DOENTES PELA EURO2016

 

ESPECIAL

 

Edição e imagens: Pedro Galindo

Para 24 seleções, esta sexta-feira marca o início do último ato de uma caminhada que começou em 2014. Na França, essas nações se reúnem para a disputa da Euro 2016. A competição será aberta pela anfitriã, que enfrenta a Romênia no Stade de France, às 16 horas de Brasília. A partir do dia seguinte, o ritmo passa a ser frenético, com uma média de três partidas por dia até o dia 22, quando se encerra a primeira fase e apenas 16 equipes continuam vivas.

Infelizmente, nesta edição da Euro, a tensão não deve ficar restrita aos gramados. Os franceses recebem o torneio poucos meses depois de sofrer o pior ataque terrorista de sua história, que vitimou dezenas de cidadãos. Suas cicatrizes ainda estão abertas. Por isso, um sofisticado esquema de segurança foi elaborado, no sentido de evitar que problemas do gênero se repitam e provoquem danos ainda maiores, justamente em um momento em que os olhos do mundo estarão voltados ao país.

Ameaças do terror à parte, dentro de campo, a Euro tem tudo para ser a festa de sempre: disputada em alto nível técnico e tático, agrupando os principais craques do Velho Continente e proporcionando partidas emocionantes, sobretudo a partir da fase dos mata-matas. E foi com essa expectativa que o Doentes por Futebol preparou esse material especial sobre os sete times mais fortes da competição: França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Bélgica, Itália e Portugal.

Analisamos a campanha dessas equipes nas Eliminatórias, seus sistemas de jogo, craques, promessas e treinadores. Dissecamos seus pontos fortes e fracos, formações táticas e variações possíveis. E vamos continuar acompanhando o desenrolar do torneio, com atualizações diárias no feed abaixo. Depois de ler sobre todas as seleções, vote: quem leva a taça? E não se esqueça: para saber tudo sobre esse o segundo maior torneio de seleções do mundo, continue seguindo essa página especial do Doentes por Futebol!

 

GRUPO A

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Foto: facebook oficial da seleção francesa

Por Victor Quintas

A França não é tão favorita à conquista de um torneio importante desde o Mundial de 2002, quando era a atual campeã mas passou vergonha na fase de grupos. Este ano, para a Euro, além de jogar em casa, tem um dos times mais fortes de sua história, com jogadores de qualidade em todas as posições.

O trabalho de Didier Deschamps (que foi o capitão na conquista da Copa do Mundo de 1998), além de atuar, obviamente, como técnico da seleção, foi o de devolver respeito ao grupo. Nos últimos anos, o que se tem mais ouvido falar da Seleção Francesa são polêmicas, culminando no problema entre Benzema e Valbuena. Depois de anos duvidosos, mesmo com trabalhos surpreendentes (como o vice mundial em 2006), e jogadores excelentes, como Henry ou Ribéry, a confiança nos Bleus estava baixa.

Assim, excluindo da seleção aqueles jogadores problemáticos, mantendo uma abordagem cadenciada, a França pode voltar a um patamar de respeito e favoritismo.

Foto: fifa.com

Foto: fifa.com

PREPARAÇÃO

Como país sede, não disputou as Eliminatórias para a Euro 2016. Deschamps assumiu o comando depois da Euro de 2012 e disputou a Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Conseguiu levar a França às quartas de final, sendo eliminada pela Alemanha, que viria a ser campeã, em um jogo morno. A partir dali, começou a preparação para o torneio deste ano.

O início do trabalho se teve com a busca para um padrão de jogo, um esquema que favorecesse os jogadores em crescimento do time, tais como Varane, Pogba e Griezmann, transformando-os nas principais referências do time.

Foto: uefa.com

Foto: uefa.com

Enfim, desde a queda na Copa do Mundo, a Seleção Francesa realizou um total de 20 jogos, tendo 14 vitórias, 2 empates e 4 derrotas. Marcou 40 gols e sofreu 20. Uma excelente marca. Olivier Giroud foi o artilheiro deste período, com 8 gols marcados.

TÉCNICO

Didier Deschamps nunca foi um treinador de passar a mão na cabeça de jogador. Tem personalidade forte, é decidido e resoluto. Sempre deixou claro que jogadores que trouxessem problemas seriam excluídos de seu grupo. Assim como era em sua época de volante, continua o sendo ao lado do gramado.

Em sua convocação final, deixou clara sua preferência por atletas que tem confiança. Em muito se assemelha ao treinador do Brasil, Dunga, mas ao contrário de seu colega, tem experiência na função e consegue dar padrão tático e técnico aos seus times.

Foto: uefa.com

Foto: uefa.com

O mais destacado trabalho de Deschamps antes de assumir a seleção foi treinando o Olympique de Marseille, entre os anos de 2009 e 2012. No entanto, antes disso, foi o responsável por levar a Juventus de volta à elite do Campeonato Italiano após o Calciocaos.

O estilo de jogo, galgado no 4-3-3 com pontas, é o mesmo desde a Copa do Mundo. Com qualidade na saída de bola, o setor de meio-camop que a França tem hoje é um dos mais qualificados da competição.

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PONTO FORTE

O meio-campo é, sem dúvida nenhuma, o melhor setor do time. Se em 2014 tinha o “nascimento” de Pogba, agora a França o tem bem mais maduro. O meia é o dono da Juventus, posto que assumiu com responsabilidade. E a qualidade que demonstra no time italiano, leva para os Bleus. É impossível não comparar Paul Pogba com dois outros franceses que também marcaram história e foram ídolos da Velha Senhora. Platini e Zidane foram as referências da seleção francesa em suas respectivas épocas (e vale lembrar que ambos conquistaram uma Eurocopa cada, 1984 e 2000).

Mas não só de Pogba vive a meiúca Francesa. O constante Blaise Matuidi, sinônimo de segurança do Paris Saint-Germain, continua a formar o trio com Pogba. E se no mundial tinha Cabaye, hoje tem a revelação N'Golo Kanté, responsável direto pela sensação Leicester, que dominou o futebol inglês na última temporada. Kanté mal estreou pelos Bleus e já parece dono de uma vaga de titular absoluto do time.

PONTO FRACO

Raphäel Varane, pilar da defesa montada por Deschamps, teve de ser cortado da convocação. O atleta ficou de fora até mesmo da decisão da Champions League, com o Real Madrid. Para seu lugar foi chamado o bom Adil Rami, que deve ser titular ao lado de Laurent Koscielny.

PROBLEMAS

O ego tem sido sempre o maior inimigo da França nos últimos anos. Como citado anteriormente, polêmicas sempre caminharam junto com o grupo. A última envolveu novamente Benzema, dessa vez sobre a sua ausência da convocação final, sobre a qual ele alegou ter ficado de fora por pressão política. Deschamps preferiu não dar ouvidos e não comentou o caso. A bem da verdade que, apesar de craque, Benzema só traria problemas ao grupo, principalmente pelo seu histórico recente. Assim, esse problema está, ao menos por ora, contornado.

EQUIPE

A França deve ser a seleção da Euro que menos tem problema para escalar seu onze titular. Mesmo que não sejam atletas acima da média em todas as posições, são jogadores pelo menos bons e de confiança, que vivem bons momentos em seus clubes.

O time titular deve ser o mesmo que venceu por 3x0 a Escócia no dia 04 de junho, exceto pela entrada de Griezmann no lugar de Coman. Defesa bem postada, com um goleiro de qualidade (Lloris é ainda o capitão), confiança na saída de bola e no apoio dos laterais para municiar o ataque. Payet e Griezmann ajudarão na criação, além de saberem marcar gols. Giroud, antes contestado por conta da ausência de Benzema, o preferido da torcida, mostrou contra a Escócia que pode ser a referência do time. É um atacante que além e ser referência no setor, consegue se movimentar e buscar jogo, se necessário.

Foto: facebook oficial da seleção francesa

Foto: facebook oficial da seleção francesa

O meio-campo, formado por Kanté, Matuidi e Pogba, é excepcional. Capaz de criar jogadas para seus colegas, marcar o time adversário e ainda fazer gols, com chegada pontual ao ataque. Kanté deve ser a segurança, jogando mais recuado, com Pogba um pouco mais adiantado, como mais liberdade para criar.

Quanto aos reservas, há peças de reposição em todos os setores. Jogadores de qualidade muito semelhante aos titulares, podem ainda dar liberdade para mudanças no esquema de jogo e abordagem ao adversário, principalmente com Coman e Martial, dois jovens jogadores de ataque que estão em excelente fase. Ainda conta com Cabaye e Sissoko, atletas de confiança de Deschamps em uma eventualidade.

Assim, a França deve alinhar, em sua estreia: Lloris; Sagna, Rami, Koscielny, Evra; Kanté, Matuidi, Pogba; Payet, Griezmann, Giroud.

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SOBRE A CONVOCAÇÃO

Apesar da torcida pedir Ben Arfa e principalmente Benzema, Deschamps soube escolher bem seus comandados. É notável que os dois estão em excelente forma, sobretudo o primeiro, que ressurgiu para o futebol atuando no pequeno Nice. Mas também sabemos como ambos podem causar problemas, coisa que o treinador está evitando neste elenco (não podemos esquecer que foi este fator também que afastou Nasri da seleção, quando preterido na convocação para a Copa do Mundo).

Alguns bons jogadores foram deixados de fora, como Lacazette e Gameiro. Deschamps preferiu convocar Gignac, que está no futebol mexicano. Os dois que foram deixados na suplência não devem em nada ao convocado, e esta talvez seja a única discordância da lista final para a competição.

OPINIÃO

A França tem grande chance de ser campeã. Está jogando em casa, tem um elenco excelente, com muitos jogadores em boa fase, um treinador qualificado e uma torcida que deseja muito este título. Além disso, seus principais rivais estão enfrentando várias dúvidas ou são eternas promessas. Eu apostaria minhas fichas no time (escutando La Marseillaise).

GRUPO B

Foto: Reprodução/Thefa.com

Foto: Reprodução/Thefa.com

Por Wladimir Dias

Melhor campanha das Eliminatórias para a Euro 2016, a Inglaterra chega à França não como favorita, mas credenciada como uma das potenciais surpresas. Do elenco que fracassou retumbantemente na Copa do Mundo do Brasil, em 2014, aproximadamente metade não mais compõe o English Team.

Os goleiros Joe Hart e Fraser Forster, os zagueiros Gary Cahill e Chris Smalling, os meias James Milner, Jack Wilshere, Jordan Henderson, Adam Lallana e Ross Barkley e os atacantes Wayne Rooney, Daniel Sturridge e Raheem Sterling são os remanescentes. Contrapondo-se a eles, um grande número de garotos despontou, casos de Harry Kane, Eric Dier, Marcus Rashford, Dele Alli e John Stones. A FA manteve Roy Hodgson no comando e vem sendo recompensada com uma ótima e planejada renovação em seu esquadrão.

NENHUM TÍTULO CONTINENTAL

Foto: Reprodução/Thefa.com

Foto: Reprodução/Thefa.com

Embora detenham o título da Copa do Mundo de 1966, os Three Lions nunca conquistaram um torneio continental. Sua melhor participação aconteceu em 1996, quando um time liderado por Paul Gascoigne e Alan Shearer chegou às semifinais e só foi batido pela Alemanha, que viria a ser a campeã.

100% NAS ELIMINATÓRIAS

Dez jogos. Dez vitórias. Esse foi o recorde da Inglaterra nas Eliminatórias para a Euro 2016. Disputando partidas contra Suíça, Eslováquia, Estônia, Lituânia e San Marino, os ingleses anotaram 31 tentos e sofreram apenas três.

O sangue novo trazido por peças com vigor e vontade de crescer revitalizou o escrete inglês, que foi impressionantemente superior a seus adversários. Tudo bem, pode-se dizer que o English Team não foi verdadeiramente testado, tendo na Suíça sua maior antagonista. Mas em momento algum os ingleses passaram dificuldades, vencendo inclusive os helvéticos em seu território, por 2x0. Trabalhando melhor a bola, com mais criatividade que em outros tempos, movimentação e intensidade, o time se credenciou ao posto de surpresa para a Euro.

ELIMINATÓRIAS: CURIOSIDADES E NÚMEROS

- Com 31 gols marcados, a Inglaterra teve o segundo melhor ataque das Eliminatórias, atrás apenas da Polônia, que marcou 33 vezes;

- Com três gols sofridos, os ingleses tiveram a segunda melhor defesa das Eliminatórias, ao lado da Espanha e perdendo somente para a Romênia, que sofreu apenas dois;

- Com 28 gols, o English Team teve o melhor saldo de gols das eliminatórias;

- Wayne Rooney foi o principal artilheiro dos Three Lions, com sete gols, quatro deles de pênalti;

- Danny Welbeck, Wayne Rooney, Raheem Sterling, Harry Kane, Jack Wilshere, Ross Barkley, Theo Walcott, Oxlade-Chamberlain, Phil Jagielka e Andros Townsend marcaram os gols ingleses nas Eliminatórias.

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TÉCNICO

Foto: Reprodução/Thefa.com

Foto: Reprodução/Thefa.com

Roy Hodgson chegou ao English Team após passagem apenas regular pelo West Bromwich e já muito experiente, tendo passado por equipes como Liverpool, Fulham, Udinese, Inter de Milão, além das seleções de Suíça, Emirados Árabes e Finlândia. À época, a FA voltou a apostar em um técnico local, após tentativas frustrantes com Fabio Capello e Sven-Göran Eriksson, entremeadas por uma passagem curta e fraca de Steve McClaren.

Tendo assumido os Three Lions em época de transição, em que a geração de Steven Gerrard e Frank Lampard, envelhecida, dava seus últimos passos e novidades surgiam, coube ao selecionador promover uma dura transição. Embora tenha feito uma Copa do Mundo de 2014 fraquíssima, parando na fase de grupos, e chegando apenas às quartas de finais da Euro 2012, o comandante teve renovada a confiança em seu trabalho e vem entregando grandes frutos.

Além de ter conseguido dar nova vida à equipe sem seus talentosos veteranos, Hodgson conseguiu números extremamente sólidos. Um total de 51 partidas, com 31 vitórias, 12 empates e apenas oito derrotas compõe seu recorde. 70 jogadores foram testados, dando mostra de que seu trabalho vem sendo difícil e que chances têm sido concedidas aos atletas ingleses.

Hoje, o engessamento visto outrora no jogo inglês é cada vez menos percebido. Hodgson fez de Rooney sua grande referência e apostou na vitalidade e talento de jovens como Dele Alli, Eric Dier, Harry Kane e Ross Barkley. Seu trabalho é muito positivo.

PONTO FORTE

Foto: Reprodução/Thefa.com

Foto: Reprodução/Thefa.com

Com muitas opções de qualidade para o setor ofensivo, Hodgson tem alternativas para todo tipo de jogo. Se precisar atuar no contra-ataque, tem meias com ótima qualidade de passe e Jamie Vardy como matador; caso necessite de atacantes mais hábeis, Daniel Sturridge e Wayne Rooney são opções; se quiser um pivô, Harry Kane é o cara. Isso sem falar na criatividade e versatilidade de peças como Jordan Henderson, Jack Wilshere, Ross Barkley e Dele Alli.

Leia também: Kane e Vardy fazem Inglaterra sonhar - e tiram sono de Rooney

PONTO FRACO

Foto: Reprodução/Thefa.com

Foto: Reprodução/Thefa.com

A zaga inglesa é, sem sombra de dúvidas, o ponto que mais precisa de atenção. Prova disso foi a opção de Roy pelo chamado de apenas três zagueiros na convocação, tendo no volante Eric Dier eventual possibilidade para uma necessidade emergencial. John Stones ainda é garoto e a despeito de seu talento não fez boa temporada; Chris Smalling viveu ótimo ano, mas já mostrou em algumas ocasiões falta de segurança; e Gary Cahill vive sempre sob críticas. Assim, um bom desempenho defensivo dos Three Lions dependerá de uma proteção adequada do meio-campo.

EQUIPE

Roy Hodgson fez alterações durante as Eliminatórias. 4-3-3, 4-2-3-1 e 4-3-1-2 foram táticas utilizadas, tudo isso em função do momento de seus jogadores. Com Vardy e Kane em grande forma, projeta-se para a Euro 2016 um 4-3-1-2, com Wayne Rooney na criação, Kane brigando com zagueiros e Vardy flutuando pelas beiradas. Dier é o primeiro volante e a defesa segue a tradicional composição com quatro atletas: dois laterais e dois zagueiros. Ocasionalmente, este modelo poderá ser convertido em 4-3-3, com o ingresso de Sterling.

Time esperado: Hart; Walker, Cahill, Smalling, Rose; Dier, Alli, Milner; Rooney; Vardy e Kane.

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OPINIÃO

Os ingleses empolgaram nas Eliminatórias. Jogaram bem, mostraram diversas alternativas de jogo e foram imbatíveis. Seu grupo na Euro não nos permite imaginar grandes dificuldades. Em termos técnicos, Rússia, País de Gales e Eslováquia estão muito atrás dos ingleses. Além disso, hoje é possível determinar a “cara” do English Team, prova de que Hodgson conseguiu transportar o talento de seus jogadores de suas equipes para a seleção e organizá-lo em termos coletivos.

Em ótima fase em suas carreiras, é esperado que Vardy e Kane continuem se destacando e marcando muitos gols. Outro ponto que permite ao torcedor inglês ficar otimista é o recente retrospecto de seu esquadrão. Desde a Copa de 2014, os ingleses disputaram 21 jogos: 17 vitórias, dois empates e duas derrotas apenas, registrando-se êxitos contra Alemanha, França, Portugal, Turquia e Suíça e perdas apenas para Espanha e Holanda.

O English Team não é favorito, mas uma boa campanha não será surpresa.

A PRIMEIRA FASE

Foto: Reprodução/Thefa.com

Foto: Reprodução/Thefa.com

11/06/2016: Inglaterra x Rússia
16/06/2016: Inglaterra x País de Gales
20/06/2016: Eslováquia x Inglaterra

O primeiro título inglês da Euro é um sonho e o trabalho de preparação para a competição foi extremamente bem feito. O jejum de 50 anos vem desde a Copa de 1966 e incomoda sobremaneira os outrora assoberbados bretões. Será 2016 o ano dos Three Lions?

GRUPO C

Por Raniery Medeiros

Atual campeã mundial, a Alemanha vem como forte candidata ao título na França. Por mais que alguns jogadores tenham ficado de fora da lista final, a safra é muito boa, dando aos seus torcedores a certeza de que a Nationalmannschaft lutará pelo tetracampeonato. Não se pode menosprezar o trabalho de Joachim Löw à frente da seleção, principalmente em torneios de grande porte.

Uma das grandes evidências encontra-se justamente no trabalho que vem sendo realizado desde meados de 2002. É claro que o pensamento de toda equipe vencedora é o de entrar sempre para chegar ao topo. No entanto, ao analisarmos o processo geral, constata-se que, antes de tudo, é necessário cuidar da base, dar suporte e estrutura para o trabalho dos jovens, fortalecer a liga local e criar, aos poucos, as gerações seguintes. Foi assim que eles alcançaram as semifinais (2006 e 2010) e as finais (2002 e 2014) de Mundiais; a final da Euro 2008 e as semifinais na edição anterior. Como esse consistente trabalho segue a todo vapor, é difícil imaginar a Alemanha fora da briga pela copa.

TÍTULOS

A tricampeã europeia venceu seus títulos em 1972 e 1980 como Alemanha Ocidental, e unificada em 1996. O primeiro veio através de uma geração comandada por Beckenbauer. O segundo teve como grande símbolo o atacante Hrubesch, enquanto o herói do terceiro foi, surpreendentemente, Oliver Bierhoff. Em contrapartida, perdeu três finais (1976, 1992 e 2008).

SUFOCO NAS ELIMINATÓRIAS

A tricampeã ficou no grupo D ao lado de Irlanda, Polônia, Escócia, Geórgia e Gibraltar. Em tese, um grupo acessível, sem chances para grandes danos. Joachim Löw sofreu com as lesões de seus principais atletas, bem como com as pancadas da imprensa, que não enxergavam mais o bom futebol praticado no Mundial realizado no Brasil. As derrotas para Polônia (2x0) e Irlanda (1x0) deixaram a torcida preocupada. A classificação só veio na última rodada, na vitória por 2x1 diante da Geórgia. Apesar do sufoco, vaga assegurada com 22 pontos e o 1º lugar.

ELIMINATÓRIAS: NÚMEROS E CURIOSIDADES

- 29 atletas entraram em campo nas dez partidas da equipe;

- Jerôme Boateng foi o único a atuar em todas as partidas;

- Thomas Müller foi o artilheiro da equipe com 9 gols em 9 jogos;

- Além de Müller, sete jogadores balançaram as redes: Kroos, Kruse, Bellarabi, Reus, Götze, Schürrle, Gündoğan;

- O ataque fez 24 gols, mostrando seu poderio ofensivo. Já a defesa, tão elogiada, foi vazada em 9 oportunidades, batendo cabeça em vários momentos.

- Doze atletas disputaram outras Eurocopas;

- Lukas Podolski é o recordista de partidas (127) e gols (48) do elenco que ira à euro.

- Média de idade dos convocados: 25,4.

LISTA-ALEMANHA

TÉCNICO

Joachim Löw é um bom treinador. Fato. Mas também são perceptíveis suas decisões equivocadas – principalmente na formação tática. Por mais que sua síntese de jogo seja controlar as ações pelo meio, o comandante apostou na formação com três zagueiros, não encontrou o camisa nove durante as eliminatórias e, em algumas situações não explicadas, não convocou alguns atletas que poderiam facilmente dar maior qualidade à equipe.

Mesmo diante deste cenário, fez boas apostas em jovens que começaram a ganhar destaque. Uma constatação sobre ele? Não tem medo de apostar em promessas. Outro fator, já confirmado pelo próprio treinador, será o rodízio durante o torneio, já que nem todos os atletas estão 100% quanto ao aspecto físico.

PONTO FORTE

Fala-se muito no sistema ofensivo. Afinal de contas, Thomas Müller nasceu para ser decisivo. No entanto, é o meio de campo quem dita e marca o compasso das ações da equipe. Kroos e Özil são fundamentais para que a bola possa chegar com qualidade ao ataque. Outro aspecto positivo encontra-se na boa saída de bola dos zagueiros.

PONTO FRACO

Hummels e Boateng formam uma das melhores duplas de zaga do futebol mundial. O grande problema encontra-se nas duas laterais, principalmente após a aposentadoria do mito Philipp Lahm. Vários jogadores foram testados, mas poucos de extrema confiança. Jonas Hector parece ter a preferência de Löw na esquerda. Já na direita a situação requer cuidados e, de acordo com o esquema do técnico, zagueiros podem ser improvisados.

PROBLEMAS

Marco Reus e Gündoğan lesionados, Bellarabi cortado, Schmelzer sequer foi chamado. As lesões realmente atormentam a equipe médica da seleção. Para piorar, Mats Hummels ainda se recupera de uma lesão e dificilmente participará do jogo de estreia. Não se sabe ao certo, mas as convocações de Weigl, Can e Kimmich, jogadores que atuam em várias posições, podem estar relacionadas ao módulo defensivo para eventuais necessidades. Outro caso melindroso é o de Bastian Schweinsteiger, que visivelmente não está 100%.

EQUIPE

Assim como ocorreu em 2014, é complicado entender a cabeça de Joachim Löw. O treinador escalou o time, nas Eliminatórias, de acordo com o adversário – na maioria das vezes. Ou seja, há variações até mesmo dentro da partida: 4-2-3-1, 4-3-3, 3-4-3. Linhas compactadas, pressão na saída de bola, recuo de um dos volantes para formar a linha defensiva, contra-ataque rápido e letal.

Provável time: Neuer; Höwedes, Hummels, Boateng, Hector; Kroos, Khedira; Müller, Özil, Draxler; Götze.

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OPINIÃO

Apesar das lesões de importantes jogadores, assim como a ausência de peças fundamentais, é favorita para se classificar em 1º no grupo C: Ucrânia, Irlanda do Norte e Polônia. Dá até para preservar alguns atletas que não estiverem bem fisicamente. Após isso, já no mata-mata, é jogar como costuma fazer em partidas oficiais. Após o vice em 2008 e a semifinal em 2012, bater na trave não é opção, principalmente pelo jejum de 20 anos sem erguer a taça do torneio europeu.

A PRIMEIRA FASE

12/06 - Alemanha x Ucrânia
16/06 - Alemanha x Polônia
21/06 - Irlanda do Norte x Alemanha

Que venha o tetra. Outro feito vislumbrado é o de repetir Espanha e França, que fizeram a dobradinha em sequência: Euro e Mundial. A Alemanha é capaz de repetir tal façanha.

GRUPO D

Foto: sefutbol.com

Foto: sefutbol.com

Por Victor Mendes

Começar uma Copa do Mundo em que defendia um título sendo esmagada por uma impiedosa Holanda por 5 a 1 foi a confirmação que o ciclo de ouro da Seleção entre 2008 a 2012 havia chegado ao fim. Mesmo que a Roja conseguisse a recuperação no jogo seguinte, contra o Chile (o que não aconteceu, já que foi derrotada por 2 a 1 e eliminada precocemente da Copa), o mundo já sabia que o tiki-taka de Casillas, Xavi e Xabi Alonso estava desgastado. A Espanha clamava por renovação.

Não foi exatamente o que aconteceu nos últimos dois anos. Apesar da saída de alguns membros da experiente geração multicampeã, há ainda muitos remanescentes daquela equipe que hegemonizou o futebol europeu e mundial durante quatro anos, e conseguiu o feito inédito de levantar duas Eurocopas em sequência, intercaladas por um Mundial. Jogadores como Piqué, Sergio Ramos, Busquets e Iniesta ainda são os pilares do grupo que, sob o comando de Vicente del Bosque, busca o tetracampeonato continental, que tornaria a Espanha o país com mais títulos do torneio.

HISTÓRICO

Ao lado da Alemanha, a Espanha é a maior vencedora da Eurocopa, com três títulos. Os últimos dois foram conquistados justamente nas últimas duas edições. O feito no Estádio Olímpico de Kiev, há quatro anos, quando goleou a Itália por 4 a 0, deu à Espanha a condição de único país da história da Euro a ganhar duas taças de maneira consecutiva.

O primeiro título veio em 1964. Era somente a segunda edição da Eurocopa e a própria Espanha sediou. Em um Santiago Bernabéu lotado com mais de 80 mil pessoas, a Roja encarou a União Soviética na final. O 1 a 1 no marcador indicava que as penalidades decidiriam a decisão. Porém, o gol de Marcelino Martínez, histórico atacante do Zaragoza, aos 41 minutos do segundo tempo, explodiu Madrid de felicidades: a Espanha era campeã europeia pela primeira vez em sua história - assista.

Cesc Fàbregas, Fernando Torres e Dani Guiza comemoram título da Euro2008 (Foto: Divulgação)

Cesc Fàbregas, Fernando Torres e Dani Guiza comemoram título da Euro2008 (Foto: Divulgação)

Até voltar a sentir o gosto de campeã mais uma vez, a Espanha colecionou decepções. Retornou à final em 1984, quando foi derrotada pela França de Platini. A oportunidade de ouro aconteceu em 2008. Era um elenco jovem, fresco, liderado por Xavi e Casillas, com a volúpia de Iniesta e David Silva, a eficiência de Fernando Torres e David Villa, a experiência de Puyol e a intensidade de Marcos Senna. Depois de uma fase de grupos avassaladora, a Roja se deparou com a Itália nas quartas-de-finais. Ao eliminar a tetra-campeã mundial nos pênaltis, a Espanha conseguiu quebrar o bloqueio mental e emocional que a definia nos grandes jogos. Até hoje, esse duelo contra os italianos é considerado por muitos como o jogo que coloca um "antes e depois" na história do futebol espanhol. Na final em Viena, um gol de Fernando Torres após passe milimétrico de Xavi recolocou a Espanha no topo da Europa depois de 44 anos - assista.

A Espanha chegou à Eurocopa de 2012 com outro status. Já era a seleção mais temida, e os seus jogadores eram os melhores do mundo. Dois anos antes, na África, viveu seu auge ao conquistar o inédito título de Copa do Mundo. Porém, desde a estreia contra a Itália, o time de Del Bosque parecia que iria cambalear uma hora. Não foi o que aconteceu. Mesmo carregando mais dúvidas que certezas, a Espanha mostrou por que havia mudado. Passou por França e Portugal nas quartas e semifinais, respectivamente, e deixou o melhor para o fim. Na decisão contra a Itália de Pirlo e Balotelli, um verdadeiro show de coletividade que espantou o mundo: um 4 a 0 fenomenal, que cravou a geração espanhola como uma das maiores da história do esporte - assista. Foi um torneio de um Iniesta individualmente brilhante, mas também de um apoteótico Xabi Alonso, uma muralha Iker Casillas, um incansável Jordi Alba e de sólidos Sergio Ramos e Gerard Piqué.

ELIMINATÓRIAS: NÚMEROS E CURIOSIDADES

- A Espanha terminou as Eliminatórias como a líder de seu grupo, o C. Em 10 jogos, foram nove vitórias e somente uma derrota, para a Eslováquia na segunda rodada. 27 pontos conquistados ao total;
- A Espanha foi a seleção que mais goleou ao longo da competição: foram quatro jogos vencendo por três ou mais gols de diferença;
- Paco Alcácer, com cinco gols, foi o artilheiro da Roja durante essa fase. O atacante do Valencia, porém, não foi convocado por Del Bosque para a fase final. David Silva foi o líder de assistências, com quatro passes para gol.

LISTA-ESPANHA

TÉCNICO

Depois de uma Copa do Mundo em que foi bastante criticado pela falta de renovação no elenco e no estilo de jogo, Del Bosque ganhou mais chance da RFEF. Campeão do mundo em 2010 e da Eurocopa em 2012, o madrileno, de fato, continua mantendo o mesmo estilo que marcou a Roja nos últimos anos: dominar o jogo a partir da posse de bola, usando-a também para se defender. Individualmente, Del Bosque coloca fé em uma aposta sua: Nolito. O extremo esquerdo, que vem de duas excelentes temporadas com o Celta, ganhou um espaço no onze inicial depois de ótimas exibições nos amistosos pré-Copa. A ideia do bigodudo é que Nolito repita o feito de Villa na Copa de 2010: ser uma fonte de gols da equipe mesmo partindo da ponta do campo.

Foto: sefutbol.com

Don Andrés é a principal referência espanhola na França (Foto: sefutbol.com)

PONTO FORTE

Não tinha como ser outro. O setor formado por Busquets, Fàbregas e Iniesta é o grande diferencial da Roja, que ainda conta com excelentes opções no banco, como Thiago Alcantara e Koke. Além de extremamente dotado no aspecto técnico, o meio-campo espanhol é também bastante rodado - e, principalmente, acostumado a levantar taças, seja por clubes ou pela seleção.

PONTO FRACO

Um dia, Casillas já foi tido como grande porto seguro da defesa da seleção espanhola - aquele com quem todos os torcedores contavam quando tudo parecia perdido. Foi assim desde 2002, quando ele assumiu a meta na Roja para não mais largar. Só que o tempo passou e Iker não é mais aquele goleiro. E como se não bastasse a má fase, a lenda merengue vem convivendo com a concorrência pesada de David de Gea, que lhe faz "sombra". Sua irregularidade pode custar caro à equipe de Del Bosque, que segue com confiança cega em seu camisa um.

EQUIPE

Taticamente, Del Bosque nunca foi tanto de variar a Espanha. Sempre utilizou o 4-3-3 e o 4-2-3-1. Por isso, foi até uma surpresa um 4-2-2-2 bem à brasileira utilizado durante duas partidas nas Eliminatórias. A equipe até se saiu bem com o esquema, ganhando em maior fluidez e dinamismo, e foi o que melhor tirou de Diego Costa. Na França, o módulo tático de Del Bosque será o habitual: 4-3-3, com Busquets, Fàbregas e Iniesta no meio-campo, Nolito e David Silva abertos pelos lados e Morata no comando do ataque. A dupla entre Nolito e Morata deve ser a principal fonte de gols do time.

Nolito é o jogador mais agudo do time, e é nisso que aposta Del Bosque (Foto: sefutbol.com)

Nolito é o jogador mais agudo do time, e é nisso que aposta Del Bosque (Foto: sefutbol.com)

Entre amistosos e jogos oficiais, a caminhada da Espanha para a Eurocopa confirmou dois pontos. Primeiramente, que a Espanha que veremos na França durante o mês de junho será a Espanha de Fàbregas. Atuando de meia interior do eterno 4-3-3 de Vicente Del Bosque, o catalão é sempre o responsável por iniciar e armar o jogo espanhol. As aposentadorias de Xavi e Xabi da seleção nacional deixaram uma lacuna que, na visão do técnico madrilenho, deve ser preenchida por Cesc, que tem correspondido com orgulho o especial papel que recebeu. O meia tem chamado a atenção não só pelo desempenho técnico, mas também pela liderança. Fàbregas fala, grita, dá esporro, comanda as linhas. Está feliz e mostra isso. Com Iniesta e Busquets de companhia, dois jogadores de retenção de bola, Cesc ganha oxigênio extra para construir as jogadas com mais liberdade.

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A outra novidade é que, ao contrário do que aconteceu na edição de 2012, dessa vez, veremos a Roja com um centroavante de ofício. A titularidade parecia nas mãos de Diego Costa, mas os problemas de adaptação somados a má forma física (ato justificado por Del Bosque para não incluir o hispano-brasileiro nem na pré-lista de 40 nomes) deixaram Álvaro Morata livre para assumir a difícil função. Desde que Del Bosque assumiu a Espanha, nenhum centroavante de ofício conseguiu render o esperado na seleção. Móvel e com um estilo destacável fora da área (como podemos comprovar sempre nas grandes noites da Juventus na Liga dos Campeões), Morata ainda casa com o jogo de Nolito, extremo esquerdo vertical que sempre gosta de infiltrar na diagonal. Álvaro, sempre que puder, vai abrir espaços para Nolito penetrar na área adversária.

Provável time titular: Casillas; Juanfran, Piqué, Sergio Ramos, Alba; Busquets, Fàbregas, Iniesta; Silva, Morata, Nolito.

GRUPO E: o mais equilibrado


Por Saimon Mryczcka
A Bélgica se tornou uma fábrica de ótimos jogadores nos últimos anos. Depois de muito tempo sem classificação para Copa do Mundo ou Eurocopa, os belgas voltaram à uma competição internacional em 2014, após terminar de forma invicta as Eliminatórias para o Mundial. A campanha e o bom futebol fizeram com que os olhos do mundo se voltassem para o trabalho de Marc Wilmots, ex-jogador e ídolo do país. O caminho no Brasil foi encerrado com derrota para a Argentina, que viria a ser vice-campeã, nas quartas de final.Apesar do resultado expressivo do país, o desempenho gerou críticas, principalmente à forma de jogar de Wilmots. Mesmo assim, o técnico foi mantido no cargo e recolocou os Diabos Vermelhos na Euro após mais de uma década.
Foto: KBVB.be

Foto: KBVB.be

HISTÓRICO

A Bélgica disputará a Eurocopa pela quinta vez, tendo como maior resultado o vice em 1980 para a Alemanha. A última participação aconteceu em 2000. Com Wilmots como jogador e o país como sede do torneio, os belgas deram vexame e foram eliminados na primeira fase pela Turquia, que seria sensação do mundo dois anos depois na Copa da Coréia e do Japão.

CAMPANHA NAS ELIMINATÓRIAS

A campanha de classificação foi tranquila. Apesar da disputa acirrada pelo primeiro lugar com o País de Gales, os belgas sempre mantiveram distância razoável para a Bósnia, terceira colocada da chave. Foram sete vitórias em dez jogos. A campanha invicta da eliminatória da Copa do Mundo não se repetiu dessa vez, já que a equipe foi derrota por Gales jogando fora de casa.

ELIMINATÓRIAS: NÚMEROS E CURIOSIDADES

- Foram apenas 5 gols sofridos;

- O coletivo chama a atenção: em nenhum dos jogos algum jogador marcou mais de um gol na partida;

- O contestado volante Fellaini foi vice-artilheiro com quatro gols. Empatados com cinco ficaram Hazard e De Bruyne;

- Nenhum jogador de defesa marcou gols nos dez jogos;

LISTA-BELGICA

TÉCNICO

Com 47 anos, Marc Wilmots tem um modesto currículo como treinador. Após parar de jogar em 2003 no Schalke 04, da Alemanha, conseguiu uma vaga como assistente no mesmo clube. A experiência durou uma temporada, até assumir o pequeno Sint-Truiden, único time que ele dirigiu até hoje.

Após três anos como auxiliar na seleção principal, assumiu definitivamente em 2012, no início das Eliminatórias da Copa do Mundo.

PONTO FORTE

O sistema ofensivo chama muito a atenção. Com Eden Hazard em baixa durante quase toda a temporada, quem assumiu o protagonismo foi Kevin De Bruyne. Mesmo de casa nova (trocou o Wolfsburg pelo Manchester City), o meia-atacante não sentiu o peso da camisa em momento algum da temporada. Mertens e Romelu Lukaku completam o quarteto ofensivo. A bola aérea é outro ponto forte: além de Lukaku e Fellaini, os defensores Vertonghen, Vermaelen e Alderweireld são mortais no jogo pelo alto.

PONTO FRACO

A Bélgica joga quase sempre sem laterais de ofício. Isso torna a defesa mais sólida, porém faz também com que perca ofensividade pelos lados. A lesão de Kompany abre espaço para que um lateral de ofício seja utilizado, embora Wilmots relute e pense em escalar Denayer ou Ciman, também zagueiros, na posição.

Jogo aéreo com Lukaku é arma forte dos belgas (Foto: KBVB.be)

Jogo aéreo com Lukaku é arma forte dos belgas (Foto: KBVB.be)

PROBLEMAS

A ausência do capitão Vincent Kompany é o grande problema. Não apenas pela qualidade e experiência do zagueiro, mas também pelo fato da mudança mexer na estrutura do sistema defensivo. Alderweireld ou Vertonghen podem sair da ala para recompor a zaga. Os problemas físicos de Vermaelen também preocupam, tanto que o beque do Barcelona não tem presença garantida na Euro ainda. A preocupação na lateral é tão grande que Witsel chegou a ser testado no amistoso contra a Suíça, mas não agradou.

EQUIPE

A formação mais utilizada nos amistosos tem sido o 4-2-3-1. A vaga na lateral está aberta, embora Wilmots sinalize que deva começar com Denayer na direita e Jordan Lukaku na esquerda. Fellaini e Nainggolan disputam uma vaga no meio de campo, com Dembélé correndo por fora.

Courtois; Denayer, Alderweireld, Vertonghen, Jordan Lukaku (Vermaelen); Witsel, Fellaini (Nainggolan); Mertens, Eden Hazard, De Bruyne; Romelu Lukaku.

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OPINIÃO

Itália e Suécia são os concorrentes diretos pela vaga. O bom momento belga e a decadência da seleção italiana colocam os Diabos Vermelhos como favoritos ao primeiro lugar da chave. Os suecos, liderados por Ibrahimovic, também visam a liderança. O caminho para o mata-mata depende do chaveamento seguinte, mas em termos de elenco, a Bélgica pode almejar uma semifinal ou quem sabe a final.

A PRIMEIRA FASE

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Com os jogadores mais maduros do que na última Copa, a Bélgica precisa provar por que foi a primeira colocada do ranking FIFA dos últimos meses. Em termos de nomes, a qualidade já está provada, mas em campo é que todo mundo aguarda para ver a tal "ótima geração belga".

Por Lucas Martins

A Itália de Antonio Conte não empolga, é simples assim. Apesar do ótimo desempenho defensivo e de alguns raros instantes de brilho com a bola, a Nazionale entra na Eurocopa asfixiada por desconfianças. Sem Verratti e Marchisio por razões médicas, a grande discussão em torno da Azzurra aponta para os esquecidos por Conte. Pois falta qualidade coletiva com a bola e tampouco existem várias individualidades capazes de decidir - quase nada além de Lorenzo Insigne, em breve resumo.

Exemplo disso é que Thiago Motta será o camisa 10 italiano, exibindo a identidade “pesada” dada pelo treinador. A seleção do Belpaese sempre guardará algum favoritismo consigo. Provas de que a Itália pode ser perigosa mesmo em crise existem aos montes. Entretanto, para essa Euro, a maior meta parece ser transpor a fase de grupos

MELHORES CAMPANHAS

É até clichê dizer que a Itália tem chegada e pegada nos maiores torneios, mas é a pura verdade. Em geral, quando a Azzurra avança, é para levantar o caneco ou se aproximar disto. Tanto que a seleção já ficou fora de incontáveis edições da Eurocopa, porém jogou três finais nas oito vezes em que disputou a competição; em 1968, 2000 e 2012. Em uma delas, a mais antiga, uma equipe composta por Dino Zoff, Sandro Mazzola e o capitão Giacinto Facchetti - passando pela semifinal no clássico cara ou coroa - carimbou o primeiro e último título continental azul.

CAMINHO NAS ELIMINATÓRIAS

Devido à bagunça da Croácia, cujo time quase nunca rendeu o tanto que poderia e teve o técnico Niko Kovac saindo ao longo da caminhada, as Eliminatórias foram tranquilas para a Itália. Ou melhor, pela facilidade do grupo, deveriam ter sido. Os resultados passam bem, o selecionado somou 24 pontos em dez jogos, sem perder. A questão em xeque foi o futebol, sobretudo a construção de jogadas.

Foto: FIGC.it

Lenta ao rodar a bola, previsível, forçada, estática, ausente de desequilíbrios individuais - tudo isso resume a ofensiva italiana no período. Em apenas uma oportunidade a Itália anotou três gols. 50% dos jogos (incluindo dois contra a fraca Malta) tiveram um único tento da Squadra Nazionale. Isso não se deu só pelas características do conjunto de Conte, mas também pela falta de boas ideias e/ou execuções.

ELIMINATÓRIAS: NÚMEROS E CURIOSIDADES

- 80% de aproveitamento;
- Com 16 gols, a Itália teve o segundo pior ataque dentre os primeiros colocados;
- Graziano Pellè foi o artilheiro italiano, somando três tentos;
- Dez jogadores diferentes marcaram os 16 gols da Azzurra;
- Candreva, Buffon e Bonucci ficaram fora de apenas um jogo cada.

LISTA-ITALIA

TÉCNICO

Antonio Conte está para disputar sua primeira grande competição com a Itália, o que não impede de ser a derradeira. Fechado com o Chelsea, o comandante começa a pensar no clube londrino assim que o time da Bota encerrar sua participação na Euro. Ou será que não? Esse é um ponto muito comentado na Europa, pois Conte claramente não gostou do ritmo imposto pelo futebol de seleções e já havia decidido sua ida para a Inglaterra no começo do ano. O que se fala é que tal cenário tirou foco e vontade do treinador em relação ao selecionado, transferindo isso para o clube de Roman Abramovich.

VERONA, ITALY - JUNE 06: Head coach Italy Antonio Conte reacts during the international friendly match between Italy and Finland on June 6, 2016 in Verona, Italy. (Photo by Claudio Villa/Getty Images)

Foto: FIGC.it

Na prática o supracitado argumento pode ser facilmente quebrado, mas anunciar sua saída antes do campeonato realmente não chega a ser positivo - resolver durante seria pior, vale dizer. Enfim, é contestado por suas decisões, também na convocação, que Antonio pisa em terras francesas.

PONTO FORTE

Certamente o maior ponto forte azul é o sistema defensivo. A exemplo de outros ciclos, a passagem de Conte pela seleção italiana começa de trás para frente. Principalmente quanto sustenta três zagueiros, o trio juventino Barzagli, Bonucci e Chiellini, a Itália defende de forma sofisticada. Sabe quando pressionar à frente, plantar o time no meio-campo ou recuar verdadeiramente; a equipe gira bem para o lado onde está a bola, às vezes com o ala do flanco oposto subindo para dar superioridade numérica na meia-cancha.

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Foto: FIGC.it

Além disso, todos trabalham, existe atenção geral. Apesar dos números não muito convincentes, é nisso que a trupe de Conte se agarra.

PONTO FRACO

A absoluta fraqueza da Nazionale, em contrapartida, está na criação de oportunidades. A pelota costuma sair extremamente quadrada para os atletas de frente, que acabam sendo obrigados a lutar muito em cada jogada. Boa parte das críticas ao trajeto de Antonio Conte no selecionado nacional passa por aí, pois ofensivamente o conjunto é inócuo. Lento na troca de passes, apenas faz a bola chegar ao ataque via ligação direta ou por alguma rara atitude individual isolada - ainda assim, sem saber ao certo o que está fazendo. Com as ausências de Verratti e Marchisio, tudo piora mais.

PROBLEMAS

Marco Verratti e Claudio Marchisio, lesionados, não irão disputar a Euro. Outro na mesma situação é o goleiro Mattia Perin, cuja vaga entre os 23 era praticamente certa. O milanista Luca Antonelli, presente em chamadas recentes da Azzurra, também está contundido e será ausência; Montolivo, de temporada extremamente questionável, engrossa a lista. Os dois primeiros citados são os que farão mais falta, mudando a cara do meio-campo.

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Foto: FIGC.it

EQUIPE

Conte rodou por 4-3-3, 3-4-3 e 4-4-2 durante o período das Eliminatórias, mas no final das contas deve mesmo é manter o velho 3-5-2 para o início da Eurocopa. De qualquer maneira, tendo, por evidente opção, futebolistas versáteis, o treinador consegue variar o esquema da equipe durante os jogos.

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Equipe que deve iniciar a Euro x time dos não convocados

O 3-5-2 vira 4-4-2 com frequência, o 4-3-3 pode ser transformado em 3-4-3, etc. Ficam os detalhes do time, esses não são tão alterados. Forte trabalho defensivo, pressão no instante em que a redonda é perdida, lentidão nas saídas ao ataque e por aí vai.

Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Candreva, Florenzi, De Rossi, Giaccherini (Thiago Motta), Darmian; Eder (Zaza), Pellè.

OPINIÃO

O grupo italiano (Suécia, Bélgica e Irlanda) não é dos mais fáceis, mas tampouco pode ser considerado o mais complicado. Todavia, se passar pela primeira fase, a Itália já terá cumprido seu papel. Sobre a convocação, Conte abraçou quem já conhecia e simplesmente fechou os olhos para a fase de outros atletas.

"FLORENCE, ITALY - MARCH 21: Jorginho looks on prior to the Italy training session at the club's training ground at Coverciano on March 21, 2016 in Florence, Italy. (Photo by Claudio Villa/Getty Images)"

Jorginho, nascido no Brasil, está fora da Euro (Foto: FIGC.it)

Alguns entre Jorginho, Bonaventura, Nicola Sansone, Rugani, Andrea Belotti e Berardi poderiam ter sido lembrados. Não que os 23 chamados sejam de todo ruim, pelo contrário. Mas nomes como De Rossi, Immobile, Zaza e os arqueiros Marchetti e Sirigu protagonizaram temporadas abaixo da média.

A PRIMEIRA FASE

13/06 - Bélgica x Itália;
17/06 - Itália x Suécia;
22/06 - Itália x Irlanda.

A Itália não possui geração tão completa quanto França, Alemanha ou Espanha. Também não tem jogadores tão decisivos quanto Cristiano Ronaldo, Zlatan Ibrahimovic ou Gareth Bale. É necessário entender que esta equipe italiana carrega limitações, está atrás de certos concorrentes. Porém, assim como em 2012, isso deve servir de incentivo. Pois alcançar o improvável é algo a que a Squadra do Belpaese está acostumada a praticar.

GRUPO F

Foto: FPF.pt

Foto: FPF.pt

Por Levy Guimarães

Os portugueses chegam com ânimo e esperança renovados para a Euro 2016. Apesar do fracasso na Copa do Mundo, há dois anos, Portugal chega com parte de sua equipe oxigenada por uma nova e promissora geração que conta com jogadores técnicos, sobretudo no meio-campo. Isso pode proporcionar, inclusive, um suporte melhor para que Cristiano Ronaldo decida as partidas mais complicadas.

Ainda assim, é equivocado colocar Portugal entre os favoritos ao título. Além de não ter uma camisa tão pesada como as de concorrentes como Alemanha, Itália e França, pode-se dizer que, mesmo às vésperas do torneio, é um time em formação - e continuará sendo após a Euro, independentemente do resultado. Isso porque os lusos vivem um momento de transição entre uma safra e outra, mais talentosa que a anterior, e contam com um trabalho ainda recente do técnico Fernando Santos, que assumiu em setembro de 2014. Mas é nessa mescla de garotos e veteranos que Portugal aposta para ir longe.

HISTÓRICO

A seleção portuguesa já chegou a três semifinais de Eurocopa, e em todas bateu na trave para chegar à decisão. Em 1984, caiu no gol de ouro para a França, por 3x2. Na edição de 2000, nova eliminação no tempo extra contra os franceses, por 2x1. Já em 2012, a derrota veio nos pênaltis, dessa vez para a Espanha. Detalhe: nas três ocasiões, perdeu para a campeã - assim como em 2014, quando chegou à final e foi derrotado pela Grécia.

CAMPANHA NAS ELIMINATÓRIAS

Após passar dificuldades em qualificatórios para os torneios anteriores, Portugal enfim se classificou com folga para a Eurocopa. O começo foi ruim, com uma derrota em casa para a Albânia, que resultou na saída do então técnico Paulo Bento. Porém, com a chegada de Fernando Santos, Portugal só viu vitórias pelas Eliminatórias, terminando com 21 pontos de 24 possíveis no total (uma vantagem de sete sobre a vice-líder do grupo, Albânia).

NÚMEROS E CURIOSIDADES DA CAMPANHA

- Apesar da ótima campanha, todas as sete vitórias de Portugal foram por um gol de diferença;
- Dessas, quatro pelo placar mínimo, 1x0. Duas foram por 2x1 e uma por 3x2;
- Por isso, Portugal foi o ataque menos positivo entre os líderes dos grupos, com 11 gols marcados em 8 jogos. Em compensação, teve uma das melhores defesas, com 5 sofridos;
- Cristiano Ronaldo foi o artilheiro da equipe, com 5 gols marcados em 6 partidas;
- Ricardo Quaresma foi o líder de assistências, com 2


LISTA-PORTUGAL

TÉCNICO

Aos 61 anos, Fernando Santos é um dos técnicos mais experientes do futebol português. Teve como grande momento na carreira o título nacional conquistado pelo Porto em 1998/99, o quinto seguido do clube. Anos depois, também assumiu Sporting e Benfica (sem o mesmo sucesso), tornando-se o primeiro treinador português a comandar os três grandes. Chega à seleção após um bom trabalho na seleção grega, onde alcançou as quartas de final na Euro de 2012 e as oitavas na Copa do Mundo de 2014.

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Foto: FPF.pt

PONTO FORTE

É difícil não apontar Cristiano Ronaldo, um dos melhores do mundo e protagonista de mais uma Liga dos Campeões, como o grande destaque da seleção portuguesa. Seja em um chute de longe, uma arrancada, cabeçada ou cobrança de falta, a qualquer momento pode sair um gol dele. Porém, no meio também se concentra talento: João Moutinho, André Gomes e João Mário possuem muita categoria no passe e boa visão de jogo; William Carvalho e Danilo dão qualidade à saída de bola, enquanto a joia Renato Sanches alia o bom passe à velocidade e explosão física.

PONTO FRACO

Apesar de ter tantos bons meias, é para propor jogo que Portugal encontra dificuldade, um problema antigo da Seleção das Quinas. Quando tem de partir para cima e pressionar equipes mais fracas, não consegue encontrar uma sintonia entre os meias e os pontas, cria pouco e fica muito dependente de Cristiano Ronaldo (vide os placares magros dos jogos das Eliminatórias). A ausência de um centroavante de qualidade também pode custar caro em certos momentos, já que a única opção para a função é o limitado Éder.

Foto: FPF.pt

Contratado pelo Bayern, Renato Sanches é a principal promessa do futebol português (Foto: FPF.pt)

PROBLEMAS

Portugal irá à França sem duas peças importantes de seu elenco. Fábio Coentrão, titular na lateral esquerda e uma das válvulas de escape da equipe pelos lados do campo, está de fora do torneio por lesão. Além dele, o criativo Bernardo Silva, um dos principais meias de ligação da seleção portuguesa, também está machucado. A ausência de Bernardo deve ser mais sentida, pois não há um jogador com as características dele, que se aproxime tão bem dos atacantes, entre os comandados de Fernando Santos.

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EQUIPE

Fernando Santos tem variado a formação entre um 4-3-3 em um 4-4-2 losango nas últimas partidas, trocando inclusive alguns jogadores de posição, como André Gomes e João Mário. Porém, o esquema mais utilizado até aqui, principalmente no qualificatório, foi o com três homens de frente, explorando o talento destes e a velocidade nas transições. Como Éder é reserva, Ronaldo deve exercer uma função próxima à de um falso nove, por vezes trocando de posições com Nani, principalmente.

Rui Patrício; Vieirinha, Ricardo Carvalho, Pepe, Eliseu; Danilo Pereira, João Moutinho, André Gomes; Nani (Quaresma), João Mário, Cristiano Ronaldo.

OPINIÃO

O grupo de Portugal na primeira fase é perfeito para que o escrete vá se encaixando e pegando confiança nos primeiros jogos. Contra Áustria, Islândia e Hungria, tem tudo para terminar em 1º no grupo F. Porém, contra oponentes de peso no mata-mata, alguns fatores podem pesar contra, como a inexperiência de alguns atletas, laterais que têm dificuldade na marcação (sobretudo Eliseu, na esquerda) e a velha "Ronaldodependência". Por isso, um Cristiano inspirado é crucial para o sucesso dos portugueses na Euro, que ainda assim correm por fora na briga para chegar às fases decisivas. Com um Ronaldo comum ou "apenas" bem, é difícil que passe das quartas de final.

A PRIMEIRA FASE

14/06 - Portugal x Islândia
18/06 - Portugal x Áustria
22/06 - Hungria x Portugal

Na década passada, Portugal ressurgiu como uma seleção forte. Agora, a promissora geração de William, Renato Sanches, João Mário, André Gomes e cia se junta a Cristiano Ronaldo no sonho de colocar a seleção lusa entre as grandes. O primeiro passo é logo aqui, na Euro 2016.