As inúmeras contradições de Mano Menezes na Seleção

  • por Tiago Lima Domingos
  • 8 Anos atrás

 

Ontem foi mais um dia de convocação da Seleção Brasileira. E foi dia de mais uma contradição, dentre as inúmeras nesses dois anos e pouquinho de Mano Menezes no Brasil. A volta de Kaká foi bem recebida pela maioria, mas vamos ao que o treinador falou semana passada perguntado sobre o jogador do Real Madrid: “Ele vive um momento difícil, porque a parte mais difícil para um jogador de futebol é ele não poder estar desempenhando aquilo que acredita que seja a sua condição. Pós-Copa do Mundo, ele tem vivido essa dificuldade. Então, você acaba perdendo o parâmetro do jogador quando ele não joga. Ele mesmo perde o parâmetro”. Oras, porque em um prazo de uma semana tudo mudou? Kaká voltou a jogar em Madrid? Não! E aí, entra mais uma vez a contradição de Mano, dentre algumas que relembraremos abaixo.

– Na primeira entrevista coletiva como treinador da Seleção, Mano disse que o time só chegaria pronto na Copa caso enfrentasse as melhores seleções do mundo. Inclusive deixou de fazer um amistoso numa data FIFA, pois não havia encontrado seleção de bom nível para enfrentar. Depois de péssimos resultados contra seleções fortes, a Seleção priorizou amistosos contra seleções medíocres, como África do Sul e China. O próximo “desafio” é contra o Iraque.
– Na mesma coletiva, Mano afirmou que para o Brasil não basta ganhar, pois tem que ser protagonista também. Hoje o Brasil pouco ganha (possui aproveitamento menor que na Era Dunga) e poucas vezes foi tão coadjuvante no cenário mundial.

– No início do seu trabalho, o treinador deu a faixa de capitão para Robinho. O jogador era o que tinha mais experiência na seleção brasileira e havia sido eleito por Mano como responsável por liderar a nova geração. Após a Copa América, Robinho não voltou a jogar pela Seleção.

– Mano insistiu numa birra infantil com Marcelo. Não convocava de forma nenhuma o melhor lateral brasileiro. Era preterido por André Santos. O ex-jogador do Corinthians figurou em todas as convocações, inclusive sendo titular na Copa América. Mas em amistoso contra a Alemanha, em agosto de 2011, o jogador teve pífia atuação, entregando um gol claro aos alemães. Resultado: a imprensa caiu em cima e André, que antes era convocado sempre, nunca mais apareceu em nenhuma convocação. E demorou mais de um ano para Marcelo finalmente ser convocado.

– Na Copa América veio mais uma. Em jogo contra o Paraguai, Jádson entrou como titular. Foi bem, fez gol, mas foi substituído no intervalo da partida. Mano alegou que era motivo de precaução pelo jogador já ter um amarelo. Mas Jádson estava bem e não tinha porque o tirar. O jogador não teve mais oportunidades na seleção inexplicavelmente depois dali e nunca mais voltou, exceção à Copa Rocca, em que só jogadores que atuam no país podem ser chamados.

– Vivendo ótima fase no Flamengo, Ronaldinho foi chamado com a incumbência de dar experiência e comandar a “garotada”. Após atuações pouco convincentes com a amarelinha, Ronaldinho rapidamente deixou de ser convocado (Acontecerá o mesmo com Kaká?). O treinador fala para todo mundo ouvir que quer fazer um trabalho de renovação, mas quando a situação aperta vai correndo atrás de um veterano.

– Fred é mais uma clara contradição. Convocado na Copa América sem estar jogando nada, o jogador do Fluminense não é chamado agora, quando desde o fim do ano passado vive ótima fase.

– Nas Olimpíadas, levou Hulk (não entro no mérito da qualidade do jogador) como um dos acima de 23 anos. Deixando a defesa, ponto fraco reconhecido por todos, com Juan, ainda jovem e de qualidade técnica muito discutível, deixando de fora David Luiz ou Dedé que poderiam ter ido no lugar de Hulk. Aconteceu que na semifinal e final, o paraibano ficou no banco de reservas. Mas pra que levar um jogador acima de 23 anos para deixá-lo no banco, Mano? E a defesa lá atrás sofrendo… Além de barrar o Hulk, o treinador preferiu improvisar Alex Sandro como meia aberto pela direita a colocar Lucas, que é da posição, ou mesmo Ganso.

– Hernanes é outro que sofreu com a birra do treinador. Expulso contra França, ficou um tempo na geladeira. Quando voltou, não vivia o melhor momento na Lazio, e foi escalado em posição que não atua no clube italiano.

Outras pequenas contradições poderiam ser listadas, como convocações de jogadores que foram chamados apenas uma vez, nunca tiveram uma chance e jamais voltaram. Mas a lista foca nas principais, e deve vir mais por aí.

Você concorda? Ou Mano tinha razão?

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.

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