12 anos de Messi no Barcelona

  • por Victor Mendes Xavier
  • 6 Anos atrás

O que imaginar de um garoto franzino, mirrado, de apenas 1,40 de altura e com sérios problemas hormonais que sonha em jogar futebol? Que ele será um fracasso no meio futebolístico e nem ao menos irá se tornar profissional, certo? Foi o que imaginaram Newell’ Old Boys, Indepediente e River Plate, que negaram-se a pagar o tratamento do pequeno garoto argentino nascido no subúrbio de Rosário, cidade e município da província de Santa Fé, na Argentina. Na família, ninguém suspeitava de que ali brotava um craque. À exceção da falecida avó. Foi ela quem presenteou o menino com a primeira bola e convenceu o genro do talento do seu filho. O pai não teve escolha: levou o menino para treinar no Grandoli, pequeno clube de seu bairro.

Durou apenas um ano sua aventura no clube. O próximo passo foi a ida para o Newell’s Old Boys, paixão desde sempre. O amor do clube com o jogador, no entanto, não foi recíproco. Os Leprosos viraram as costas ao garoto justamente quando este mais precisava. Ele descobrira que possuia um problema de crescimento. O destino, novamente, e dessa vez ironicamente, acertou. Foi justamente o maior drama da vida do menino que o levou ao clube onde, atualmente, desfila classe e é idolatrado.A profecia que nasceu na Argentina se alastrou à Catalunha. No Barcelona, chegou aos 13 anos. Baixo demais, franzino demais, moleque demais. Acima de tudo, craque demais. Bastou isso para ele cruzar o Atlântico e fazer história. Viajou com seu pai, deixando em Rosário sua mãe e seus irmãos. Há exatos 12 anos, no dia 17 de setembro de 2000, o garoto chegara à Catalunha com o pai, deixando em Rosário a mãe e os irmãos. O Barcelona não quis dar chance ao azar. Carlos Rexach o contratou vendo jogar por instantes. Pois bem, há 12 anos, Lionel Andrés Messi fez seu primeiro teste no clube blaugrana.

“Eu o contratei em 30 segundos! Ele me chamou muita atenção. Em meus 40 anos de futebol, jamais havia visto coisa semelhante. De cinco situações de gol, converteu quatro. E tem uma habilidade excepcional. Me lembrou o melhor Maradona. Seu primeiro contrato eu assinei, simbolicamente, em um guardanapo, queria contratá-lo o quanto antes, não podia deixá-lo escapar.”,disse Rexach, vice-diretor esportivo do clube à época. Como num filme emocionante, a história felizmente teve um final feliz. Hoje, Messi é o melhor jogador do mundo e apontado por muitos como um dos melhores de todos os tempos.

A relação de Messi com a bola sempre foi de amor. A carreira tem felicidades, mas também tem lágrimas, como nas derrotas nas duas Copas disputadas. Mas nunca faltou sentimento. Messi só existe um. Um camisa 10 de 1,69 de altura que exala genialidade a cada partida. Seu namoro com a bola é precoce. Há mais de 20 anos, numa tarde em família, seu pai, ao lado de tios, primos e amigos, preparava-se para disputar uma tradicional pelada. Faltava um. Quis o destino que a criança Messi, com apenas cinco anos, completasse uma das equipes. “Dizem que, assim que eu toquei na bola, todos ficaram surpresos, como se já soubesse do que se tratava isso”, disse em uma entrevista ao Mundo Deportivo em 2006.

Messi nunca está satisfeito. Não lhe satisfaz se, com apenas 25 anos, possui um currículo invejável. São 3 Ligas dos Campeões da Uefa, 5 Campeonatoes Espanhóis, 2 Mundial de Clubes da Fifa, além de Supercopas da Uefa e da Espanha e Copa do Rei. Tem que vir tudo junto. Não lhe satisfaz se, com apenas sete temporadas na carreira, já possui 261 gols e 103 assistências. O maior artilheiro da história do Barcelona é, também, o maior artilheiro de uma única edição do Campeonato Espanhol, com os 50 gols feitos na temporada 2011/2012. Em âmbito europeu, ele também é imparável. Em maio deste ano, obteve a marca de ser o único jogador na história a emplacar quatro artilharias de Liga dos Campeões consecutivas (2009, 2010, 2011 e 2012). A Pulga, seu apelido de infância, faz jus ao “quanto mais, melhor”. O céu é o limite de Messi.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.

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