CAN 2017 – PARTE 3 – GRUPO A

  • por Rogério Bibiano
  • 8 Meses atrás

Gabão 

Em sua sétima participação em fase final da CAN, a seleção do Gabão classificou-se diretamente para a competição, por ser o país-sede. Em 2012 o Gabão sediou a CAN em conjunto com a Guiné-Equatorial e busca consolidar seu espaço no futebol africano. Sobretudo acabar com a fama de fazer bons jogos, mas sempre ficar pelo caminho nas competições que têm participado. E, neste quesito, superar as quartas de final é um dos grandes objetivos, a qual os “Panteras” atingiram em 1996 e 2012. Em ambas as eliminações, Gabão caiu nos pênaltis, porém, jogando melhor durante o tempo regulamentar e na prorrogação. Agora, novamente jogando em casa, a seleção espera, enfim, poder reescrever seu nome na história.

Entretanto a pressão é grande com a instabilidade política e reflete estes fatores para dentro de campo. Para piorar a situação, há poucas semanas do início da CAN, a federação local demitiu o treinador Jorge Costa e trouxe José Antonio Camacho, conseguindo unanimemente desagradar torcedores e a maioria da imprensa local. Sem assumir parte desta responsabilidade, a Federação Gabonesa de Futebol (Fegafoot) praticamente abandonou o seu eleito, negando-lhe algumas de suas solicitações e deixando o clima pior do que já estava.

Envolvido em troca polêmica no comando do Gabão, Camacho chega pressionadíssimo para treinar os donos da casa na CAN 2017.

Envolvido em troca polêmica no comando do Gabão, Camacho chega pressionadíssimo para treinar os donos da casa na CAN 2017.

Camacho precisará de muito “jogo de cintura” para conseguir em pouco tempo de trabalho colocar a sua mentalidade de jogo numa equipe que naturalmente já chega a CAN bastante pressionada. Em sua primeira experiência africana, o espanhol tem uma opinião pública que em nada ficou contente com a sua nomeação. E muito pior, se vê abandonado pela própria federação que o contratou; vários nomes da sua comissão técnica foram vetados e outros nomes locais, lhes foram impostos, numa tentativa de amenizar às críticas.

Provável formação

Os convocados

Destaques

Um dos legados deixados pelo antigo treinador era a proposta de mesclar promissores valores na equipe principal.

https://www.youtube.com/watch?v=8seqiGR84GE

Além de Pierre-Emerick Aubameyang, tem no meia da Juventus, Mario Lemina, o sopro de inspiração na parte criativa desta equipe, que tem uma base atuando junto já há algum tempo.

Agora falemos do craque do time. Um dos melhores atacantes do mundo, dotado talento impressionante, Pierre-Emerick Aubameyang é o principal jogador da sua seleção (um dos líderes e capitão). Um dos sérios candidatos a craque da competição e cristaliza toda a esperança do torcedor gabonês em uma campanha melhor.

Burkina Faso

Classificada em primeiro lugar no Grupo D das Eliminatórias para a CAN 2017, a seleção burkinabé partipará pela décima primeira vez da fase final. Vice-campeã em 2013, Burkina Faso conta com uma base que atua junto há muitos anos. Com esta sensação de que pode chegar mais longe, encara a CAN 2017 como parte decisiva no processo de preparação para o grande objetivo da equipe dos últimos anos: a conquista de uma vaga para a sua primeira Copa do Mundo.

Velho conhecido do país e responsável direto por lançar muitos dos jogadores que hoje são lideranças dentro da seleção, o português Paulo Duarte, trabalhou entre 2007 e 2012 em Burkina Faso. Após alguns anos desenvolvendo seu serviço noutros centros africanos, o treinador reassumiu o comando da equipe, no final de 2015.

Paulo Duarte, uma exceção em termos de continuidade de trabalho nas seleções africanas.

Paulo Duarte, uma exceção em termos de continuidade de trabalho nas seleções africanas.

Levando em consideração que estabilidade não é o ponto forte dos trabalhos na África, Burkina Faso é uma exceção. E o retorno do treinador Paulo Duarte a seleção burkinabé é importante neste sentido. Nos últimos anos Pitroipa, os irmãos Traoré, Kaboré, Yago, Nakoulma, perderam poucos jogos pelo selecionado. A força desta base, é a esperança de dias melhores.

Provável formação

Os convocados

Por outro lado, se por parte dos seus torcedores anda elevada a confiança na seleção, pairam desconfianças sobre o goleiro titular da equipe, Hervé Koffi Kouakou (de apenas 20 anos).

Obviamente tem potencial e talento, mas que carece de experiência e irá disputar a sua primeira CAN. Cabe ver como Kouakou irá reagir a pressão natural.

Destaques

Com base sólida e que conseguiu nos últimos anos conquistar um patamar de respeito dentro da África, os destaques da seleção são os irmãos Alain e Bertrand Traore. Alain é mais conhecido, sobretudo na França (passagens por Lorient, Auxerre e Mônaco), mas Bertrand, aos 21 anos, vive grande momento em sua carreira.

https://www.youtube.com/watch?v=5yBU8KOCPEE

Emprestado pelo Chelsea ao Ajax, é a principal aposta no ataque burkinabé e um sério candidato a ser uma das revelações da CAN 2017.

Camarões

Uma das forças futebolísticas da África, Camarões classificou-se em primeiro lugar no Grupo M. Ficou na frente de Mauritânia, África do Sul e Gâmbia. Esta será a 18ª participação dos camaroneses na fase final da CAN. Os Leões Indomáveis possuem quatro títulos (1984, 1988, 2000 e 2002). Nestas conquistas a seleção camaronesa teve duas gerações muito forte tecnicamente e taticamente. A versão deste ano muito pouco lembra as gerações vitoriosas de outrora. As últimas participações da equipe foram discretas e nem de longe lembram uma das escolas mais fortes do futebol africano.

Contratado no início de 2016, o belga Hugo Broos vai para sua primeira experiência à frente de um seleção africana. No currículo possui três vezes os títulos de campeão belga e duas da Copa da Bélgica. Os desafios apresentados ao comandante são de reconstrução da seleção camaronesa, visando sobretudo a classificação para a Copa do Mundo da Rússia.

Dirigir um dos gigantes da África, por si só é uma missão complicada; por diversos aspectos comuns a todas as seleções do continente. Some-se a isso a ausência de jogadores importantes e experientes como Aurélien, Chedjou, Joel Matip, Erick Choup-Mouting e Nyom, que recusaram a convocação. Além de Bedimo, que lesionado, também esta fora do torneio.

Assim, quem pode imaginar Camarões lutando por um lugar mais alto junto ao pódio? No momento a realidade camaronesa é cercada de muitas dúvidas.

Provável formação

Os convocados

Destaques

Numa posição que teve François Oman-Biyck, Patrick Mboma e por último Samuel Eto’o no comando, é uma missão até certo ponto inglória, comandar o ataque camaronês. Entretanto, olho no futebol de Vincent Aboubakar, que vem evoluindo na sua média de gols junto à seleção.

O jogador que atuou por Valenciennes, Besiktas e atualmente joga no FC Porto é a grande esperança ofensiva dos Leões Indomáveis. Contará com o talento de Aboubakar Njie, do Olympique de Marseille, Moukanndjo, do Lorient e Salil, do Nuremberg, a seu lado, para cumprir sua difícil missão. Atleta de muita força física e velocidade, Aboubakar é a aposta de destaque por parte dos camaroneses nesta CAN 2017.

Guiné-Bissau

Principal novidade desta edição da CAN e também de forma surpreendente, Guiné-Bissau chega pela primeira vez em uma fase final da competição. Líder do Grupo E, nas Eliminatórias, deixou seleções de muita tradição pelo caminho, ficando n frente de Congo, Zâmbia e Quênia, seleções que regularmente participam do torneio em sua fase final.

Com pouquíssima tradição futebolística, sempre foi acostumada a apenas participar das fases preliminares das Eliminatórias e nada além disso. A falta de visibilidade e atratividade do futebol no país, faz com que muitos jogadores jovens deixem de jogar no país e sigam para Portugal e demais países da Europa. O país, que atravessa momento político-econômico conturbado, já é o grande orgulho dos seus torcedores. E, ciente das suas limitações, busca aprender e ganhar experiência para o futuro.

Treinada pelo desconhecido Baciro Cande, de 49 anos, um treinador local e que sempre atuou apenas na Guiné-Bissau. Em 2008, Cande foi treinador da seleção e reassumiu o posto no início de 2016, substituindo o português Paulo Torres. Interessante que quando Cande assumiu a seleção, Guiné-Bissau tinha apenas um ponto ganho. A partir disso, os Djurtus como são conhecidos, foram buscar a inédita qualificação à fase final da CAN 2017.

Provável formação

Os convocados

Jogar sem pressão é a grande aposta da Guiné-Bissau para ir bem na CAN. Entretanto, jogar diante de equipes com muita tradição e que vivem bom momento é um grande obstáculo a ser vencido. Um complicador é ter muitos jogadores sem clube e outros inativos há algum tempo. Parte da seleção não vem atuando em seus clubes, devido o cancelamento do campeonato nacional.

Destaque

Seguindo o exemplo de sucesso recente no futebol africano, Guiné-Bissau também foi atrás de jogadores com dupla nacionalidade. Um destes jogadores, que se transformou em destaque da equipe é Frédéric Mendy. Um cigano da bola que já passou pelo futebol singapurês, português e atualmente joga na Coréia do Sul.

Com 1,91 m de altura, é, até por razões óbvias, especialista no jogo aéreo, uma das apostas do jogo proposto pela Guiné-Bissau.

Comentários

Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.