Fernando Viana, um brasileiro na Bulgária

O futebol búlgaro ainda é pouco conhecido no Brasil. Porém, atletas brasileiros como Jonathan Cafu, ex-São Paulo, vêm se aventurando no país europeu há algumas temporadas. Um dos mais recentes é o atacante Fernando Viana, com passagem pelas categorias de base do Atlético Mineiro, revelado pelo Joinville, e que representou Paraná e Ituano.

O atacante foi contratado no início do ano pelo Botev Plovdiv, clube tradicional no país, e que já conquistou o título nacional por duas vezes. Recém-chegado, traçou as principais metas para o restante da temporada:

“Cheguei no meio da temporada europeia, então, hoje, o meu objetivo principal é fazer muitos gols para poder ajudar o Botev Plovdiv a classificar na Parva Liga e assim brigar pelo título. Na Copa da Bulgária, estamos nas quartas de finais, então queremos brigar por esse título também, pois sabemos que o campeão classifica para a Liga Europa. É uma excelente oportunidade para mostrar meu trabalho e desenvolver minha carreira”, disse.

Foto: Divulgação/Assessoria

Aos 25 anos, o atleta tem em sua oportunidade na Bulgária a primeira experiência internacional de sua carreira. Apesar de ter chegado já com o campeonato em andamento, a adaptação ao futebol europeu está sendo rápida. Logo na estreia, balançou as redes. Ao todo, já disputou seis partidas, com três gols marcados. Para o jogador, a busca por informações antes de embarcar para o Velho Continente, foi um diferencial em sua adaptação.

“Desde que a proposta surgiu, comecei a pesquisar sobre o país e sobre o Botev Plovdiv. Tenho um amigo que jogou aqui e isso facilitou muito. Mas eu já acompanhava o futebol europeu de uma forma geral, então já sabia mais ou menos o estilo de jogo”, revelou.

Foto: Divulgação/Assessoria

Nos últimos anos, a ordem do futebol búlgaro foi completamente subvertida. Tradicionalmente, o futebol do país sempre foi bipolarizado: de um lado, com a força do CSKA Sofia, do outro, com a do Levski Sofia, dois grandes rivais e os maiores campeões do campeonato nacional.

A despeito disso, desde 2012, um clube fundado em 2001 e impulsionado pelos investimentos, planejamento e visão de mercado do empresário Kiril Domunschiev, tomou os holofotes do futebol búlgaro para si, sendo o atual pentacampeão e líder da presente edição. Esse é o Ludogorets Razgrad, o time a ser batido no país e o principal adversário que Fernando Viana terá em sua empreitada pelos Bálcãs.

Foto: Divulgação/Assessoria

No momento, o clube do brasileiro vive situação confortável na tabela, sendo o sétimo colocado, distante do título, mas sem quaisquer riscos de descenso. É importante ressaltar que a Liga Europa, objetivo do Botev Plovdiv, não tem sido muito fácil para os clubes búlgaros.

Nessa temporada, o Ludogorets avançou aos play-offs do certame, após ficar em terceiro lugar no Grupo A da Liga dos Campeões, mas foi logo eliminado pelo Copenhagen. A última vez que outra equipe do país, que não a esquadra da pequena cidade de Razgrad, disputou a competição ocorreu em 2010/11, quando o Levski Sofia foi o lanterna do Grupo C. Nada que não possa mudar.

Foto: Divulgação/Assessoria

Mesmo com a excelente média de gols, as primeiras semanas de Fernando na Bulgária não foram fáceis. O intenso frio foi o maior problema encontrado pelo jogador.

Em relação ao clima, estranhei bastante, pois quando cheguei ainda estava nevando e com temperaturas bem baixas. Às vezes sentia meu rosto queimando e tinha pequenos sangramentos no nariz. Em algumas semanas o corpo acostuma, mas ainda jogo de luvas e blusa térmica.

Foto: Divulgação/Assessoria

A cultura búlgara não é radicalmente diferente da nossa. Claro que tem alguns costumes diferentes, mas tudo bem tranquilo para adaptação. Já na comida, não me arrisco muito nos pratos típicos, pois são bem diferentes. Eles costumam comer muita salada, em todas as refeições, e isso é muito legal e já trouxe para minha rotina. Mas, no dia-a-dia, costumo comer mais comida brasileira, que minha esposa faz em casa. Agora, o idioma é muito difícil. Sei palavras soltas, mas como é outro alfabeto fica complicado. Então, me arrisco mais no inglês, porque a maioria das pessoas falam, pelo menos, um pouco”, contou.

Dentro de campo, segundo Viana, não existem muitas diferenças entre o futebol brasileiro e o búlgaro em termos de competitividade. Mas o fator tático é muito mais exigido na Europa.

“A competitividade é semelhante ao Brasil, mas as diferenças são muitas. O futebol aqui é mais dinâmico e exige muito a obediência tática. Mas, graças a Deus, me surpreendi com a minha adaptação e com menos de dois meses, já me sinto totalmente adaptado. Creio que as minhas características facilitaram esse processo”, analisou.

Foto: Divulgação/Assessoria

Como é de se esperar, toda mudança de país traz consigo desafios. Contudo, no caso de Fernando Viana, estes têm sido transpostos com muito êxito. Se o frio, a dificuldade do idioma e a estranheza com relação à comida ainda persistem, o idioma universal do mundo da bola tem sido falado com fluidez; o brasileiro se adaptou rapidamente ao futebol búlgaro e vai encantando seus novos torcedores, com gols e muita determinação.

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog.

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