Involução à Argentina

Foto: Olé - Aguero perdeu um pênalti diante dos paraguaios

Foto: Olé – Aguero perdeu um pênalti diante dos paraguaios

É incrível como o futebol dá voltas. E que o diga a Argentina. De melhor seleção do continente há pouco mais de três meses, a Albiceleste agora teme ficar de fora da Copa do Mundo em 2018.

Um cenário improvável para quem desembarcou nos Estados Unidos como o principal favorito para a Copa América Centenário e mostrou dentro de campo que a badalação não acontecia por acaso.

O título novamente não veio nos pênaltis, diante do algoz Chile. O novo vice, somado à grave crise que toma conta da AFA, fez com que Tata Martino entregasse o cargo.

Foto: Divulgação/AFA - Tata Martino chegou a ficar sete meses sem receber salários

Foto: Divulgação/AFA – Tata Martino chegou a ficar sete meses sem receber salário

Mesmo com a frustração do jejum de 23 anos sem títulos, não havia motivo para uma demissão. Por isso a saída do técnico causou um forte estrago aos bicampeões do mundo.

A Argentina mostrava um bom futebol. Conseguiu resolver a falta de equilíbrio entre ataque e defesa, contando com um time compacto, que variava entre o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1, este último principalmente sem Messi. Aliás, foi sem a Pulga em campo que a Albiceleste venceu o Chile por 2 a 1 na estreia da competição continental.

O ex-técnico do Barcelona deixou a seleção argentina no terceiro do lugar das Eliminatórias, com 11 pontos em seis partidas. Quatro rodadas depois, o time caiu para a quinta posição e somou apenas cinco pontos sob o comando de Bauza.

Foto: Olé - Bauza virá pressionado ao Brasil

Foto: Olé – Bauza virá pressionado ao Brasil

Mas por que essa diferença? O 4-2-3-1 continua em campo, mas sem a mesma compactação. Com a ausência de Messi, Aguero, por exemplo, encarou a função de enganche contra o Paraguai no último jogo. Demorou pouco tempo para o esquema se tornar um 4-2-4, com os dois volantes (Mascherano e Banega) cada vez mais distantes do quarteto ofensivo.

O espaçamento do time ficou ainda mais claro no gol paraguaio. Um contra ataque rápido, que pegou a defesa desprotegida e aproveitou o espaço nas costas de Demichelis e Rojo.

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Com a equipe espalhada em campo, a Argentina sofre para criar. E joga cada vez pior. Um desperdício para uma seleção com tanto bons jogadores à disposição.

Edgardo Bauza também é criticado por suas convocações. Diante dos paraguaios, escalou Demichelis no lugar do suspenso Otamendi. O zagueiro do Espanyol não disputava uma partida oficial desde o dia primeiro de maio, quando ainda defendia o Manchester City, e estava claramente sem ritmo.

Além disso, a Fox Sports da Argentina acusa o treinador de privilegiar os amigos de Messi nas convocaçõs. Segundo a emissora, seria este o motivo de Aguero seguir na equipe titular e Mauro Icardi sequer ser convocado.

Pressionado, Bauza terá o desafio de recuperar o time já na próxima rodada, logo no Superclássico contra o Brasil, em Belo Horizonte. Um jogo que pode ter a sua cara. Ninguem ficará surpreso se a Argentina vier fechada, esperando os contra ataques. Um bom cenário para um técnico conhecido por seu pragmatismo, mas pouco para quem sonha em colocar uma terceira estrela no peito…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.