CAN 2017 – PARTE 4 – GRUPO B

  • por Rogério Bibiano
  • 10 Meses atrás

Argélia

As “Raposas do Deserto” como são conhecidos os seus jogadores, chegam a sua décima sétima participação em fase final da CAN. Os argelinos venceram o Grupo J das Eliminatórias, que tinha além da Argélia, Etiópia, Ilhas Seychelles e Lesoto, um grupo tranquilo, onde os argelinos se impuseram diante dos etíopes, que sim poderiam realmente serem, considerados a única ameaça aos argelinos. Campeões em 1990, os argelinos reencontraram o prestígio adquirido na década de 80 e que terminou justamente no título de 1990, com uma geração espetacular e que encantou muitos amantes do futebol. Após isso, foram quase duas décadas com seleções fracas. A história passou a mudar entre 2008 e 2009, com uma nova classificação para a Copa do Mundo de 2010 e a posterior classificação para o Mundial de 2014, onde com um futebol alegre e objetivo, deixou uma boa impressão.

No entanto, cientes que sã os títulos que realmente importam, os argelinos chegam ao Gabão dispostos a reconquistar novamente a África. Mas esta é uma missão complicada se analisarmos friamente os últimos retrospectos da Argélia, passando desde um novo treinador, que ainda luta para implementar seu estilo pessoal de jogo, passando por problemas defensivos e agora, problemas também no ataque, que justamente conta com grandes talentos desde a parte criativa da equipe, até os responsáveis pelas finalizações: Mahrez, Slimani, Brahimi e Soudani, têm na atualidade o respeito, que numa competição de tiro curto como a CAN é fundamental, mas este respeito vem acrescentado de experiência da parte destes jogadores, o que faz da Argélia, mesmo com seus problemas, uma das favoritas ao título.

Ainda que o ataque argelino viva um momento instável às vésperas da CAN, seu potencial não pode ser questionado. Já a defesa sim, constitui hoje na grande preocupação do time, seguidas são as falhas pela qual o setor, não de hoje, vem atravessando. Missão complicada para o belga George Leekens, que assumiu o comando da equipe em outubro do ano passado. O treinador de 67 anos, já treinou a Argélia em 2003. Em 2015 passou pela Tunísia, mas deixou o cargo alegando razões pessoais. Entre 2010 e 2012, foi treinador da Bélgica e um dos responsáveis por lançar a geração de Hazard, Lukaku, De Bruyne e companhia. Além da conquista da CAN, o maior objetivo é classificar a Argélia para sua terceira Copa do Mundo consecutiva, o que seria um recorde na história do futebol do país. Porém, Leekens já tem seu trabalho bastante contestado pela opção pessoal de não levar Souphiane Fegoulli, um dos jogadores de maior prestígio junto ao torcedor e que desta vez estará ausente da CAN.

George Leekens tem a missão de manter a grande fase da Argélia (AFP/Ryad Kramdi)

Provável formação

Os Convocados

Destaques

Após uma temporada espetacular, onde foi uma das principais figuras do Leicester (ENG), na conquista da Premier League, Riayd Mahrez é sem sombra de dúvidas, a grande esperança argelina na competição. Perante uma torcida extremamente fanática, Mahrez terá um dos seus maiores desafios da sua carreira, na condição de estrela da Argélia. Se a pressão sobre Mahrez cresce, ela diminui proporcionalmente sobre o artilheiro da equipe, Slimani, que tem faro de goleador. Assim, a Argélia do meio de campo para frente possui valores que podem decidir jogos complicados e o mais importante, jogadores testados internacionalmente e que deverão colocar a equipe entre as melhores da África.

Tunísia

Primeira colocada no Grupo A das Eliminatórias para a CAN, na frente de Togo, Libéria e Djibuti, a Tunísia possui um dos campeonatos mais ricos do continente e chega a sua décima oitava participação em fases finais da CAN buscando ganhar novamente a principal competição do continente, igualando o feito de 2004, quando sediaram e venceram a CAN, no único título continental da sua história. Uma das forças do futebol africano, os tunisianos ainda carregam o trauma da eliminação nas quartas-de-final da CAN2015, quando sofreram o gol de empate da Guiné-Equatorial aos 92 minutos de jogo (num pênalti extremamente contestado por toda a delegação tunisiana e que custou a carreira do árbitro M. Seechurn, das Ilhas Maurícios), para na sequência, serem eliminados na penalidades. Dois anos depois, as declarações dos jogadores das “Águias de Cartago” deixam claro, que o resultado passou e ficou no campo do jogo; entretanto, a mágoa desta eliminação, face um erro da arbitragem, permanece na memória de muitos.

Aos 70 anos de idade, o treinador polonês Henryk Kasperczak está próximo da sua aposentadoria à beira do gramado. Velho conhecido do futebol africano, Kasperczak coleciona trabalhos à frente da Costa do Marfim, Senegal, Marrocos, Mali. Mas foi com a Tunísia em 1994, que Kasperczak obteve grandes êxitos no futebol africano e conquistou a fanática torcida tunisiana, além do respeito dos jogadores. Entretanto, 16 anos depois, o polonês já não é mais tão astuto taticamente falando, mas encontrou uma fórmula ofensiva interessante, tendo na criação e transição ofensiva de Youssef Msakni e Naim Sliti um ponto interessante para “alimentar” o centroavante Ahmed Akaichi, que em 2015 anotou três gols, sendo um dos destaques do selecionado.

Novamente à frente da Tunísia, Henryk Kasperczak, está prestes a se aposentar

Por outro lado, o sistema defensivo preocupa. O sistema de jogo pautado no 3-5-2, mas que na prática mesmo é 3-4-2-1, oferece muita qualidade ofensiva em uma equipe que tem bons jogadores para esta situação. Mas há a questão da exposição defensiva, além da qualidade dos jogadores da defesa, que não é das melhores. Contando com a boa forma e experiência internacional de Aymed Abdennour, do Valencia (SPA), único nome de confiança da zaga tunisiana. Entretanto, Ben Youssef, do Caen (FRA) e Yaakoubi, do Rizespor (TUR) carecem de ritmo e de um maior número de jogos atuando juntos e isso por ser um fator que atrapalhe os planos da Tunísia na competição.

Provável formação

Os convocados

Destaque

Destaque da Tunísia, já há alguns anos, Youssef Msakni, aos 26 anos de idade, segue sendo o grande nome individual da sua equipe. Experiente, Msakni participará de sua quarta CAN e já há alguns anos vem sendo sondado por clubes europeus, especialmente da França, mas optou por jogar no Catar, no Lekhwya que pagou 11 milões de Euros, ao Espérance Tunis, quantia recorde envolvendo um jogador que atua na África, indo para outro continente. Veloz, habilidoso e com bom arremate, Msakni chegou a ser esnobado pelo treinador Henryk Kasperczak. Porém, suas atuações em grande nível e o seu histórico junto a seleção, o credenciaram a ser novamente convocado e assim, assumir uma condição inédita, de líder do elenco e candidato em potencial a craque da competição.

Senegal

Os “Leões de Teranga”, como são apelidados os jogadores senegaleses, chegam a sua décima quarta fase final da CAN, após uma classificação muito tranquila, ficando em primeiro lugar no Grupo K, à frente de Burundi, Namíbia e Níger. Os senegaleses, ainda buscam o seu primeiro título na principal competição da África. Em 2002, no Mali, a equipe foi vice-campeão africana, perdendo a final nos pênaltis (3×2) para Camarões. Meses depois os senegaleses encantariam o Mundo na Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão, com um futebol ofensivo, numa geração que deixou saudades especialmente nos torcedores senegaleses. Assim, Senegal chega a mais uma CAN pressionado em cima do resultado.

No entanto, para esta edição da competição, Senegal vê uma esperança e um otimismo, que nos últimos anos não se observava, tanto por parte dos torcedores, como dos profissionais da imprensa esportiva do país.  Com jogadores talentosos e que atuam em grandes clubes, nas principais ligas européias, é um motivo de sobra para esta onda otimista em Senegal. Desde a passagem do saudoso Bruno Metsu (2000 a 2002), que Senegal carece de um comandante unânime no país e o principal, que consiga estabelecer um trabalho a longo prazo. Assim, Aliou Cissé, que atuou naquele grupo de Metsu e era o capitão senegalês daquela geração, tem a missão de colocar a sua reputação à serviço da sua nação, para construir uma equipe forte e condizente com os inúmeros talentos individuais que Senegal possui mundo afora e que no momento vem tendo bons resultados dentro de campo.

Ex-capitão do Senegal, Aliou Cissé possui o respeito de todos em sua seleção, na esperança de reviver dias melhores.

Com um elenco talentoso ao seu dispor Aliou Cissé tem se esforçado para corrigir algumas situações defensivas em sua equipe e um dos pontos vulneráveis dos “Leões de Teranga” são as laterais, ou melhor, a ofensividade dos seus laterais, que acaba muitas vezes por oferecer ao adversário espaços à serem explorados, tanto Lamine Gassama, na direita, quanto Saliou Ciss, na esquerda, gostam de atacar, mas recompõe suas posições com alguma deficiência. Por outro lado, o miolo defensivo senegalês é um dos pontos positivos da equipe, a dupla Koulibaly – Mbodj têm demonstrado até aqui, firmeza e passado tranquilidade, somados ao goleiro  Diallo, bom arqueiro e que sempre terá de conviver com a “sombra” de Tony Silva, um dos maiores goleiros da história da África.

Provável formação

Os Convocados

Destaque

Desde que parou de jogar pela seleção senegalesa, El Hadji Diouf, um dos orgulhos dos senegaleses não tinha um jogador “à sua altura”, no coração do torcedor. Mais modesto e talvez mais talentoso, Sadio Mané, que atua no Liverpool (ENG) é neste momento, uma unanimidade em seu país, tal qual Diouf enquanto jogador, um dia foi e ainda é, mesmo estando fora da seleção. Depois de uma temporada de destaque no Red Bull Salzburg (AUT) e duas no Southampton (ENG), Mané foi comprado pelo Liverpool, por 36 milhões de Euros e vem sendo um dos destaques na equipe de Jurgen Klopp, o que lhe condiciona a situação de grande ídolo senegalês, assim como um dos principais, senão o principal, jogador do Senegal para esta edição da Copa Africana das Nações.

Zimbabwe


Considerado uma das zebras da atual edição da CAN, Zimbabwe classificou-se em primeiro lugar no Grupo L das Eliminatórias, à frente da Suazilândia (outra surpresa) e das tradicionais seleções da Guiné e de Malawi. Esta será a terceira participação dos “Guerreiros”, como são conhecidos os jogadores de Zimbabwe, numa fase final da CAN, retornando à competição, após 11 anos de ausência. Nas participações anteriores em 2004 (Tunísia) e 2006 (Egito), a equipe não passou da fase de grupos.

E no regresso à fase final da CAN, Zimbabwe não deu muita sorte, caindo no denominado “grupo da morte” desta competição. Treinada por Kalisto Pasuwa, treinador local e certamente o melhor do país. Depois de quatro anos de sucesso no FC Dynamo, com 12 conquistas neste período, tornado-se uma unanimidade no Zimbabwe, tanto entre os jogadores,como torcedores e membros da imprensa local.

 

Com grande trabalho no futebol local, Kalisto Pasuwa vem obtendo sucesso à frente da seleção nacional

Sem grandes opções para o ataque, a equipe de Pasuwa destaca-se pela forte compactação defensiva, mas que deverá ser muito bem testada diante da força extremamente ofensiva de argelinos, tunisianos e senegaleses. O que pode depor contra o belo trabalho de Kalisto Pasuwa, está no fato da sua equipe ter pouquíssima experiência em competições de grande nível, especialmente se compararmos com os seus adversários.

Provável formação

Os convocados

Destaque

Após a aposentadoria de Peter Ndlovu, maior artilheiro da seleção e grande ídolo dos zimbabuanos, coube a Knowledge Musona assumir a responsabilidade de ser a referência no ataque. Aos 26 anos, o atacante do Oostende (BEL) é, desde 2010, um dos destaques da sua seleção e tem como característica seu poder de finalização, talvez pouco se comparado aos demais adversários, mas um jogador que têm a confiança do seu torcedor.

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.