O protagonismo de Robinho

No início do ano, uma notícia causou especial surpresa no futebol brasileiro. Pela terceira vez em sua carreira, Robinho voltava ao país; pela primeira, no entanto, não representaria a alva camisa santista. Agora envergando as listras alvinegras do Atlético Mineiro, o atacante carregou consigo dúvidas.

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

Início morno e desconfiança

Sua malfadada passagem pelo futebol chinês indicava cautela com relação ao momento do jogador. Ainda assim, chegou a um grupo que já contava com bons jogadores e assumiu a titularidade. Hoje, com muitos gols, é a principal figura de um time que luta pelo título do Brasileirão.

Seu início, todavia, não foi fácil. Embora tenha se destacado no Campeonato Mineiro (artilheiro com nove tentos), foi considerado uma das decepções da Copa Libertadores da América. Enfrentando rivais sul-americanos, Robinho encontrou marcações mais duras e passou despercebido, marcando apenas um tento, contra o fraco Melgar.

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

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Dúvidas vieram. Não poderia ser diferente. Por mais que o torcedor atleticano não esperasse ver o Robinho dos primeiros anos e de pedaladas brilhantes com as camisas de Santos e Real Madrid, era aguardado um jogador decisivo e diferenciado. Iniciado o Campeonato Brasileiro, contudo, tudo passou a mudar e o atleta passou a corresponder.

Robinho com menos dribles e mais armação

Como previsto, na maior parte das partidas o atacante tem atuado pela faixa esquerda do ataque. Apesar disso, tem muita liberdade para se movimentar no campo. Os dribles, tão comuns em outros tempos, ainda existem, mas não são frequentes. Por outro lado, sua movimentação ofensiva constante, proposição de tabelas (sobretudo com Douglas Santos, anteriormente, e agora com Fábio Santos), criação de jogadas e ótimo posicionamento para marcar gols o dão destaque.

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

Talvez se possa pensar no jogador como aquela figura do “segundo atacante”. Tão rara nos dias atuais, mas que fez sucesso em famosas duplas de ataque de um passado ainda não esquecido. Em algumas ocasiões, diante da ausência de muitos jogadores, também chegou a ser referência, isolado no ataque. Embora não tenha feito mau papel, também não se destacou em demasia. Seu jogo se sobressai quando pode circular entre a faixa esquerda e a central do ataque.

Foto: Reprodução / Footstats

Foto: Reprodução / Footstats

Robinho tem demonstrado movimentação muito inteligente e uma visão de jogo que não o caracterizava em outros tempos. Tem se apresentado constantemente para o jogo, o que o levou a angariar a confiança de seus companheiros. Isso tem sido fundamental para seu excepcional desempenho recente.  Jogo travado? Bola em Robinho. Ele tem sabido prendê-la quando necessário, encontrado companheiros bem posicionados ou arriscado com êxito ou perigo à baliza rival.

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

Precisão nas finalizações e lances decisivos

Apesar da concorrência de prolíficos artilheiros (Fred e Lucas Pratto) o camisa 7 é o artilheiro do Galo no ano. Atualmente possui 22 gols em 38 jogos, além de ter criado cinco assistências. No Brasileirão, 63,3% das finalizações que tenta acerta o alvo. Ressalte-se ainda que Robinho já marcou mais vezes que os maiores artilheiros do time nos anos entre 2011 e 2014 e está a um gol da marca de Pratto no ano passado. Vários de seus tentos saíram em partidas difíceis, como os encontros contra Grêmio, Atlético-PR e Coritiba (duas vezes).

Sua importância para o time cresceu ainda mais após a lesão de Juan Cazares, até então o melhor jogador do alvinegro no nacional. Coube a Robinho a responsabilidade de liderar a criação da equipe e cresceu quando o time mais precisou dele.

Encaixe na equipe de sua referência máxima

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

Foto: Bruno Cantini / Atlético Mineiro

É claro, a presença de Robinho acarreta também a necessidade de ajustes defensivos. Uma vez que, para potencializar seu desempenho no ataque, é preciso deixá-lo com poucas tarefas na retaguarda. Muitas vezes, a despeito da presença de Fred e Pratto, é ele quem fica mais isolado quando o Galo é atacado, com o retorno dos centroavantes. Apesar disso, esse expediente tem tido êxito tão grande que tem se justificado.

Hoje Robinho tem se portado como uma ótima referência para o time. Seus companheiros sabem que podem procurá-lo na maior parte do tempo e confiam no desempenho do atacante de 32 anos. O atacante tem dado mostras regulares de talento e criatividade, além de uma eficiência enorme para marcar gols. Robinho, sem dúvida, é o principal jogador do Atlético na disputa pelo título brasileiro. A despeito de um início de temporada um pouco irregular, seu ano é muito bom.

Suas características mudaram, mas sua capacidade para desequilibrar perdura.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo, no Chelsea Brasil e na Corner.