COPA AFRICANA DAS NAÇÕES 2017 – PARTE 6 – GRUPO D

Ghana

Uma das seleções mais fortes da África, Ghana chega a sua vigésima primeira participação em fases finais da CAN. Primeiro lugar no Grupo H das Eliminatórias, à frente de Moçambique, Ruanda e Ilhas Maurícius; uma classificação tranquila em um grupo que em momento algum exigiu o “algo a mais” dos ghaneses. Dona de quatro títulos continentais, em 1963, quando sediou a competição e venceu o Sudão (3×0) na final; 1965, quando na Tunísia superou os donos da casa (3×2); 1978, quando novamente na condição de país-sede bateu Uganda na final (2×0) e 1982, na Líbia, superando os donos na casa nas penalidades, após empate (1×1) nos 120 minutos; Ghana espera enfim, quebrar o jejum incômodo, ainda mais levando em conta que desde 2008, a equipe chega às semifinais, “batendo na trave”.

Entretanto, apesar do belo retrospecto, as “Estrelas Negras” terão pela frente um grande desafio, em um grupo complicado. O ataque, que sempre foi uma das grandes virtudes de Ghana nos últimos 12 anos, vem se tornado uma dor de cabeça, diante das dificuldades encontradas para colocar a bola dentro do gol. Nos últimos cinco jogos, foram apenas dois gols e a má fase do capitão e artilheiro Asamoah Gyan preocupa.

Treinada pelo israelense Avram Grant, no comando da equipe desde 2014, num dos raros casos de longevidade na África. Grant tem ao longo deste período desenvolvido um bom trabalho, entretanto, a não convocação, inesperada, do atacante Majeed Warris, especialmente num momento de crise pelo qual o ataque ghanês passa, trouxeram um clima ruim para o comandante, que vem sendo muito questionado por grande parte da imprensa e dos torcedores sobre esta sua opção.

Avram Grant, durante coletiva de imprensa da Copa Africana das Nações 2017 (foto: Chris Ricco/BackpagePix)

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Os convocados

O destaque

Com apenas 27 anos de idade, mas uma invejável trajetória dentro da seleção de Ghana, André Ayew é o grande destaque da sua equipe. Atualmente no West Ham (ENG), Ayew chegou ao Gabão em uma condição física desconhecida, devido a uma grave lesão na coxa. Com mais de 70 jogos por Ghana, Ayew é uma presença importante pela sua liderança e na sua quarta CAN, espera poder quebrar o jejum de 35 anos sem o título continental.

Mali

Mali chega para sua décima participação em fases finais da CAN, após vencer o grupo C, à frente de Benin, Guiné-Equatorial e Sudão do Sul. Vice-campeã em 1972, na Copa Africana das Nações disputada em Camarões, quando perdeu a final (3×2) para o Congo, num dos jogos mais emocionantes da história da competição. De lá para cá o futebol malinês passou os anos 80 e 90 praticamente no ostracismo, até retomar o respeito a partir do começo de 2000.

Além do vice-campeonato de 1972, Mali obteve outros bons resultados chegando entre as quatro principais seleções do continente, ficando próximo de conquistar a tão sonhada taça e ao mesmo tempo longe da referida. As metas das “Águias do Mali” (apelido do time) para este 2017 são ousadas: conquistar pela primeira vez a CAN e a vaga para a Copa do Mundo da Rússia em 2018.

Treinada pelo ex-jogador francês Alain Giresse, que em 2015 retornou à Mali, do qual foi treinador em 2012, levando o selecionado até às semifinais. O treinador conhece bem o futebol africano, passou pelo FAR Rabat (MAR) em 2001, treinou o Gabão entre 2006 e 2010, a própria seleção do Mali e entre 2013 e 2015 esteve no Senegal. Com prestígio entre os torcedores e a imprensa local, conseguiu neste período desenvolver um bom trabalho, cabe saber até onde pode chegar a sua seleção.

Novamente à frente de Mali, onde realizou bom trabalho anteriormente, Giresse espera enfim dar o primeiro título continental para o país.

Tal qual o Senegal e a Argélia, Mali tem vários jogadores de muita qualidade que possuem a dupla nacionalidade e estão espalhados por diversos campeonatos europeus. Jogadores com ótima técnica, como Marega, do Vitória de Guimarães (POR), os irmãos Yatabaré, Syla do Montpellier (FRA) ou Sako, do Crystal Palace (ENG) e que estão acostumados a atuarem juntos e a jogos do chamado primeiro escalão do futebol. Um dos pontos que Giresse tem mencionado constantemente, diz respeito ao fator psicológico da sua equipe e a dificuldade, em função desta pressão, em conquistar a CAN, a qual em muitos momentos os jogadores têm dificuldades em lidar.

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Os convocados

O destaque

Olho em Moussa Marega, atacante que aos 25 anos de idade, vive grande fase em sua carreira, após passagens por Amiens (FRA), Marítimo (POR), onde se destacou e foi comprado pelo Porto (POR), está emprestado ao Vitória de Guimarães (POR). Na temporada é o segundo maior artilheiro africano na Europa, atrás apenas de Pierre-Emerick Aubameyang. Certamente Marega é um dos candidatos à revelação da CAN 2017.

Egito

Primeiro colocado no Grupo G, à frente da Nigéria e da Tanzânia (outro integrante da chave, Chade desistiu após ter disputado três jogos), os “Faraós” chegam à sua vigésima terceira participação em fases finais da CAN. Os egípcios são os “reis de Copas” do continente e não serão superados tão cedo, afinal são sete títulos: 1957 (no Sudão), 1959 (quando foi sede pela primeira vez); 1986 (quando novamente foi sede do torneio); 1998 (no Burkina Faso); 2006 (quando também foi país-sede); 2008 (em Ghana) e 2010 (em Angola). Ausente das últimas três edições da CAN, muito em função dos problemas de ordem político-religiosa, que refletiram em campo, com uma onda de violência a ponto do campeonato local ter sido cancelado por dois anos, os “Faraós” aos poucos retomam sua rotina vitoriosa.

E justamente, este hiato de sete anos sem participar da competição, onde é o “Rei de Copas” e que poderia ter sido algo prejudicial ao futebol egípcio é que na verdade têm se constituído numa das suas grandes forças, pois mesmo com o futebol parado no país e uma fase de transição, entre uma geração extremamente vencedora e a atual, então promissora, é que fazem do Egito um adversário que volta ao topo e com muita qualidade e sobretudo, respeito por parte dos seus adversários. Um dos símbolos desta atual geração, é Mohamed Salah, atualmente na Roma (ITA), mas com passagens pelo futebol suíço e inglês, grande destaque dos “Faraós”.

Treinada pelo argentino Héctor Cuper, 60 anos, que levou o modesto Valencia (ESP) a duas finais de Uefa Champions League nas temporadas de 1999/2000 e 2000/2001. Após trabalhos discretos na Internazionale (ITA), Parma (ITA) e Real Bétis (SPA) e experiências em centros menos badalados do futebol mundial, como Geórgia, Grécia, Turquia, Emirados Árabes; Cuper aceitou o desafio de treinar o Egito. Estudioso do futebol em geral e acima de tudo, experiente, Cuper vem fazendo um grande trabalho á frente do selecionado, desde 2015, quando assumiu a responsabilidade de devolver a competitividade a uma das camisas mais fortes do continente e este trabalho é acima de tudo, recolocar o Egito em uma Copa do Mundo; missão que iniciou com êxito, seis pontos nos dois primeiros jogos e a liderança da Chave que ainda tem a fortíssima Ghana presente.

Com bons trabalhos ao longo da sua carreira, Hector Cuper tem a missão de recolocar o Egito no caminho das vitórias.

O trabalho de Héctor Cúper passa muito em dar autoconfiança para novos e talentosos valores. Mas para isso, o treinador argentino trouxe novamente para a seleção, o multi-experiente goleiro Essam El-Hadary, aos 43 anos de idade e quatro títulos da CAN (1998, 2006, 2008 e 2010) é o nome de confiança de Cuper. Outro aspecto positivo no trabalho e que facilita a vida do comandante está no fato que a maioria dos jogadores atuam no país e muitos destes vem do Al-Ahly Cairo, maior clube da África. Assim, a maioria dos jogadores sabe o que significa, verdadeiramente, disputar competições dentro da África, uma realidade contrária a muitas seleções, que têm a maior parte dos jogadores atuando na Europa e por assim, um pouco alheio ao que significa jogar dentro do próprio continente.

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O destaque

Estrela do futebol egípcio da atualidade, Mohamed Salah é o grande destaque da sua seleção. Aos 24 anos de idade, o meia que passou a atuar, com sucesso pela ponta direita do campo, vive um grande momento e é sem sombra de dúvidas um dos principais articuladores da equipe. Em sua primeira participação na CAN, Salah espera escrever seu nome ao lado das lendas Mohamed Aboutrika e Ahmed Hassan. O Egito de Cuper é um dos grandes favoritos para levar a sua oitava coroa para o Cairo.

Uganda

Após 39 anos de ausência em fases finais da Copa Africana das Nações, Uganda retorna ao torneio em um momento interessante pelo qual o futebol no país atravessa. Será a sexta participação ugandesa na competição. Há 39 anos atrás, a equipe foi vice-campeã da CAN de 1978, que foi disputada em Ghana e que teve os anfitriões conquistando o título naquela oportunidade, sobre a que é considerada a melhor geração de Uganda da história e que tinha na época, no jovem Phillip Omondi, seu grande destaque individual.

Uganda conquistou a classificação como um dos (dois) melhores segundos colocados, ficando atrás de Burkina Faso (nos critérios de desempate), no grupo D e à frente de Botswana e Ilhas Comores. Treinada pelo sérvio Milutin Sredojevic, que há 15 anos trabalha no futebol africano, incluindo passagens pelo futebol etíope, sudanês, tanzaniano e sul-africano. No comando da seleção de Uganda desde 2013, vem desenvolvendo um trabalho à longo prazo e conquistou o respeito dos jogadores, torcedores e da imprensa local, que reconhecem a qualidade deste planejamento, como algo fundamental para que Uganda retorne aos holofotes do futebol africano.

Milutin Sredojevic é o treinador desta CAN2017 que está há mais tempo no comando da sua seleção. São 13 anos à frente de Uganda.

A estabilidade do trabalho de Sredojevic é sem sombra de dúvidas o ponto forte de Uganda, ainda mais levando em consideração que na África em geral, trabalhos a longo prazo não costumam serem levados à sério pelos dirigentes. Por sua vez, a inexperiência é o ponto fraco, ainda mais levando em conta o dificílimo grupo de Uganda, que curiosamente enfrenta Ghana e Egito na briga por uma das vagas à Copa do Mundo de 2018, adversários com grande gabarito na comparação.

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Os convocados

O destaque

Olho no meia-atacante, de apenas 19 anos, Farouk Miya, vem vivendo uma temporada espetacular. O jogador do Standard Liege (BEL) tem despertado o interesse de grandes clubes do futebol europeu e é sem sombra de dúvidas o principal jogador de Uganda neste momento. Jogador de muita velocidade e com ótimo poder de conclusão, também possui habilidade e um bom repertório de dribles, por estes motivos, é considerado um dos jogadores promissores do futebol africano.

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.