Olho Nele: Viktor Kovalenko, a nova estrela ucraniana

Sempre que pensamos em grandes craques de origem ucraniana, são dois os nomes que nos vêm imediatamente à mente: Oleg Blokhin e Andriy Shevchenko. O primeiro, chegou a ser eleito o melhor jogador europeu em 1975. Enquanto ao segundo coube o mesmo prêmio em 2004. Hoje, quem se apresenta como uma das maiores esperanças de dias de glória para o povo ucraíno é Viktor Kovalenko. Saiba mais sobre o meia de 21 anos, do Shakthar Donetsk.

Início de carreira

Natural da cidade de Kherson, ao sul da Ucrânia e de mais de 300.000 habitantes, Viktor Kovalenko é um jogador que desde muito cedo está em evidência. Tendo chegado ao Shakhtar em 2009, é fruto das categorias de base dos Mineiros. Base que, nos últimos anos, vêm mostrando muita força no cenário europeu. Especialmente na disputa da UEFA Youth League.

Titular do time já na primeira edição do torneio, em 2013/14, Kovalenko começou a chamar a atenção já ali, aos 17 anos. Na ocasião, o Shakhtar dividiu o Grupo A com Real Sociedad, Manchester United e Bayer Leverkusen. Ladeou com equipes tradicionais no cenário europeu, e foi bem.

Foto: Divulgação/Shakhtar.com

A classificação em segundo lugar – atrás da esquadra espanhola – foi importante para a história da equipe. Foram duas vitórias, três empates e apenas uma derrota. Kovalenko foi importantíssimo nessa fase. Atuando como construtor de jogo interior e marcando gols contra Real Sociedad e Bayer Leverkusen.

Na fase seguinte, contudo, o time teve o azar de defrontar o Arsenal. O Shakhtar não resistiu a concorrência de Serge Gnabry, Alex Iwobi e Héctor Bellerín. O melhor viria na temporada seguinte.

Destaque na UEFA Youth Cup 2014/15

Novamente qualificado para a disputa da UYC, o Shakhtar teve um grupo mais fácil do que o da temporada anterior. Dividindo-o com Porto, Athletic Bilbao e BATE Borisov, passeou. Foram quatro vitórias e dois empates. Valendo ressaltar um triunfo expressivo, por 6×0, contra o clube basco. Dessa forma, avançou às fases finais da competição.

Foto: Divulgação/Shakhtar.com

Primeiro, nos pênaltis, eliminou o Olympiacos. Na sequência, partida semifinal. Foi a vez de superar o Anderlecht, reconhecido pela força de sua categoria de base. Mesmo sem desempenhar papel tão ofensivo, coube a Kovalenko conduzir a equipe ao êxito. O clube belga saíra na frente, abrindo o placar aos 55 minutos. Aos 76, porém, o garoto empatou o certame. Aos 80, assistiu Denys Arendoruk, que pôs os ucranianos em vantagem. E, adiante, marcou o terceiro tento do Shakhtar.

Verdadeira atuação de gala:

 

Na final, o título não veio. Mas a afirmação de Kovalenko ficou clara. Contra um time do Chelsea, que alinhou jogadores como Andreas Christensen, Ruben Loftus-Cheek, Charly Musonda, Jeremie Boga, Izzy Brown e Dominic Solanke, o time ucraíno lutou, mas perdeu por 3×2. Novamente, Viktor balançou as redes.

Golden Boot no Mundial Sub-20 2015

Após o excepcional desempenho na UEFA Youth Cup de 2014/15, Kovalenko foi convocado a representar a Seleção Ucraniana no Mundial Sub-20 de 2015, sediado na Nova Zelândia.

 

Na fase inicial, a equipe amarelo-azul ficou com a primeira colocação do Grupo A. Deixando Estados Unidos, Nova Zelândia e o fraquíssimo Myanmar para trás. O garoto do Shakhtar foi brilhante nessas partidas, com dois gols e duas assistências contra o time asiático. E mais três tentos contra a equipe norte-americana. Todavia, na fase seguinte veio eliminação precoce, no azar das disputas penais, contra Senegal (que ficaria com a quarta posição no torneio).

Mesmo que tenha sido curta a trajetória ucraniana na competição, o impressionante desempenho de Kovalenko lhe garantiu o prêmio Golden Boot, entregue ao artilheiro do torneio. O jovem ganhava ali ainda mais holofotes.

Foto: Divulgação/Shakhtar.com

Crise no Shakhtar e afirmação no time

Quando se destacou nas competições de base, o jovem já havia estreado no time profissional do Shakhtar Donetsk. O que aconteceu em 27 de outubro de 2014. Na ocasião, enfrentou o FK Poltava, na Copa da Ucrânia.

No curso da campanha 2014/15, não voltaria a ser muito utilizado. Entrou em campo novamente em apenas três partidas. Naquele momento, a disputa por posições no time titular ainda era cruel. O Shakhtar dispunha de nomes como Fred, Alex Teixeira, Taison, Douglas Costa, Bernard, Wellington Nem e Marlos.

Foto: Divulgação/Shakhtar.com

A despeito disso, a irrupção de uma Guerra Civil na região em que está lotada a cidade Donetsk, tensionou o clima do clube, que deixou de poder atuar em seu estádio após 20 de outubro de 2014. E viu inevitável êxodo se abater, ao final da mencionada temporada. Primeiro, deixaram o clube Douglas Costa, Fernando e Luiz Adriano. A saída do último deslocou Alex Teixeira (que deixaria a equipe na metade da temporada) para função mais ofensiva e abriu vaga no meio-campo. Assim, Kovalenko começou a crescer na equipe, que passou a atuar em Lviv e hoje joga em Kharkiv.

Polivalência ajudou a garantir vaga no time principal

Por ser versátil, atua como meia-central, meia ofensivo e até mesmo aberto pelos dois lados. Em sua primeira temporada verdadeiramente na condição de profissional, disputou 46 partidas, mas marcou apenas quatro gols.

Com o clube passando por período difícil, tendo perdido em 2014/15 a hegemonia construída a partir de 2009/10 (foram cinco títulos nacionais consecutivos), o garoto teve alguma dificuldade para se adaptar ao time, que terminou a campanha de 2015/16 10 pontos atrás do rival Dynamo de Kiev. Seus melhores momentos foram vistos na Europa League, competição da qual seu clube foi semifinalista.

 

É bom que se diga, também, que em boa parte da temporada, o time ucraniano não pôde contar com a presença de Fred, punido em razão de doping, o que deu mais espaço ao jovem. Já trabalhando sob nova direção em 2016/17, com a saída do histórico Mircea Lucescu para o Zenit e a chegada do português Paulo Fonseca, a carreira de alguns jogadores deu uma guinada no clube; Kovalenko foi um deles.

Afirmado como titular e jogando mais próximo do gol adversário, vive ótimo momento. Até a publicação desta matéria, já disputou 31 jogos e marcou dez gols. E o Shakhtar dá passos largos rumo ao título ucraniano. Vale lembrar também que em partida válida pelas semifinais da última edição da Copa da Ucrânia, o Kovalenko se tornou o capitão mais jovem da história do clube, com apenas 20 anos e 87 dias.

Foto: Divulgação/Shakhtar.com

“Viktor Kovalenko será, um dia, o melhor jogador ucraniano”, disse o treinador Paulo Fonseca, ao final de 2016.

Chegada à Seleção Ucraniana

Sempre tendo demonstrado bons predicados técnicos, Kovalenko ganhou sua primeira convocação à Seleção Ucraniana principal em setembro de 2015. Porém, sua estreia só ocorreu em março de 2016, ocasião em que disputou 45 minutos e ajudou seu país a vencer o selecionado do Chipre.

Foto: Divulgação/Shakhtar.com

Desde então, é figurinha frequente nas convocações do técnico Shevchenko (sim, aquele) e tem sido titular. Já disputou dez partidas com a camisa amarela, acumulando cinco vitórias, dois empates e três derrotas. Normalmente, tem atuado como meio-campista ofensivo, tendo a seu lado a estrela dos habilidosos Andriy Yarmolenko e Yevhen Konoplyanka.

Muito em função de seu papel secundário quando representa sua pátria, ainda não marcou gols.

Como joga?

Dito isso, resta-nos explicar como joga esse talentoso e polivalente meio-campista do Shahktar Donetsk. Kovalenko não é um jogador afeito aos dribles. Seu diferencial não é a habilidade, mas a técnica apurada. Com visão de jogo privilegiada, leitura de jogo apurada e capacidade diferencial para organizar a equipe, o garoto vai muito bem quando estrutura o jogo de trás ou mais à frente, ficando um pouco sacrificado quando precisa atuar pelos flancos.

Foto: Divulgação/Shakhtar.com

Outras características importantes que revela são a aptidão para finalizar, aparecer como elemento surpresa e de se aproximar de seus companheiros, sempre se fazendo alternativa para passes e desafogo do jogo do Shakhtar. Pesa contra si, contudo, o fato de que não é muito veloz e nem fisicamente imponente, além de não participar tanto do balanço defensivo da equipe; situações que devem se atenuar com o tempo.

Embora seu contrato com o time do Leste Europeu tenha vigência até o final da temporada 2019/20, o jovem vem sendo nos últimos anos observado com carinho por grandes equipes europeias – nomeadamente pelo Liverpool. A tendência para o futuro imediato é sua permanência no Shakhtar por mais um tempo, mas é difícil não vê-lo em um centro maior que o ucraniano em breve; seu talento e personalidade, nos levam por esse caminho.

Olho Nele!

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog, e no "Bundesliga Brasil".

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