Finalista da Copa do Rei, Deyverson busca fazer história

São poucos os que podem dizer que calaram o Camp Nou nos últimos anos. Desde 2012, o Barcelona perdeu apenas nove partidas em seu próprio estádio. Ou seja, a lista de carrascos do clube catalão é bem restrita. E um destes jogadores que tiveram a honra de balançar as redes contra o time de Messi e cia. foi o brasileiro Deyverson, centroavante do Deportivo Alavés, equipe que vem fazendo campanha regular e que na última semana chegou na final da Copa do Rei pela primeira vez nos 96 anos de história do clube ao eliminar o Celta de Vigo nas semifinais. O jogador marcou um dos gols da vitória do Alavés por 2 a 1 sobre o Barcelona na terceira rodada do Campeonato Espanhol, feito que elevou o nome do jogador para todo o mundo do futebol.

“Pra mim esse jogo no Camp Nou foi um sonho realizado. Nunca imaginei poder jogar no Camp Nou, tampouco ganhar e tampouco fazer um gol. E tudo aconteceu no mesmo dia. Fiquei bastante feliz, tanto eu como minha família, meus amigos que estavam assistindo lá no meu bairro, em Santa Margarida, então foi um motivo de bastante felicidade”, conta o brasileiro.

Agora, os holofotes voltaram ao Alavés e também a Deyverson, já que a equipe eliminou o Celta nas semifinais da Copa do Rei, e irá enfrentar justamente o Barcelona na grande decisão. A final disputada no dia 27 de maio, no estádio Vicente Calderón. O atacante, um dos destaques do time dentro das quatro linhas, também virou notícia após o apito final, quando classificado, foi consolar os torcedores do Celta.

“Foi um gesto de carinho que tive por eles, porque em muitos países você não pode ter um gesto assim. A torcida não entende, quer agredir jogador. E eu vi que a torcida do Celta tava chorando ali, tava um pouco triste. E quando cheguei perto, eles já abriram os braços, me abraçaram, me deram um beijo. Fui ali consolar porque não gosto de ver ninguém triste, ninguém chorando. Fiz mais do que obrigação de consolar eles, porque é uma torcida muito bonita cantaram até o final incentivando seus jogadores. E isso é o bonito no futebol, o respeito e o carinho”.

Orgulho basco

O Deportivo Alavés é sediado na cidade de Vitoria-Gasteiz. Embora não seja oficialmente a capital, é a sede do Parlamento e do Governo do País Basco, uma das comunidades autônomas da Espanha. E o município de cerca de 200 mil habitantes está eufórico com a inédita decisão.

“O clima na cidade está muito bom, as pessoas estão muito felizes. Todo o pessoal do clube. Já é uma cidade contente, e depois desse resultado estão mais ainda”, afirma Deyverson.

Porém, como ainda faltam três meses para a grande decisão, Deyverson deixa claro que o foco agora é cumprir os objetivos na liga:

“Tô super tranquilo, a final é só em maio. E por isso acho que meus companheiros também estão, o clube também.  Estamos focados no campeonato, ainda falta bastante jogos. Se a gente cochilar, isso tudo pode virar ao contrário. Então a gente tem que estar bastante ligado, só focar na liga. Já estamos na final, temos que esquecer a final e estarmos focados só nos jogos que vem adiante”, completou.

Anonimato no Brasil, chance no Velho Continente

Deyverson, de 25 anos, é um dos muitos exemplos de jogadores brasileiros que tiveram poucas oportunidades no Brasil e apostam na Europa para alavancar a carreira. O atacante de 1,92m se profissionalizou em 2011, no Grêmio Mangaratibense, da terceira divisão carioca. Em duas participações na série C do RJ, foram 18 gols marcados. Em 2012, aos 21 anos, Deyverson foi levado ao Benfica para um período de testes, agradou, e conseguiu uma transferência para o time B do clube português.

No ano seguinte, foi negociado com o Belenenses, e embora não tenha sido titular na maior parte do tempo que passou no Restelo, ainda conseguiu marcar 11 gols. Depois de um curto empréstimo para o Colônia, da Alemanha, Deyverson fechou em definitivo com o Levante.

“Eu jogava na terceira divisão carioca, um futebol que não é muito visado. Quase ninguém ia ver os jogos, mas Deus é tão bom que me deu essa oportunidade de vir pra Europa. Hoje em dia estar jogando com os melhores jogadores do mundo, Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Luis Suárez. Enfim, pra mim é um sonho realizado estar jogando contra eles, ganhando deles, fazendo gol. É mais que um sonho realizado”.

No ano passado Deyverson tinha uma missão similar a que encontra agora. No Levante, a meta era salvar o clube do rebaixamento.

Apesar de seus nove gols no campeonato espanhol, o time de Valencia não conseguiu se manter. É por isso que o atacante nem pensa em recordes pessoais.

“Tenho cinco gols no campeonato, mas independente de fazer gol ou não, acho que trabalho e determinação pra ajudar a equipe, nunca vai faltar. E o mais importante é salvar a equipe do rebaixamento, ficar na primeira divisão, ganhar a Copa do Rei. Se os gols acontecerem, que venham. E se não vier e a equipe fizer seu dever, tô feliz igual”, completa.

“Pai” comandante

A temporada segura do Alavés em seu retorno à elite, deve-se muito ao trabalho do treinador argentino Mauricio Pellegrino. O ex-zagueiro, que inclusive encerrou a carreira como jogador pela equipe espanhola, a despeito de seu aproveitamento (apenas 33%, o pior de sua curta carreira como técnico), vai cumprindo bem os objetivos da temporada e substituindo com louvor o antecessor, José Bordalás, responsável pelo título da Liga Adelante na temporada anterior.

Consciente das limitações da equipe, o treinador não inventa. Em jogos contra equipes de nível técnico mais similar, utiliza o 4-5-1, buscando ganhar vantagem no meio de campo. Contra equipes mais qualificadas, como aconteceu na vitória no Camp Nou, Pellegrino recua um homem do meio de campo para a defesa. Mas independente da maneira que se coloca em campo, invariavelmente é Deyverson que aparece como referência do ataque, tendo atuado em 17 partidas como titular.

“É um treinador que exige muito nos trabalhos que passa, e que está centrado, ligado no que ele quer, e assim as vitórias estão saindo. É como se fosse um pai pra gente”, conta o brasileiro.

Susto que não pode acontecer na final

Nos últimos 20 jogos, foram apenas três derrotas. Porém, na última rodada, a equipe tomou um baque. Se o jogo do primeiro turno no Camp Nou foi um exemplo do que o Alavés deve fazer, o jogo do returno apontou justamente o contrário.

O time blaugrana aplicou um sonoro 6 a 0 no Estádio Mendizorrotza na última rodada, deixando um alerta que será preciso ainda mais superação de Deyverson e de seus companheiros.

“O segredo pra gente poder voltar a ganhar do Barcelona é muito trabalho, muita determinação, estar ligados nos 120 minutos em tudo que pode ocorrer. Bastante centrados. Pra poder ganhar essa partida temos que estar muito ligados mesmo, pois sabemos que o Barcelona é o melhor time do mundo”.

Enfatiza o atacante, que tem uma oportunidade valiosa para marcar seu nome na história do quase centenário Deportivo Alavés.

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Respiro futebol 24 horas por dia. Jogo, assisto, torço, leio, escrevo, penso. Enfim, sou um doente por futebol.

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