Barcelona e a Era Pep Guardiola

  • por Jean Madrid
  • 6 Meses atrás

Só de ouvir o nome de Pep Guardiola, corações azuis-grená saltam do peito e olhos se enchem de lágrimas. Enfim, as lembranças da fase mais marcante e vitoriosa do FC Barcelona vem à tona. Sua história no comando do clube é recheada de momentos históricos. Repleta de goleadas e filosofias marcantes e, o mais importante, futebol bonito e extremamente pensado.

“No processo, há sempre muitas perguntas, a única coisa que vale a pena é a convicção de ter uma ideia”.

PEP GUARDIOLA

Com essas e outras frases inspiradoras, Guardiola ajudou a revolucionar o Barcelona. Tudo o que Pep dizia e pensava, colocava em prática dentro da cancha.


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Impossível esquecer as grandes goleadas, os jogos eletrizantes. O Iniestazo em 2009, o 2×6 e o 5×0 sobre o maior rival, o sexteto. Impossível não lembrar da bagunça que causou nos adversários. E, mais importante, impossível esquecer dos títulos, memoráveis e inesgotáveis títulos. E foram muitos. Exatamente 14 em 4 anos de comando.

Entretanto, muito mais coisas estão por trás dos quatro anos que colocaram Guardiola e o Barcelona no topo do mundo.

Seja bem-vindo a ERA GUARDIOLA!

⚽ INÍCIO AVASSALADOR ⚽

Difícil não admirar um treinador que aos 38 anos assumiu uma das equipes mais importantes e valiosas do futebol mundial. E, com estilo de jogo arrojado, caminhou durante quatro anos abocanhando troféus.

Josep Guardiola foi anunciado como técnico do time principal após passagem pelo Barcelona B (categoria de base da equipe principal). Pep comandou os jogadores de La Masia ao título da terceira divisão. Feito importante que garantiu a subida para a segunda divisão espanhola (limite máximo que um time B poderia alcançar)

Guardiola em seu primeiro dia como treinador do Barcelona, em 5 de junho de 2008

Guardiola em seu primeiro dia como treinador do Barcelona, em 5 de junho de 2008 │ Foto: FCBarcelona.com

Assim que assumiu, acabou promovendo vários de seus comandados dos times de base. Como Sergio Busquets e Pedro Rodríguez, titulares em quase toda sua era como técnico do Barcelona. Arriscado, porém recompensador.

Logo no começo de seu trabalho, Guardiola conseguiu o que ninguém jamais conseguiu até hoje: o festejado e aclamado Sexteto. Nada menos que a Liga Espanhola, a Copa do Rei da Espanha, a UEFA Champions League, a Supercopa da UEFA, a Supercopa da Espanha e o Mundial de Clubes da FIFA. Seis títulos levantados de seis títulos disputados.

Tudo em sua primeira temporada como técnico do Barça. Na mesma época de tais feitos, ele foi eleito por diversas revistas e meios de comunicação como o melhor técnico do mundo.

Encontro de gênios

Pep abraçado a seu maior pupilo e "criação": Lionel Messi

Pep abraçado a seu maior pupilo e “criação”: Lionel Messi

“Pep é mais importante para o Barcelona do que eu”.

LIONEL MESSI

O argentino foi peça fundamental nas históricas vitórias do time catalão. Pep, ao final de sua passagem, a nomeou como a Era Messi. E não foi por menos. O camisa 10 marcou época e atingiu feitos inigualáveis. Tais como os surpreendentes 91 gols em um só ano, ou os cinco gols em uma só partida. 

Mas, como o próprio gênio argentino mesmo disse, a importância de toda aquela equipe bem formulada, e meticulosamente treinada taticamente , cabia a um só homem: Guardiola.


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Adeus, medalhões

Guardiola não quis saber de se apegar a medalhões da fase vencedora passada do Barcelona. Nomes de peso como Deco, Eto'o e Ronaldinho viriam a sair do clube, durante o comando do catalão.

Guardiola não quis saber de se apegar a medalhões da fase vencedora passada do Barcelona. Nomes de peso como Deco, Eto’o e Ronaldinho viriam a sair do clube, durante o comando do catalão.

O período Guardiola teve algumas mudanças importantes no elenco. Jogadores importantes como Deco, Eto’o e Ronaldinho Gaúcho acabaram saindo. Saídas contestadas, cada uma em sua época de acontecimento. Houve espanto e muitas especulações a respeito do papel de Pep na ruptura do time com seus medalhões vencedores. Mas, o tempo provou que o foco na base do grupo e nos garotos de La Masia era acertadíssimo.

⚽ FILOSOFIA E ESTILO DE JOGO ⚽

Não tem como falar em Guardiola sem citar seu estilo, sua filosofia de jogo. Sua forma de jogar consistia em inúmeros toques de bola que seus jogadores davam. A bola passava pelos pés de quase todos durante as partidas. Seu Barcelona se caracterizava pela manutenção da posse no campo de ataque do adversário. Isso demandava muita coordenação e movimentação dos atletas. Sem contar a dedicação e polivalência, pois precisavam atacar e defender com empenho e precisão, para sempre tentar reciclar a posse.

A metodologia deu muito certo durante seu comando. O comportamento do time catalão focava na posse de bola, em não deixar o outro time jogar. O que ocorria também quando o time estava sem a bola; com marcação adiantada, sufocando o adversário e fazendo com que a bola fosse recuperada o quanto antes.

“Você ganha a bola de volta quando há trinta metros da meta, não oitenta”.

PEP GUARDIOLA

Várias frases resumem bem o jeito que Pep pedia para que seus jogadores se comportassem em campo. A visão mais clara disso é a questão da objetividade sem pressa. Buscar o gol em uma partida de futebol é essencial, mas tem de ser feito de um jeito inteligente. O afobamento de diversas equipes acaba sendo resultado de um mau preparo técnico. E com o time de Guardiola tudo era pensado para que dentro de campo funcionasse da melhor forma possível. O método de Josep consistia em tocar a bola com intenção, com propósito bem claro e ensaiado.

“Ele nos disse quando assumiu o time: meu trabalho é levá-los até o último terço do campo. O trabalho de vocês é terminar o trabalho”.

THIERRY HENRY, sobre a obsessão de Guardiola a respeito da construção de jogo.

O jeito de Pep era achar e/ou criar brechas. E usar a qualidade dos jogadores para que os lances tivessem maior efetividade. Naquele Barcelona, ele conseguiu colocar esse pensamento em prática com maestria.

⚽ OS NÚMEROS ⚽

Os números da Era Guardiola são expressivos e antológicos. O aproveitamento geral, dentro e fora de casa, excede os 70%, contando os quatro anos de comando. É uma marca histórica. Reflete não só a dedicação e qualidade da equipe, como também o inteligente e vencedor trabalho de Guardiola na gestão.

Tito Vilanova, Pep Guardiola e a tríplice coroa conquistada na temporada 2008/09

Tito Vilanova, Pep Guardiola e a tríplice coroa conquistada na temporada 2008/09 │ Foto: FCBarcelona.com

Os números são impressionantes:

MANDO Jogos Vitórias Empates Derrotas Gols Marcados Gols Sofridos Saldo de Gols %
Casa 121 99 14 8 369 78 291 85,7%
Fora 120 74 33 13 253 101 152 70,8%
Neutro 6 6 0 0 16 2 4 100%
GERAL 247 179 47 21 638 181 457 78,8%

Contra o Real Madrid, Pep marcou na memória dos torcedores jogos históricos.

Com as goleadas por 5×0 e 2×6 e um retrospecto de amplo domínio sobre o rival:

 

DATA EDIÇÃO MANDANTE VISITANTE
13/12/2008 Liga BBVA 2008/09 Barcelona 2×0 Real Madrid
02/05/2009 Liga BBVA 2008/09 Real Madrid 2×6 Barcelona
29/11/2009 Liga BBVA 2009/10 Barcelona 1×0 Real Madrid
10/04/2010 Liga BBVA 2009/10 Real Madrid 0x2 Barcelona
29/11/2010 Liga BBVA 2010/11 Barcelona 5×0 Real Madrid
16/04/2011 Liga BBVA 2010/11 Real Madrid 1×1 Barcelona
20/04/2011 Copa do Rei 2010/11 Barcelona 0x1 (a.p.) Real Madrid
27/04/2011 Champions League 2010/11 Real Madrid 0x2 Barcelona
 03/05/2011  Champions League 2010/11  Barcelona  1×1  Real Madrid
14/08/2011 Supercopa da Espanha 2011 Real Madrid 2×2 Barcelona
17/08/2011 Supercopa da Espanha 2011  Barcelona  3×2  Real Madrid
10/12/2011 Liga BBVA 2011/12 Real Madrid 1×3  Barcelona
18/01/2012 Copa do Rei 2011/12  Real Madrid  1×2  Barcelona
25/01/2012 Copa do Rei 2011/12 Barcelona 2×2 Real Madrid
21/04/2012 Liga BBVA 2011/12 Barcelona 1×2 Real Madrid

Fonte: Futdados

⚽ AS CONQUISTAS MEMORÁVEIS ⚽

Carles Puyol levanta a terceira conquista da Champions League do Barcelona, em Roma, 2009

Carles Puyol levanta a terceira conquista da Champions League do Barcelona, em Roma, 2009 │ Foto: FCBarcelona.com

UEFA Champions League 2008/09

A temporada da UEFA Champions League começou tranquila para o Barcelona. Num grupo fácil, somou 13 pontos contra Sporting, Shakhtar Donetsk e Basel, e se classificou na liderança do grupo C.

Nas oitavas, encarou o Lyon e com um empate no primeiro jogo e uma goleada no segundo, seguiu adiante para enfrentar o tradicional Bayern.

https://www.youtube.com/watch?v=00D48NKirss

O time bávaro encontrou o trio de ataque do Barcelona muito inspirado. Formado por Henry, Eto’o e Messi, logo no jogo de ida a goleada por 4×0 praticamente selou o avanço dos catalães até a semifinal. E foi aí que as coisas começaram a dificultar.

Empate sem gols em casa, na primeira partida.

https://www.youtube.com/watch?v=1IrbMMzGMWA

O histórico gol de Andrés Iniesta no Stamford Bridge, aos 48 minutos do segundo tempo, cravou a ida do Barça até Roma. O adversário da vez era o poderoso Manchester United de Sir Alex Ferguson, que vinha de uma conquista histórica frente ao Chelsea na Champions 2007/08.

Com um time espetacular, os Red Devils eram vistos como oponentes duríssimos na final. Porém, Messi e Eto’o estragaram a festa inglesa e deram ao Barça, a primeira tríplice coroa de uma equipe espanhola na história.

O capitão Carles Puyol e o primeiro troféu do triplete de 2009, a taça da Liga Espanhola

O capitão Carles Puyol e o primeiro troféu do triplete de 2009, a taça da Liga Espanhola │ Foto: FCBarcelona.com

La Liga 2008/09

A temporada de 2007/08 não havia sido boa para o Barcelona. Sem somar muitas vitórias contra seus maiores rivais, a equipe ficou com a terceira colocação da somando 67 pontos. Diferença gigante para o campeão do ano, o Real Madrid. Porém, com a chegada de Guardiola e sua reformulação do elenco, o time celebrou a conquista da Liga na temporada seguinte. Com impressionantes 87 pontos (27 vitórias, seis empates e cinco derrotas). E ainda mais surpreendentes 105 gols marcados, contra 35 sofridos.

Para coroa a campanha, houve a épica goleada por 2×6, diante do rival em pleno Santiago Bernabéu. O baile selou uma das passagens mais marcantes do Barcelona por Madri.

Além disso, as expressivas vitórias por 6×1 sobre o Atlético de Madrid, 4×0 no Valencia, 1×2 no Villareal (fora de casa) e 4×0 no Sevilla, foram imprescindíveis para a conquista do décimo nono caneco da equipe culé.

Copa do Rei 2008/09

A festa do elenco na conquista da Copa do Rei em 2009, após uma goleada sobre o Athletic Bilbao

A festa do elenco na conquista da Copa do Rei em 2009, após uma goleada sobre o Athletic Bilbao │ Foto: FCBarcelona.com

O famoso mata-mata espanhol conheceu seu dono da temporada 2008/09 em campanha invicta do Barcelona. Feito esse conseguido deixando alguns de seus maiores rivais para trás. Logo nas oitavas da competição, o time catalão enfrentou os colchoneros do Atlético de Madrid, vencendo por 5×2 no agregado (1×3 e 2×1).

As quartas de final diante do Espanyol reservaram jogos difíceis. Após o empate por sem gols no primeiro jogo, a obrigação de vencer o segundo e dar o primeiro passo para a tríplice coroa era obrigatória. E não foi por menos, o Barça fez 3×2 no segundo encontro e seguiu adiante. Para mais tarde vencer o Mallorca por 2×0 no Camp Nou e empatar por 1×1 fora de casa. Colocando assim os dois pés na final contra o Athletic Bilbao.

Na decisão, o Barça começou em desvantagem sofrendo gol logo aos oito minutos. Contudo, em uma jogada de craque, o marfinense Yaya Toure empatou o jogo ainda aos 30 do primeiro tempo. Depois disso, foi a vez de Messi achar espaço entre a defesa e marcar o segundo do time blaugrana. Após os dois gols, o domínio catalão prevaleceu e em uma jogada bem trabalhada Bojan ampliou. No apagar das luzes, coube a Xavi Hernández dar números finais a goleada em cobrança de falta.

UEFA Champions League 2010/11

A festa do elenco na conquista da Copa do Rei em 2009, após uma goleada sobre o Athletic Bilbao. A coroação do trabalho de Guardiola. Vencer Alex Ferguson por uma segunda vez numa final continental dá a dimensão da excelência do trabalho do catalão à frente do Barça.

A festa do elenco na conquista da Copa do Rei em 2009, após uma goleada sobre o Athletic Bilbao │ Foto: FCBarcelona.com

Depois de uma derrota por 3×1 diante da Internazionale, a magra vitória no segundo jogo deixou um sentimento amargo nos corações azuis-grená. O Barcelona de Pep, já consagrado pelas conquistas anteriores, ficava pelo caminho na Champions League 2009/10.

https://www.youtube.com/watch?v=r78n50tnEfs

A ambição de vencer tudo o que disputava era clara. E o time de Guardiola, no ano seguinte, provou mais uma vez ao mundo que era o melhor da Europa.

Os catalães caíram em grupo fácil com Copenhagen, Rubin Kazan e Panathinaikos. Somaram 14 pontos e seguiram em frente para enfrentar o Arsenal nas oitavas do torneio.

A derrota por 2×1 na Inglaterra não desanimou os espanhóis. Com um 3×1 dentro de casa despacharam os Gunners e avançaram para as quartas de final.

O Shakhtar Donetsk, recheado de brasileiros, não causou grandes problemas. Com goleada por 5×1, no Camp Nou, e 0x1 na Ucrânia, o Barça garantia vaga na semifinal contra o Madrid.

Inimigo íntimo em batalha continental

O ano de 2011 reservou um período empolgante para os fãs do futebol bem jogado. Principalmente para os que acompanhavam de perto a bola rolando em terras espanholas. Não será todo dia que veremos Barcelona e Real Madrid se enfrentando 4 vezes num espaço inferior a um mês. O chaveamento da Champions colocando frente a frente os gigantes espanhóis deixou o mundo boquiaberto e ansioso pelos duelos.

https://www.youtube.com/watch?v=32EjkUCE5-4

Com a bola rolando, a equipe de Cristiano Ronaldo e companhia sofreu nas mãos de Lionel Messi. O argentino, com dois gols, sendo o segundo uma pintura, calou o Santiago Bernabéu e garantiu a vantagem.

https://www.youtube.com/watch?v=5pwTVnQu9l0

Em casa, o empate em 1×1 colocou, duas temporadas depois, Pep em mais uma final de Champions League.

Londres, Inglaterra - 28 de Maio de 2011: Josep Guardiola cumprimenta Sir Alex Ferguson antes da final pela UEFA Champions League 2010/2011, no Wembley.

Londres, Inglaterra – 28 de Maio de 2011: Josep Guardiola cumprimenta Sir Alex Ferguson antes da final pela UEFA Champions League 2010/2011, no Wembley.

Em Londres, no mítico Wembley, o outro lado do campo era habitado por um Manchester United com sede de vingança. Infelizmente, os ingleses pouco puderam.

A final em Wembley marcou um dos maiores jogos já disputados pelo Barcelona de Guardiola. Os catalães foram soberanos diante dos Red Devils. Pedro, atacante promovido pelo técnico ao time principal, abriu o placar. O empate do time de Ferguson veio logo em seguida com Wayne Rooney. Apesar do gol inglês, a equipe blaugrana dominava as ações do jogo. Resultado disso foi o espetacular tiro de fora da área do camisa 10 que desempatou a decisão. Poucos minutos antes do encerramento da partida, David Villa achou o ângulo de Van der Sar e deu números finais a quarta conquista do Barcelona na Champions League.

⚽ DESFECHO ⚽

O fim da fase mais vitoriosa do Barcelona aconteceu numa coletiva de imprensa realizada no dia 27 de abril de 2012. Pep anunciava que deixaria a Catalunha diante da emoção de vários de seus comandados.

“Eu queria fazer o melhor que um treinador poderia fazer. Normalmente, os treinadores do Barça não duram. Meu caso foi uma rara exceção. Não me toca falar do meu legado. Vou com a sensação de dever cumprido. Estou feliz com o que fiz. Minha família não influenciou em nada. Minha companheira já sabia que tipo de trabalho eu tinha quando era jogador e meus filhos são muito pequenos ainda. É uma decisão que tem o apoio dela, mas é minha”.

“Quero agradecer aos jogadores, pelo privilégio de trabalhar com eles. É um prazer ter trabalhado com eles. Eu estou indo embora para poder me recuperar. Vou embora com a sensação de dever cumprido, de ter feito o melhor possível. É um grande clube, com muita força. Obrigado a todos, por tudo”.

PEP GUARDIOLA, em sua última entrevista coletiva como técnico do Barcelona.

Após isso, declarações de visível apreço ao treinador, inúmeros elogios e a tristeza tomaram conta da sala de imprensa.

“Esta é uma coletiva de imprensa que eu nunca queria dar. Quando Pep nos disse que não queria continuar, não queríamos acreditar”.

ANDONI ZUBIZARRETA, ex-goleiro do Barça e na época diretor de futebol do clube

Guardiola e Messi, criador e criatura. Muitos momentos de celebração, como este, ficaram na memória dos amantes do futebol-arte.

Guardiola e Messi, criador e criatura. Muitos momentos de celebração, como este, ficaram na memória dos amantes do futebol-arte. E é isso que Messi quis deixar marcado, em vez da tristeza pela saída de seu mentor.

“Quero agradecer de todo o coração a Pep pelo muito que deu à minha carreira profissional e pessoal. Devido a essa emotividade que sinto, preferi não estar presente na coletiva, longe da imprensa, principalmente porque sei que eles buscarão os rostos tristes dos jogadores e isso é algo que decidi não mostrar”.

LIONEL MESSI, em sua rede social justificando a ausência na coletiva de despedida de Pep

A Era Guardiola chegava ao fim, e os corações blaugranas se enchiam de saudades e emoção. Pep ensinou que com muito esforço, profissionalismo e força de vontade, todos podem alcançar e até ultrapassar seus limites. O comandante catalão deu vida não apenas a um estilo de jogo, mas também uma forma de viver e de praticar futebol.

As constantes cobranças sempre farão parte da carreira de um atleta, e com Guardiola elas vem em forma de ensinamento e obsessão em se jogar de acordo com sua filosofia pensada para o jogo.

O técnico mais vencedor da história do Barcelona herdou muito de seus mestres (Rinus Michels e Johan Cruyff). Aprendeu com eles e teve uma plataforma no Barça para seguir seus passos. Mas também deixou um legado  próprio. Ajudando assim a marcar e exaltar para sempre a escola barcelonista de jogar futebol, jeito próprio e fundamentalmente identitário da Catalunha.

“Não estou lidando com jogadores, estou lidando com pessoas. Eles têm medos. Preocupam-se em falhar e parecerem bobos na frente de 80 mil pessoas. Eu tenho que fazê-los ver que sem uns aos outros eles não são nada”.

JOSEP GUARDIOLA I SALA

Comentários

A classe de Zidane, a sintonia de Xavi e Iniesta, a irreverência do baixo e o cabelo do Beckham.

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