Atlético-MG em construção

  • por Lucas Sousa
  • 7 Meses atrás

O Atlético-MG 2017 neste início de temporada é como um prédio em construção. É possível observar o formato e imaginar como será no futuro, embora ainda seja cedo para ter uma imagem completa e detalhada. Com dois meses no comando da equipe, Roger Machado já mostrou alguns dos seus pilares para o ano: marcação zonal, saída de bola em passes curtos, aproximações, pressão pós-perda e forte senso coletivo. O ponto é que, assim como não se ergue um prédio em poucas semanas, também não se constrói um grande time de futebol da noite para o dia.

Ao chegar a Cidade do Galo o treinador gaúcho encontrou uma base frágil. Marcelo Oliveira era um excelente gestor de grupo e muito querido pelas pessoas do meio, mas estava evidente que o ex-jogador alvinegro tinha sérios obstáculos no seu trabalho de campo. O Galo versão 2016 era um amontoado de ótimos jogadores com pouca organização e quase sempre dependente do brilho individual de um deles para vencer partidas. Roger chegou com a missão de dar ordem a todo esse talento e potencializar as individualidades através do coletivo.

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Alguns desses mecanismos coletivos já são bem evidentes. Ofensivamente, o Galo busca sair em passes curtos, com os volantes assumindo o protagonismo nessa fase. O time joga mais próximo, criando linhas de passe e progredindo em bloco no gramado, com todos juntos. Assim, no momento em que perder a bola, a equipe estará próxima para poder atacar a bola e travar os contra-ataques adversários.

“Uma coisa muito importante para mim é reagir rapidamente tão logo que perde a bola, para recuperá-la rapidamente ou me organizar para defender dentro do meu campo”. Roger Machado

Esses conceitos que Roger trabalha no dia-a-dia já são vistos nos jogos. O problema é que os jogadores têm errado na execução. A saída de bola ainda é lenta, existem falhas no tipo de movimentação que deve ser feita ou na tomada de decisões. A reação após perder a bola nem sempre é imediata, o que permite tempo e espaço para o adversário tomar a melhor escolha. O gol sofrido contra o Godoy Cruz foi exatamente por isso: perda da posse, adversário com espaço e lançamento para o atacante.

Essa transição defensiva talvez seja o aspecto mais importante a se ajustar nesse momento. Porque ter Fred e Robinho como homens mais avançados naturalmente tira poder de combate, já que os craques não são legítimos “pressionadores” (como é Lucas Pratto, por exemplo). Então os movimentos precisam ser ainda mais coordenados para que o time possa fechar as linhas de passe mais próximas e negar o passe curto.

Quando não tem a bola o Atlético já faz boa parte daquilo que Roger quer. Nada de pressionar alto como nos tempos de Levir Culpi e Marcelo Oliveira, agora o time é menos agressivo e mais coeso. A marcação em zona a partir da metade do campo aplicada pelo novo técnico faz muito mais sentido quando olhamos o onze inicial alvinegro. Como já dito, Fred e Robinho não são dois jogadores que vão pressionar os zagueiros e volantes adversários e lá atrás a defesa não é das mais rápidas. No alto dos seus 37 anos, Léo Silva já não alcança mais ninguém na corrida e Fábio Santos também não é um lateral esquerdo veloz. Muito menos Victor vai jogar adiantado para cortar lançamentos nas costas da defesa como se fosse um Neuer. Recuando um pouco mais o time, Roger minimiza todas essas fragilidades e já entrega certa evolução defensiva.

Foto: Bruno Cantini/Atlético – Fred e Robinho: craques precisam contribuir mais defensivamente

Para que o Galo possa, enfim, decolar em 2017 falta ter mais intensidade. E intensidade não é só correr. É, acima de tudo, saber quando, onde e como correr. Aí os movimentos ofensivos e defensivos fluirão naturalmente e tudo se encaixará. Isso requer tempo e repetição exaustiva nos treinamentos para que tudo seja automatizado. Por serem comportamentos que os jogadores estão “aprendendo” agora é normal que existam essas falhas. O importante é que, depois de um 2016 ruim, o Galo possui ideias de futebol que podem torná-lo muito competitivo. É preciso deixar que Roger faça esses ajustes e termine de construir seu edifício.

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Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.

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