Alexander Isak: o “projeto” de Ibrahimovic

Zlatan Ibrahimović encerrou a carreira pela seleção sueca após a disputa da Eurocopa de 2016, depois de 15 anos de serviços prestados ao time nórdico. Apesar de não ter obtido resultados expressivos com a equipe nacional, Ibra conseguiu se tornar o maior artilheiro do país, quebrando um recorde histórico de Sven Rydell, que jogou pela seleção entre 1923 e 1932. Com 62 gols em 116 jogos, ele conseguiu o que nem mesmo os brilhantes Henrik Larsson e Gunnar Nordahl foram capazes de conseguir.

Feitos valorizados a parte, os suecos agora se perguntam: quem será o herdeiro do trono deixado por Ibra? Em recentes convocações, o técnico Janne Andersson apostou em nomes calejados, mas que nunca convenceram na carreira, como Ola Toivonen, do Toulouse (França), Marcus Berg, do Panathinaikos (Grécia), e John Guidetti, do Celta de Vigo (Espanha).

Entretanto, na recente convocação para os amistosos contra a Costa do Marfim, no dia 8 de janeiro de 2017, e Eslováquia, no dia 12, Andersson, que foi campeão sueco de 2015 com o IFK Norrköping, tirando a equipe de uma fila de 23 anos, montou uma linha de frente nova. Ele foi forçado a fazer isso porque não é uma Data Fifa, então, apenas atletas do norte europeu foram convocados. Entre estes nomes estava o de Alexander Isak, do AIK Solna.

Com apenas 17 anos, o esguio centroavante de 1,90m de altura é filho de emigrantes da Eritreia e se tornou na nova sensação do futebol sueco em uma meteórica ascensão. Desde os seis anos no clube, ele debutou como profissional na Copa da Suécia, diante do Tenhult IF, clube da quarta divisão local, no dia 28 de fevereiro de 2016. Mesmo entrando aos 30 do segundo tempo, marcou um dos tentos na goleada por 6×0.

Isak comemora o primeiro gol como profissional em jogo da Copa da Suécia – Foto: Jojje Lidén | AIK Solna

O sucesso foi imediato e Isak tornou-se titular da equipe. Assim como na Copa da Suécia, o centroavante balançou as redes no primeiro jogo pelo Campeonato Sueco ao anotar o segundo gol na vitória por 2×0 sobre o Östersunds FK. Com este tento, tornou-se o mais jovem jogador a marcar pelo campeonato nacional, com 16 anos e 199 dias.

Ao todo, o garoto balançou as redes dez vezes em 24 partidas na temporada de 2016 – na Suécia o campeonato nacional é anual – sendo o artilheiro da equipe que foi vice-campeã.

Dois gols em clássico

Isak ainda mostrou personalidade no principal clássico do país diante do Djurgårdens – o popular “Derby dos Gêmeos”. Exatamente no dia em que completava 17 anos, em 21 de setembro de 2016, participou pela segunda vez da partida que agita Estocolmo.

Aquele foi o primeiro na Tele2Arena, casa do maior rival, mas com apenas 15 minutos, recebeu passe em profundidade na grande área, pelo lado direito, e com dois toques decidiu. Bastou um para ajeitar e outro para finalizar, abrindo o marcador. Na comemoração, uma marra a lá Ibra: parou em frente a torcida rival e abriu os braços, no melhor estilo “reverenciem-me”.

Já aos 20 da segunda etapa, apenas um toque foi capaz de abrir a meta adversária. Aproveitando cruzamento da direita, o gigante de 1,90m apareceu sozinho na segunda trave para concluir em gol.

Até mostrar serviço e imprimir seu próprio estilo nas partidas, no caminho de Isak ainda permanecerá a pressão de ser o "novo Ibra" de seu país.

Até mostrar serviço e imprimir seu próprio estilo nas partidas, no caminho de Isak ainda permanecerá a pressão de ser o “novo Ibra” de seu país.

No dia do próprio aniversário, foi Isak quem deu o presente aos torcedores com a vitória no clássico por 3×0. E após o jogo ouviu do companheiro de equipe Chinedu Obasi:

“Eu não quero dizer muito, mas ele é extraordinário e pode se tornar no novo Zlatan Ibrahimovic”.

Apesar de admirar o atacante do Manchester United, Isak se espelha em outro jogador nem tão conhecido assim. Com discretas passagens por clubes italianos e espanhois, o também sueco de origens eritreias, Henok Goitom teve destacada atuação no AIK, clube do nosso personagem do dia. Em Estocolmo foram 39 gols em 93 jogos. Atualmente defende o San José Earthquakes, na MLS.

Entretanto, o apelido pegou e Isak passou a ser conhecido como “o novo Ibra”. E a dúvida na Suécia agora é se ele quebrará o recorde da transferência do atual atacante do Manchester United. Quando trocou o Malmö pelo Ajax, Ibrahimović, na época com 19 anos, foi negociado por 8,7 milhões de euros. Isak está estimado em 10,2 milhões de euros.

Clubes como Chelsea, Juventus, PSG e Real Madrid surgiram como alguns dos interessados. Valores na casa dos 16 milhões de euros já foram levantados. O próprio Ibra teria recomendado que se transferisse para Juve ou Paris, clubes que já defendeu.

Características

Fora de campo Isak tem um jeito caladão, sem tanta simpatia com os microfones quanto Ibra. Dentro das quatro linhas alguns pontos impressionam na semelhança, começando pela impressionante agilidade. Isak não é um centroavante a moda antiga e possui muita movimentação. Com o deslocamento para os lados do campo, costuma abrir muitos espaços para a finalização de outros atletas.

Vestindo a camisa 36 do AIK, mostrou muita qualidade no drible. Principalmente, no trato com a bola no pé direito. Essa virtude também torna-se em um ponto a melhorar, tendo em vista que usa pouco a canhota. A inteligência fora da área é outra das semelhanças. Isak tem bom posicionamento quando deixa a área e observa bem o jogo.

Porém, apesar das notórias qualidades técnicas e inteligência dentro de campo, reconhece que precisa aprimorar a parte física. Isak é um jogador muito franzino. Em entrevistas recentes, reconheceu que precisa ficar mais forte, pois ainda não aguenta muito as divididas. Para isso, vem recebendo um tratamento diferenciado no clube na questão da alimentação.

Mas ainda é cedo para cravar qualquer coisa. Alexander Isak já desponta brilho nos olhos dos grandes clubes europeus e ainda tem muito a evoluir. Talvez ter o peso do estigma de “novo Ibra” pese sobre seus ombros. Porém, vê-lo surgir já é um alento aos suecos, ansiosos em saber quem será o herdeiro do trono de Zlatan.

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.