O Porto se remontou para voltar a brigar pelo título português

  • por Elcio Mendonça
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Foto: Site oficial/FC Porto – Soares caiu como uma luva nos Dragões

Quando o Porto saiu do Restelo com um empate em 0 a 0 com o Belenenses, na 11a rodada, era difícil imaginar que o time de Nuno Espírito Santo teria alguma chance de ainda brigar pelo título. Naquele momento os Dragões sequer se encontravam na zona de classificação para a UEFA Champions League, com um amargo quarto lugar, somando 22 pontos, sete a menos do que o líder Benfica.

13 jogos depois, exceto pela liderança ainda seguir com as Águias, muita coisa mudou. O time azul e branco somou uma incrível série de 12 vitórias e um único empate, que o deixa um ponto atrás dos Encarnados. Mais do que isso, evoluiu como equipe e mostra solidez em todos os setores.

Os números provam a evolução portista na temporada. O time do Norte de Portugal tem a melhor defesa, com apenas 11 gols sofridos em 24 jogos, e o melhor ataque, com 53 tentos. Dos três maiores artilheiros do campeonato, dois são portistas: André Silva, com 15 gols, e Soares, contratado junto ao Vitória de Guimarães na janela de inverno, com 14.

A chegada de Tiquinho, como Soares foi apelidado, é um dos marcos da reconstrução portista. Atacante com faro de gol, mas que sabe se movimentar, o brasileiro de 26 anos balançou as redes sete vezes em cinco partidas. Para efeitos de comparação, é o mesmo número de gols que ele marcou pelo clube anterior, mas em 16 jogos.

Foto: Arte/DPF – O 4-4-2 de Nuno Espírito Santo

Soares trouxe estabilidade ofensiva ao sistema tático de Nuno, baseado em um 4-4-2 com um losango no meio, algo que Diogo Jota não conseguiu. A boa movimentação do avançado compensa a falta de um camisa 10 clássico pensando o jogo no meio campo e ajuda os Dragões a preencherem a parte central do setor de ataque. Algo vital em um time que costumava sofrer com a falta de verticalidade.

Brahimi também é uma grata novidade pós-janela de transferências. Com a Argélia eliminada precocemente da Copa Africana de Nações, o habilidoso ponta voltou mais cedo para Portugal e parece ter se entendido com Espírito Santo. Com boas atuações e dominando a faixa esquerda ofensiva, o africano recuperou seu lugar entre os titulares e novamente tem seu nome especulado para uma possível venda ao término da temporada.

Foto: Reprodução/Esporte Interativo – Sem a bola, o Porto busca a compactação em duas linhas

Se o lado esquerdo é do argelino, quem passou a tomar conta da direita foi André André. De quase negociado ao Hull City, aonde se juntaria ao técnico português Marco Silva, a peça importante no esquema de Nuno, o meia português tem grande papel tático. Com a bola, traz qualidade de passe para as transições ofensivas. Sem ela, bloqueia o corredor da direita, com o time se defendendo em duas linhas de quatro.

Por falar em defesa, Danilo faz uma temporada empolgante. Grande ladrão de bolas e bom de passe, faz por merecer a titularidade na seleção portuguesa. Felipe precisou de pouco tempo para se adaptar ao futebol português e “casou” com Marcano, seu companheiro de zaga. Casillas, por sua vez, vive o melhor momento desde que chegou ao Porto.

Foto: Site oficial/FC Porto – Casillas vive sua melhor fase desde que chegou aos Dragões

A Liga Portuguesa promete ser disputada ponto a ponto entre Porto e Benfica. Uma perseguição que terá seu ápice daqui três rodadas, com o clássico no Estádio da Luz. O futebol agradece…

Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.

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