Apagão cruzeirense

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás

Foto: Reprodução – Celso Roth abatido depois de nova derrota.

Mais uma vez o Cruzeiro sofre com seus próprios erros.

Não é novidade para a torcida celeste ver o time perder jogos que tinha tudo para pontuar ou que pelo menos mostrasse uma exibição melhor do que vem demonstrando. O jogo contra o Sport, no último dia 09, foi exemplo da fragilidade da defesa mais uma vez, que se mostrou incapaz de manter um resultado positivo. Em todo Campeonato Brasileiro o Cruzeiro sofreu com os apagões, quase sempre quando se acreditava que o time poderia beliscar alguns pontos de seus adversários. Inúmeras vezes teve chance de avançar na tabela, mas parou em suas próprias dificuldades.

O torcedor sensato sabe que o time é limitado e fraco em relação aos outros anos, muito prejudicado pela troca da diretoria que ocorreu no ano passado, e que fazer uma campanha superior a do Brasileiro de 2011 já seria uma evolução. No entanto, em certos jogos, sobretudo no inicio do campeonato, o time mostrou uma tendência de que poderia beliscar algo mais, fato apoiado ainda mais pela inconstância de seus adversários.

O esquema usado por Celso Roth, onde priorizava a defesa, parecia dar liga. Inclusive o time ocupou a liderança nesta época, permitindo aos torcedores mais fanáticos a ter alguma esperança em um bom ano. Mas após uma boa sequencia de resultados, acumulando 6 partidas sem derrotas, o time sofreu a primeira queda, em casa para o São Paulo, que vinha mal no campeonato.

O time azul perdeu também os dois jogos seguintes, ambos para os times do Rio Grande do Sul, apresentando um futebol fraco e sem criatividade, parecia que a tática de Roth ia por água a baixo. Mas logo depois pode respirar aliviado. O Cruzeiro teve uma sequencia de 4 bons jogos, tendo 3 vitórias e apenas uma derrota, para o Corinthians em São Paulo, mas fazendo uma partida digna, que poderia ter pendido para qualquer lado. Porém, foram as duas partidas seguintes que acabaram com as esperanças de qualquer torcedor, consolidando o Cruzeiro como uma equipe de “meio-de-tabela”: derrota em casa contra a Ponte Preta e contra o Santos na Vila Belmiro, num momento em que a equipe do litoral paulista contava com vários jogadores da base. Não foi fácil digerir estas derrotas inesperadas, mas o time deu a volta por cima e conseguiu uma vitória contra o Bahia em Salvador e arrancou um empate contra o Fluminense.

Mais uma vez um vexame, sofrendo 4 gols para o Coritiba. Inclusive, ganhando as páginas de todo o Brasil com o belo gol de falta marcado pelo lateral do Coxa. Enfim, o clássico. Time se motivou para o jogo e, no final da partida, erros de arbitragem à parte, conseguiu arrancar um empate heroico, mas não antes de ver Ronaldinho Gaúcho marcar um gol que lembraria seus melhores momentos no Barcelona, e que seria novamente notícia, só que em todo o mundo desta vez.

Indiferente a isso, de astral renovado pelo bom jogo contra o rival, o time celeste conseguiu outras duas vitórias e chance de entrar no G4. Para este feito, bastava vencer em casa, o Botafogo de Seedorf, que também vinha mal no brasileiro. Resultado: após começar vencendo o jogo, sofre um apagão e vê de “camarote” o Holandês fazer uma partida primorosa, que mereceria até mesmo aplausos dos rivais.

É inegável a evolução do time em relação à temporada passada, mas os apagões que a equipe sofre deixam a torcida apreensiva e desgostosa, uma torcida mal acostumada com as boas campanhas do time, sobre tudo na era dos pontos corridos, se classificando para a Libertadores por quatro anos seguidos (e sendo vice campeão em 2010).

Fato é que Roth tem seus méritos na construção deste time, mas as falhas em algumas escalações e mexidas ruins durante o jogo, atrapalham o bom andamento.

Com isso, o Cruzeiro é o terceiro pior passador do campeonato brasileiro, com um aproveitamento em torno de 75%, onde a média dos principais clubes fica acima de 85%. Houve partidas em que a equipe errou 48 passes, mais de 1 a cada 2 minutos. Outro fator que esta inconsistência mostra-se efetiva é no número de faltas, com o time sendo o mais indisciplinado da competição, com média de 23 cometidas por jogo, somando um total de 65 cartões amarelos e 4 vermelhos.

Antes um time conhecido pelo bom toque de bola e distribuição de jogadas, o Cruzeiro atual não passa de um time feio e sem qualidade, dependendo dos lances de Montillo para conseguir alguma coisa neste brasileirão. Só resta a apaixonada torcida cruzeirense esperar que 2013 seja um ano melhor, pois 2012 já pode se dar por encerrado.

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.