assistência para Miranda.

Willian foi o que menos brilhou do ponto de vista individual, mas coletivamente foi importante. Auxiliando no corredor direito na hora de marcar e abrindo o setor para o apoio de Daniel Alves com incursões ofensivas pra dentro do campo em combinações com Paulinho.

Ranking de finalizações contra Equador e Colômbia

  • Neymar – 4 finalizações certas (4 finalizações erradas)
  • Gabriel Jesus – 3 finalizações certas (3 finalizações erradas)
  • Willian – 0 finalizações certas (1 finalização errada)
Dinâmica ofensiva, com pontas por dentro, ultrapassagem dos laterais e um dos volantes pisando a área. Renato coordena transição ao lado de Casemiro - Reprodução: SporTV

Dinâmica ofensiva, com pontas por dentro, ultrapassagem dos laterais e um dos volantes pisando a área. Renato coordena transição ao lado de Casemiro – Reprodução: SporTV

Do banco, Coutinho, Giuliano e Taison participaram.

O meia do Liverpool foi que mais se destacou, pois entrou em momentos chave de ambos os confrontos. Giuliano também foi bem quando chamado na partida contra a Colômbia. Já Taison, entrou nos minutos finais, mas confirmou que Tite pensa nele como “9” para a sequência do trabalho.


Leia mais: O Brasil de Tite terá centroavante?


Saldo inicial do Brasil de Tite

Estrategicamente, foi possível ver um time um pouco mais compacto. Claro que com algumas dificuldades, naturais pelo período de adaptação. Também o jogo apoiado, tão citado por Tite, que nada mais é do que aproximação em todos os lados do campo, facilitando as transições e criando triângulos para trocar passes.

Saída brasileira desenhando triângulos imaginários - muito vistos nos times de Guardiola, sem qualquer comparação. Jogo apoiado, facilidade de transição e troca de passes. Senso coletivo - Reprodução: SporTV

Saída brasileira desenhando triângulos imaginários – muito vistos nos times de Guardiola, sem qualquer comparação. Jogo apoiado, facilidade de transição e troca de passes. Senso coletivo – Reprodução: SporTV

Adquirir algum senso coletivo, depois do abismo deixado por Dunga, foi o grande mérito da seleção brasileira nas mãos de Tite. O horizonte é o melhor dos possíveis, pois a cada reunião com treinos e jogos, fará do Brasil um time mais pronto para os desafios que virão.

Siga acompanhando conosco aqui no Caminho até a Rússia!

O conteúdo acima é de responsabilidade expressa de seu autor. O Doentes por Futebol respeita todas as opiniões discordantes e tem por missão promover o debate saudável entre ideias.

Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando e no RealMBrasil. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]