A dor e o drama de um herói chamado Rio Ferdinand

Todo homem, por mais forte que seja, tem suas fraquezas. E a de Rio Ferdinand, como a da maioria de nós, está dentro de casa. A família é nossa fortaleza e a base de tudo. Quando as coisas desmoronam por lá, todo o resto tende a ir junto. E foi assim com a vida do eterno camisa 5 do Manchester United, conforme contaremos mais adiante.

 

Nem todo herói usa capa. Alguns usam camisas vermelhas e servem ao exército de Manchester. Pelo menos é assim que os torcedores descrevem o seu “Cyborg”. Dentro de campo, Ferdinand foi uma verdadeira fortaleza, vencendo incontáveis batalhas. Porém, é fora das quatro linhas que ele tem enfrentado a maior delas.


Leia mais: O fim da brilhante carreira de Ferdinand


Lutando ferrenhamente contra a depressão e o alcoolismo, o zagueiro tenta se defender dos males espirituais que o assolam desde o falecimento de sua esposa, Rebecca. Para quem está por fora, [1]Em 2013,  ela foi diagnosticada com câncer de mama. Após um primeiro tratamento, em 2015 a doença reapareceu, com uma força e uma agressividade inusitadas: apenas dez semanas depois, Rebecca Ellison morria aos 34 anos de idade, deixando um marido e três filhos destroçados“.  A reviravolta culminou na aposentadoria de Ferdinand dos gramados. Mas, infelizmente, o luto não lhe tirou apenas a vontade de jogar, lhe tirou também a vontade de viver – o ex-atleta chegou a pensar em suicídio.  

Recentemente, em documentário gravado pela BBC, Ferdinand fez questão de contar sua situação publicamente. Não com intuito de mostrar sua fraqueza. Mas, na verdade, visando fazer as pessoas refletirem um pouco mais sobre temas como a depressão e a valorização da família quando se é um profissional de alto escalão.

Ferdinand num dos vários momentos de emoção durante o documentário.

Imagem: BBC

“No início [após a morte de sua mulher] bebia demais. Quando as crianças dormiam, eu descia as escadas e me embebedava, noite após noite”, confessa Ferdinand.

A coragem de se expor e trazer à tona discussão de uma tema dessa importância nos faz compreender o papel social que o esporte, sobretudo o futebol exerce. A depressão é o grande mal do século XXI [2]. E tem cada dia mais tirado a estima de viver das pessoas, quando não tira a própria vida. Ter um atleta do tamanho e peso de Rio Ferdinand promovendo a causa só ressalta ainda mais a ideia de que o futebol é tudo, menos um simples jogo. Nunca foi, nem será só futebol!

 

Um ídolo vai além de um simples atleta, é um personagem que marca nossas vidas. A paixão que sentimos por este esporte e seus ícones transcende as quatro linhas e nos une como uma verdadeira família. Sendo assim, ainda que sejam fatos alheios ao futebol, as dores e lutas dos nossos ídolos também são nossas.  Se nos gramados de Old Trafford, ele tinha Vidić como parceiro fiel, na vida real, ele tinha Rebecca. Não foi fácil perdê-la!

Ferdinand e Rebecca

Imagem: MUTV – Player Of Year

Toda a minha vida eu tentei ser ambicioso em tudo o que fiz. Quando eu era jovem eu queria ser um jogador de futebol, o melhor jogador. Jogar em grandes estádios, ganhando troféus… Mas o que você não para pra pensar é em como construir a melhor casa possível para seus filhos e sua esposa”, disse Ferdinand ao documentário da BBC.

Após muita luta e muita dor, Ferdinand não se entregou e resolveu se dar uma chance de viver. Mais do que isso, de ser feliz! Muito em função dos filhos Tia, Tate e Lorenz, que são o maior motivo de felicidade da sua vida. Nosso xerife se tornou um papai-mamãe dedicado. Que inclusive cozinha e lava roupas – muito bem, segundo ele próprio. Mas a luta continua!

Ferdinand combateu o bom combate, encerrou a carreira e guardou a fé (I Timóteo 4:7).[3]

Ferdinand, Tia, Tate e Lorenz

Imagem: Equilíbrio Informativo

Aos que creem, façam uma prece por Rio Ferdinand. Pedindo para que Deus continue fortalecendo seu espírito. Pois, Ele é o único a quem podemos recorrer em meio a situações assim.  As coisas da vida são realmente imprevisíveis,  um dia temos tudo, no outro, parece que simplesmente não temos mais nada. Numa hora somos fortes, em outra, somos frágeis. Porém, é em meio as fraquezas que encontramos nossa verdadeira força. Nosso mundo cai por terra quando perdemos alguém importante.

Não julguemos a fraqueza dele, mas valorizemos! Pois, se até os dias de hoje a torcida do Manchester United sente falta de um zagueiro como Rio, imagina a falta que Rebecca faz na vida dele. Assim como a base de um time começa com uma defesa sólida, a base da felicidade e força de um homem também começa com uma boa família.

Histórias como a do zagueiro servem para que possamos valorizar mais as coisas que temos. Enquanto ainda as temos. Ame seus pais, seus filhos, fortaleçam sua fé! Valorizem suas esposas, porque no futuro, saudade não será suficiente para trazê-las de volta. E infelizmente o tempo não volta. O que volta é só a vontade de voltar no tempo.

O documentário em epígrafe nos mostra quão frágeis somos perante os problemas que nos cercam. Mas, nos mostra também o quanto podemos ser fortes quando lutamos com perseverança. Rio Ferdinand é para nós um exemplo dentro e fora de campo! Um herói!

E o seu relato merece ser contado e sua atitude de expor o problema merece ser valorizada. #ForçaRio

REFERÊNCIAS:

[1] EL PAÍS, diário esportivo: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/30/deportes/1490880475_018832.html

[2] VIEIRA, Carlos: Depressão, o mal do século XXI, editora Vozes, 2016.

[3] BÍBLIA SAGRADA, versão ACF: https://www.bibliaonline.com.br/acf/2tm/4

Comentários

Filipy é pernambucano, católico apostólico e membro da RCC-PE, tem 22 anos, vive e respira futebol, inclusive já furou encontro com a própria namorada para jogar descalço nos sórdidos gramados sertanejos. É no esporte bretão que o jovem advogado encontra o seu maior refúgio nas tardes negras de domingo. (Colunista - Manchester United Brasil)

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  1. Obrigada Gustavo por compartilhar esse feito.Um grande exemplo,para compreendermos que. Tudo passa, só não passa o amor de Deus por nós. Ele faz o tempo curar tudo. grande beijo.

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