Atlético Nacional e o “sonho sudaca”

  • por Elcio Mendonça
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Quem, nos tempos de garoto, nunca fez um gol na pelada e se imaginou marcando o tento do título mundial para o seu clube no Japão? Ou, anos mais tarde, após pendurar as chuteiras que nunca calçou, se viu planejando uma viagem épica à Terra do Sol nascente, pensando em uma invasão do seu clube e, principalmente, no que poderia vender para ajudar a pagar a salgada conta da viagem?

O Mundial mexe com o sul-americano, principalmente desde que passou a ser disputado no outro lado do mundo. Ganha um tom epopeico cruzar o planeta para entrar em campo. É como uma busca pelo Santo Graal.

Mais do que isso, é a tentativa do colonizado vencer o colonizador, do time do terceiro mundo vencer o do primeiro. Uma desigualdade, reflexo dos aspectos sócio-econômicos, cada vez mais refletida em campo.

Desde que a FIFA adotou o modelo atual, com sete equipes e sistema de mata-mata, em 2005, apenas três clubes da América do Sul levantaram a taça. Se levarmos em conta que São Paulo e Inter foram campeões logo nas duas edições iniciais, são oito vitórias europeias nos últimos nove anos. O Corinthians, campeão em 2012, é o intruso na festa do Velho Continente.

Não é difícil entender o domínio da Europa. Barcelona, Real Madrid e Bayern, por exemplo, se tornaram marcas globais, com verdadeiras seleções multinacionais. Desde 2011 o título mundial fica com um deles sempre que estão na disputa. Mesmo em solo europeu a desigualdade do trio para o restante dos clubes é algo considerável, o que dizer, então, em comparação aos times “sudacas”, que precisam montar o melhor time possível basicamente com os jogadores que ainda não foram seduzidos pelos euros ou que já não conseguem atuar em alto nível lá fora. Os ingleses, cada vez mais ricos, também querem entrar nesse “clubinho”, mas parece que ainda não descobriram como gastar tanta grana.

Foto: Divulgação – Maestro Verdolaga, Guerra é uma das armas de Rueda

Esse é o tamanho do desafio que o Atlético Nacional terá pela frente. E olha que estamos falando do time que é, incontestavelmente, o melhor do continente e o que joga o futebol mais bonito por essas bandas. Ainda assim, se comparado com o Real Madrid, é um Davi vestido de verde e branco.

E mesmo com todo esse cenário desfavorável, quem garante que os comandados de Reinaldo Rueda não podem voltar à Colômbia como campeões mundiais? Essa é a graça do futebol. A imprevisibilidade o torna apaixonante. É o que fará tanta gente se sentar à frente da televisão e torcer por eles. Torcida, aliás, que promete ser enorme por aqui. A tragédia que machuca também pode ser a que une. Nos tornamos, de certa maneira, alviverdes com tudo o que aconteceu. Nos tornamos um pouco Chapecó e nos tornamos um pouco Medellín.

Se eu acredito no título verdolaga? Como escreveu Eduardo Galeano, o futebol é a única religião que não tem ateus…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.

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