Liverpool com a cara de Klopp

  • por Israel Oliveira
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Depois da grandiosa campanha na Premier League de 2013 / 2014, o Liverpool parecia fadado a sucumbir. O caminho “natural” para os Reds deveria ser o de evoluir até conquistar um título de expressão. Porém, com a venda de Suárez para o Barcelona, o time de Brendan Rodgers parecia completamente perdido sem sua referência. Na temporada seguinte, foi a vez de assistir Sterling partir, e assim se alternava a gangorra de emoções em Anfield. Todo início de temporada com Rodgers a tônica era de esperança na reconstrução do time; algumas boas partidas – com destaque para o desempenho ofensivo – e muita decepção com a defesa e estabilidade do Liverpool.

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Após investir muito dinheiro em contratações e ver pouco resultado delas, a diretoria finalmente desistiu de confiar em Brendan Rodgers.

Era hora de trazer um treinador com mais “cancha” para guiar o Liverpool para o próximo nível.

? #OnThisDay last year, Jürgen Klopp became our manager! #LFC

Uma foto publicada por Liverpool Football Club (@liverpoolfc) em

E assim, Jürgen Klopp veio para dar seguimento ao processo de reposicionamento do Liverpool entre os grandes da Inglaterra.

 

Leia mais: Os anos de Rodgers no Liverpool

 

Início: mudar um time com as peças que se tem

O principal desafio inicial do treinador alemão, que chegava no decorrer da temporada, era ajeitar o time. Klopp assumiu o comando dos Reds a partir da 9ª rodada do Inglês e dava bons indícios de sucesso. Seu Liverpool mostrou alto nível de desempenho contra grandes equipes, extremo contrário de seu antecessor Rodgers.

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O alemão chegava para maximizar toda a boa estrutura humana do elenco. Lallana e Coutinho, que já vinham em ascensão com o treinador anterior, passariam a explodir sob o comando de Rodgers.

No entanto, a equipe ainda pecava na falta de regularidade, pela oscilação, algo natural de um trabalho que estava começando. Não seria fácil haver ruptura com o que era a equipe sob Brandan Rodgers.

Leia mais: Ainda instável, Liverpool renova as esperanças com Klopp

https://www.youtube.com/watch?v=Nxo8NK5UPu4

Com Klopp também voltou a alma copeira dos Reds, que fizeram grande campanha na Liga Europa (vice-campeões).

O vice da Copa da Liga Inglesa também merece menção. Foi campanha importante, colocando o time de volta as finais de campeonatos, algo que não atingia desde 2012.

2016/2017, agora sim com tempo para trabalhar

Passado o primeiro estágio, chegando sem pré-temporada, finalmente o alemão poderia deixar o Liverpool com sua cara para valer. Em 2016/2017 Klopp teria todo tempo para fazer ajustes que julgaria necessários e indicar reforços de seu gosto.

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Apesar da tabela prometer um início difícil para Klopp e seus comandados, o desempenho do Liverpool tem sido excelente: 5 vitórias e o melhor ataque da competição (ao lado do City).

A tabela da Premier League não foi das mais auspiciosas. Mas o começo com desempenho impressionante indica que o resgaste ao período de glórias do clube parece em pleno curso.

Filosofia de jogo: gegenpressing como pilar da mentalidade

Para a temporada 2016/17, o grande trunfo do Liverpool é a manutenção do trabalho de Jürgen Klopp. Com o alemão tendo mais tempo para trabalhar, os Reds passaram a jogar um futebol no último nível de atualidade. Agora podem voltar a sonhar com coisas grandes na terra da rainha. Os conceitos de jogo são mais os atuais e bem aplicados. Uma das grandes assinaturas do comandante é o gegenpressing, trazido de seus tempos de Borussia Dortmund. Nada mais é do que a pressão para retomar a bola. De forma intensa e incessante até retomá-la e em qualquer lugar do campo de jogo.

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Segundo o conceito-chave da filosofia de jogo de Klopp, a contra-pressão é a melhor forma para se impedir a transição da defesa para o ataque do adversário. Uma pressão alta e coordenada logo após se perder a posse de bola, corta o contra-ataque pela raiz e gera possibilidade de transição rápida para voltar a atacar a meta do oponente.

A primeira coisa que Klopp procurou introduzir foi seu elemento alma. Seus times precisam se entregar ao máximo, se dedicar por cada bola, correr igual a condenados o tempo todo. E surpreende como até jogadores mais “frágeis” como Coutinho se entregaram e melhoraram fisicamente. A contra-pressão é o pilar dos times do técnico alemão. Consiste no momento seguinte ao perder a bola, onde o time deve pressionar o adversário ainda no campo do ataque. Isso serve para tentar recuperá-la ou forçar o erro do adversário, que possui pouco tempo de decisão sobre a jogada.

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Imagem característica dos times de Klopp: vários jogadores pressionando o adversário portador da bola e o resto da equipe de olho para fechar as linhas de passe.

Da Alemanha para a Premier: todos têm que correr e pressionar

No Borussia Dortmund, suas equipes chegavam às vezes correr mais de 12 km que o adversário.

Na Inglaterra não é nada diferente. Ninguém corre e briga mais pela bola que o Liverpool. Não existe espaço para vaidade e todos devem participar do pressing.

Desde seu primeiro jogo fez disto uma característica essencial do time (vídeo acima, contra o Tottenham). Completando um ano de trabalho do treinador, nota-se a pressão cada vez mais perfeita e por todo o campo. Gerando gols e prejudicando o plano de jogo adversário.

Os cercos, a disposição com que se pressiona o portador da bola simplesmente deixa o adversário nocauteado, incomodado. Exerce até uma pressão psicológica. Contra times mais fracos então, é infalível, visto a falta de qualidade pra agir sobe pressão.

A grande “bandeira” desse conceito é Adam Lallana. O inglês é simplesmente uma máquina, por vezes consegue “cuidar” da troca de passes de 3 jogadores. Se não consegue recuperar a bola, sempre ao menos induz o oponente a uma escolha errada  ou pragmática; como um recuo – por vezes apertado. Além de talentoso, é a alma de um jogador trabalhador, essencial para aplicação do conceito. Exemplo de Adam anulando a saída de bola do City:

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Característica marcante dos times treinados pelo alemão, ninguém corre mais do que os comandados de Klopp na Premier League 16/17.

O Liverpool de Klopp sempre atua na máxima intensidade. Na Premier League, é o time que mais correu até aqui.

Esquema tático

No 4-1-4-1 que o treinador desenha, Coutinho e Mané são pontas que trabalham tanto a diagonal como o fundo e o centro. De trás, Henderson coordena com vigor na marcação (sem violência) e bom passe entre as linhas. À frente dele, Wijnaldum e Lallana são mais de transição com bola no chão. Meias de bom arremate, chegada a frente para triangular e auxílio na pressão alta. Na esquerda, Klopp adaptou o polivalente Milner. A zaga tem uma mescla de experiência e juventude com Matip e Lovren. Com o bom apoio de Clyne do lado oposto.

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Créditos: taticamentefalando.com.br

O sistema ainda tem alguns erros, mas a execução vai melhorando a cada jogo e treino. Não à toa, o início na Premier League é ótimo. Cinco vitórias em sete jogos, com 18 gols marcados e 10 sofridos (ponto a melhorar). Com direito a vitórias maiúsculas e importantes contra Arsenal (fora):

https://www.youtube.com/watch?v=9aMbnD6itis

Leicester, no retorno ao Anfield ampliado:

https://www.youtube.com/watch?v=dqvBcniC6eE

E Chelsea, em pleno Stamford Bridge:

Além também das duas vitórias na Copa da Inglaterra. Com jogo moderno e boas peças, a temporada do Liverpool promete ser bem melhor e mais consistente do que as anteriores.

Zagueiros com boa saída de bola

A saída de bola tem sido um problema recente para o Liverpool. Brendan Rodgers chegou a trazer Emre Can para a linha de zaga para qualificar o início do jogo. Sakho deixava a desejar no quesito, perdendo muitas bolas para o adversário ou despachando-a para a linha lateral e oponentes.

Klopp teve por anos Mats Hummels, excelência quando o assunto é começar o jogo com qualidade. O alemão não poderia abandonar seu gosto por defensores com boa afinidade com a bola nos pés. Fazendo mercado modesto e apenas de encaixe com seu perfil, trouxe Joel Matip (ex-Schalke) e Ragnar Klavan (ex-Augsburg).

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Obviamente, a dupla não atinge o mesmo nível do atual zagueiro do Bayern. Mas entregam um produto da mesma linhagem: boas conduções de bola, passes que quebram linhas e bons lançamentos.

O estonês tem incríveis 92% de acerto ao tentar 63 passes por jogo. É um jogador experiente, embora não seja um primor defensivamente, organiza bem sua defesa e lidera movimentos importantes. Em contraste a seu companheiro camaronês, peca no jogo aéreo, mas já é uma evolução em relação a zaga de outros tempos.

Matip sempre jogou no limite no Schalke. Suas características positivas ajudam o time de Klopp a neutralizar contra-ataques. Boa recuperação, jogo aéreo sólido e velocidade. É um jogador jovem que só tende a crescer num esquema promissor para suas características. Além de bons registros defensivos, também entrega qualidade na hora de agir com a pelota nos pés.

Recuperação para Lovren e adaptação para Leiva

Além de reforços pontuais para a defesa, estamos presenciando o crescimento de Dejan Lovren, após duas temporadas horrorosas pelo clube. O croata ainda mostra ótimo potencial na distribuição do jogo, como mostrou no jogo contra o Chelsea. Lovren ajudou a manter a posse de bola no campo de ataque e não deu brechas para Diego Costa.

render-lucas-leiva-16-17Outra grande adesão ao sistema defensivo é Lucas Leiva, volante de origem. Já atuou de forma emergencial assim na última temporada. E na atual época mostra que pode se consolidar como zagueiro importante para o elenco. É mais rápido que seus oponentes e possui jogo terrestre muito sólido. Além de passes verticais de luxo, com sua qualidade adquirida como cabeça de área por tantos anos.

A falha contra o Leicester não deve mascarar a exibição do brasileiro na zaga.

James Milner: epítome do lateral que Klopp deseja

Num futebol tão intenso como o da Inglaterra, é fundamental que o lateral traga o mínimo de segurança defensiva.

Não acontecia com o espanhol Alberto Moreno. Era facilmente batido nos confrontos individuais e se posicionava pessimamente na defesa.

Se não bastasse a fragilidade atrás, Moreno oferecia pouco à frente, com muita inconstância e inefetividade. O espanhol praticamente se restringia a ir e voltar na beira do gramado. Isso mudou com a chegada do polivalente James Milner na lateral esquerda. É verdade que Liverpool não encontrou nenhum ponto de desequilíbrio ao seu favor, mas sim, um ponto de equilíbrio. O jogador inglês é tido por muitos como jogador comum, sem futebol para times de ponta. Talvez seja pelo esteriótipo do inglês cintura dura, mas na temporada se mostrou muito útil quando aberto pelo flanco esquerdo. É mais coeso ofensivamente e defensivamente a linha lateral do campo lhe ajuda, ao contrário do que se via quando atuava na medular do meio-campo.

https://www.youtube.com/watch?v=a8UngIFbP34

Pode-se discutir milhões dos atributos de Milner, mas creio que sua capacidade de cruzamento seja inquestionável. O inglês tem um repertório amplo, seja o “passe” rasteiro forte, colocado, por cima. Milner tem imaginação e bom conhecimento para uma jogada que falta bons executadores.

https://www.youtube.com/watch?v=L4daGtWz6ws

Klopp e conceito (atualizado) de laterais

Falando em lateral do Liverpool, não podemos esquecer de Nathaniel Clyne, que vem crescendo na equipe.

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O laterais de Klopp participam ativamente do jogo da equipe. Em todos os aspectos ofensivos listados, os Reds lideram atualmente a Premier League: chances criadas, passes no último terço do gramado e % de passes no campo do adversário. | Créditos da imagem: programa MNF da Sky Sports.

É sempre importante lembrar também o quão importante são os laterais no campo de ataque. Gerando amplitude e permitindo aos extremos (geralmente Coutinho e Mané) a ingressarem por dentro e explorar o campo. Perguntando no programa Monday Night Football sobre seu conceito acerca dos laterais, Klopp afirma:

“Meu conceito sobre laterais mudou em relação aos últimos anos. Acabam agindo mais como um jogador do meio de campo. Às vezes jogam de alas, às vezes de meias centrais. Precisam jogar em posições altas do campo.”

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Henderson para controlar a posse

Jordan Henderson sempre foi um volante agressivo, de muito pulmão e coração. Que percorria longas distâncias de encontro com a bola e servia de apoio para a saída.

https://www.youtube.com/watch?v=hAmPrky4xTY

Com Klopp, essas características são sempre louváveis. Ainda mais para um jogador tão vertical e preciso como Hendo. Mas para o novo Liverpool, o jogador passa por uma leve reciclagem. Praticamente oficializado como cabeça de área, Hendo indica como o time agora sabe cultivar e usar a posse de bola.

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Os números através dos anos mostram o contraste da atual temporada de Henderson em relação ao resto de seu período no Liverpool. O volante troca muito mais passes nesta nova versão do Liverpool de Klopp.

Em vez de lançamentos e velocidade, Henderson trata de controlar a bola; virar o lado do campo, executar leves conduções e entregar para os ofensivos. Trata de ditar o ritmo do jogo. Se posiciona entre os zagueiros e seleciona passes com maestria. Um jogador que sempre mostrou esse potencial pela qualidade de passar e que finalmente está sendo aproveitada ao máximo, demonstrando além de tudo muito intelecto.

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Completando as primeiras opções no meio-campo, temos Adam Lallana, praticamente um demônio, está sempre dando opção e se movimentando:

Wijnaldum apresenta boa técnica, apesar de uma leve fragilidade defensiva. Emre Can é uma opção de mais força, um legítimo tanque, embora se apresente verde em alguns aspectos.

Sadio Mané para abrir o campo

Num mercado de transferência tão inflacionado, me surpreenderam os questionamentos pelo valor da contratação de Mané (40 milhões de euros). Vejo como contratação dentro da realidade de uma liga onde as transferências locais são elevadíssimas. Além do mais, vem jogando em um nível tão alto que os valores investidos se tornam justificados.

https://www.youtube.com/watch?v=O89NGsH5mEo

O senegalês chegou para preencher uma lacuna no elenco, que Jordan Ibe não correspondeu. Milner atuava “sem problemas” também, principalmente pelo lado direito. Mas faltava a capacidade de decisão no um contra um, verticalidade e intensidade. Faltava ao Liverpool um especialista da beirada do campo, jogador que com constância gerasse jogadas individuais, arrancadas. Que preocupasse o lateral adversário. Mané ocupa perfeitamente essa característica, e ainda tem mais.

https://www.youtube.com/watch?v=CiGudgzPKYs

Não é só da velocidade e do drible que vive Sadio. O jogador vem demonstrando ser completíssimo. Bom primeiro toque, capacidade de dialogar com seus companheiros de ataque e imenso poder de finalização. Ao contrário dos típicos jogadores da função, tem capacidade de jogar por dentro, não é refém do campo aberto e do mano a mano.

Um Coutinho Universal

https://www.youtube.com/watch?v=JlbwIxYwECI

No ínicio do trabalho do alemão, muitas vezes o craque ficava mais fixo à esquerda, cumprindo um posicionamento. Embora decidisse jogos com regularidade, privilegiado por sua grande capacidade de chutar – ainda mais cortando pra dentro – , sempre ficava uma lacuna, de que Coutinho poderia colaborar mais com o jogo, por sua capacidade de criar chances e movimentar a bola.

Antes de enfrentar o Chelsea, apresentava uma movimentação limitada pela beirada, não pisando com regularidade em outras partes do campo. Isso mudou desde o confronto contra os Blues. E o meia cresceu de produção de forma impressionante.

https://www.youtube.com/watch?v=la-Uo0GfKVs

O brasileiro circulando mais, indo por dentro e ficando menos fixo faz o Liverpool emergir ofensivamente. Coutinho é um meia que naturalmente sabe induzir e envolver seus companheiros ao jogo. Mesmo que não precise de tantos passes (são menos de 50 por jogos). Suas decisões são cada vez mais pontuais e destinadas ao gol, eliminando até a crítica injusta de ser um jogador pouco efetivo.

Ataque leve e habilidoso

Além de Coutinho e Mané, o Liverpool conta com jogadores do quilate de Adam Lallana, Daniel Sturridge e Roberto Firmino. Todos com habilidade e qualidade técnica, com toques curtos e rápidos.

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Ainda sobre a forma do Liverpool atacar, mais aspas para Klopp:

“A disposição deles [no campo de ataque] não me importa. Mas, para isso, é necessário tempo de trabalho para implementar. Pois, quando perdemos a bola, todos precisam defender imediatamente e buscar retomar a posse.”

https://www.youtube.com/watch?v=riYFUJPahlE

O brasileiro, que chegou a ser considerado flop após seu início – mal aproveitado por Rodgersmostra as mesmas qualidades que o fizeram despontar no Hoffenheim. Seja como centroavante ou meia-ofensivo. Firmino é um jogador inteligentíssimo, de qualidade técnica preciosa, poder imenso de finalização, de bom domínio de bola e que entende como nunca o que é atacar num time como Klopp.

O alemão sempre pediu sua contratação pelo Borussia Dortmund e não era à toa. Firmino tem o perfil exato para jogar nos times de Klopp: disposição física e tática para correr (com a bola ou atrás dela) aliadas a talento e versatilidade para jogar em várias posições do ataque. Roberto só tem a evoluir sob o comando de Jürgen Klopp.

Leia mais: O verdadeiro Roberto Firmino

Daniel Sturridge já foi mais letal, incisivo, matador. Mas ainda segue sendo uma peça vital nos Reds. Ainda mais para rodar o elenco e acrescentar imprevisibilidade, dando boas alternativas aos diversos contextos que podem ser encontrados.

“Stu” não recuperou o poder de fogo que tinha nos tempos de Suárez. Mas segue leve, imprevisível, liso. Tem uma “malemolência” e um potencial como finalizador que jamais pode ser ignorado ou descartado.

https://www.youtube.com/watch?v=5B8Zi2qpQ18

Adam Lallana é o jogador do Liverpool com mais participações em gols (gols + assistências). Sempre mostrou qualidades interessantes como a exímia condução de bola, o giro e um toque curto inteligente. Mas sua suposta falta de efetividade gerava alguns críticos. Não existe mais margem para constestações, Adam é titular indiscutível. Um legítimo motor, que não para de correr, atacar, dar opção, e vem cada vez mais tomando gosto pelo gol.

O elenco de frente pode ter sido montado na era Brandon Rodgers, mas foi Klopp quem conseguiu fazê-los produzir ao máximo. Todos estão tinindo, entrosados e destinados a saltar na carreira, coletiva e individualmente.

Usando a posse de bola

Embora seja um treinador aclamado e com diversos títulos, Jürgen Klopp nunca se sentiu confortável com a posse de bola. Um de seus dilemas ao final de sua passagem pelo Dortmund, foi justamente como fazer o time funcionar sendo protagonista das partidas. Porém, este é um traço que se apresenta em mutação no estilo do treinador. Na última edição da Premier League, o Liverpool foi o quinto colocado em média de posse de bola nas partidas (com 55%). Atualmente só está atrás do Manchester City de Pep Guardiola no quesito.

Fonte de dados: transfermarkt.co.uk

Fonte de dados: transfermarkt.co.uk

Seu Liverpool agora tem conteúdo e repertório variado para diversas circunstâncias, seja para construir um resultado, defender ou ampliar. Um grande exemplo desse Liverpool mais possessivo foi contra o Chelsea. Após marcar o primeiro gol, os Reds passaram a construir lentamente de trás. Isso freando o ímpeto adversário e afirmando o resultado, preservando bem a bola, sem abdicar da ofensividade.

A cara de Klopp é a essência do clube: um time que vibra e briga até o fim

Será bastante difícil para o Liverpool conquistar o tão sonhado título da Premier League neste ano. A pesada concorrência com o Manchester City de Guardiola e o Tottenham de Pochettino deixa isso bem claro. Porém, o grande alento é a mentalidade vencedora demonstrada por Klopp e a confiança  e motivação despertadas por ele na diretoria e jogadores. Finalmente o Liverpool volta a ter um treinador de respeito, que impõe medo nos adversários, e lidera motivando seus comandados a reagir perante os cenários mais adversos. O jogo contra o Dortmund é bastante emblemático e resume bem isso:

https://www.youtube.com/watch?v=n_WftlguuRQ

O Liverpool de Klopp é um time talentoso, ofensivo e que agride sempre (seja para recuperar a bola ou com ela nos pés). Além disso, quando o talento não resolve, a correria e o coração entram na equação e sempre há entrega até o fim. Ninguém desiste, deixa de suar a camisa ou de vibrar dentro de campo. E, fora dele, os jogadores sabem que têm um comandante apaixonado e completamente entregue ao propósito de vencer e uma torcida fanática:

https://www.youtube.com/watch?v=3L8T5sZGywY

Esta combinação de fatores certamente aumenta as esperanças por títulos e por uma era vencedora sob comando do alemão. De acordo com a tradição do Liverpool, e é assim que deve ser. O time apresenta um futebol intenso, coeso, sólido, que consegue resultados e dá espetáculos.

É um dos times que devemos acompanhar com afinco e cuidar nessa temporada e nas próximas.

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