É preciso voltar a ser Porto

  • por Elcio Mendonça
  • 11 Meses atrás
Foto: Mirror - André Silva lamenta chance perdida diante do Copenhague

Foto: Mirror – André Silva lamenta chance perdida diante do Copenhague

O torcedor do Porto é um mal acostumado por natureza. Desde que Jorge Nuno Pinto da Costa chegou à presidência do clube (cargo que ocupa até hoje), em 1982, o time do norte de Portugal conquistou 58 títulos, entre eles dois Mundiais de Clubes, duas UEFA Champions League e duas Europa League. É o maior vencedor do futebol português neste período e o único a conseguir levantar taças além das fronteiras da terra de Camões.

Por isso o atual momento portista incomoda. Os Dragões, que não levantam uma taça desde 2013, vivem o maior jejum da “era Pinto da Costa”, e o início desta temporada já acendeu o sinal amarelo.

Na Liga Portuguesa o Porto ocupa o quarto lugar, com três vitórias e uma derrota, sofrida no clássico com o Sporting, em Alvalade. Já na Champions, um tropeço logo na estreia pela fase de grupos, que terminou com o empate em 1 a 1 com o Copenhague, no Dragão.

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Além dos resultados, preocupa o fraco desempenho. O time de Nuno Espírito Santo sofre para armar jogadas. Com uma criação quase nula, aposta nas bolas alçadas na área. Em meio à dificuldade ofensiva diante dos dinamarqueses, mesmo com um homem a mais, o treinador trocou no segundo tempo o 4-2-3-1 com Óliver Torres na armação por um 4-4-2 com André Silva e o grandalhão Depoitre no ataque. O resultado? Uma falsa pressão, com bolas lançadas a todo o tempo para a área adversária.

A impressão é que se trata de um time montado para jogar nos contra-ataques, como aconteceu diante da Roma, no Olímpico, pelo Playoff da UEFA Champions League. Mas é preciso ter repertório ofensivo e saber propor o jogo, seja no campeonato local, repleto de times que se fecham quando encaram um dos três grandes, ou no grupo europeu, aonde os portugueses têm a camisa mais pesada, embora seja preciso ressaltar a “aventura continental” do Leicester.

Nem a defesa passa ilesa neste começo de temporada. Os zagueiros Felipe, contratado junto ao Corinthians, e Marcano ainda não passam a segurança necessária. O experiente Casillas, assim como em 2015/16, segue com as suas “escorregadas”.

Foto: Sapo.pt - Casillas não vive seus melhores dias no Dragão

Foto: Sapo.pt – Casillas não vive seus melhores dias no Dragão

Mas os problemas portistas vão além das quatro linhas. O clube reforçou mal um elenco que esteve abaixo da expectativa na última temporada. As principais contratações foram os zagueiros Felipe e Boly, o lateral esquerdo Alex Teles, que veio para uma função que já conta com Layun (e que o Porto pagou 6 milhões de euros ao Watford para comprá-lo em definitivo), Depoitre, Óliver Torres e Diego Jota (ambos emprestados pelo Atlético de Madrid).

O Porto investiu 29 milhões de euros e fez apenas 10 milhões de receita com as saídas de Maicon (São Paulo), Aboubakar (Besiktas-TUR) e Ghilas (Gaziantespor-TUR). Um déficit de 19 milhões de euros que não se traduziu em uma melhora efetiva do plantel. Mais do que isso, mostrou uma mudança de perfil no mercado de transferências. O clube luso sempre foi conhecido (e foi vitorioso assim) por contratar bons jogadores sul-americanos pagando pouco e os vendendo por muito. Agora investe pesado e não consegue retorno.

O mau momento já fez uma vítima. Antero Henrique, homem forte do futebol desde 2005, entregou o cargo no começo deste mês. Nem mesmo Pinto da Costa, uma lenda no clube azul e branco, passa batido pelas críticas. Há quem acredite que o dirigente de 78 anos já não tem mais o mesmo “pique” de antes.

Foto: UEFA - Nuno inicia sob pressão o trabalho no Porto

Foto: UEFA – Nuno inicia sob pressão o trabalho no Porto

Nuno Espírito Santos está sob pressão, principalmente com André Villas Boas, portista declarado, à disposição no mercado. AVB, inclusive, usou as mídias sociais nesta semana para reforçar o sentimento pela equipe. Postou fotos dos seus cartões de sócio desde criança até os dias de hoje.

Nuno tem como desafio reconstruir uma equipe que parece ter perdido a sua essência. Mais do que ganhar jogos, é preciso voltar a ser Porto…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.