Azulão histórico – 2000

  • por Lucas Sartorelli
  • 8 Anos atrás
Silvio Luiz, Japinha, Daniel, Dininho e César; Esquerdinha, Claudecir, Ailton e Adãozinho; Adhemar e Wagner.Quem acompanha futebol há um certo tempo certamente carrega na memória alguns desses nomes sendo comandados por um treinador chamado Jair Picerni, trajando camisas azuis, formando um time até então desconhecido e surpreendendo pelo desempenho em campo, eliminando gigantes do futebol brasileiro no início da década de 2000. O São Caetano era apenas mais uma equipe pequena do Brasil até participar da extinta Copa João Havelange. Podendo usufruir de uma boa estrutura financeira caucionada pela prefeitura e por patrocinadores, o time entrou na fase final do torneio nacional trazendo na bagagem uma campanha exemplar no então módulo amarelo (que equivalia à 2ª divisão) e que dava direito aos 3 primeiros colocados de subir para o grande mata-mata definitivo.

E o primeiro grande adversário seria o Fluminense.

Domingo de sol, Maracanã lotado com 56 mil pessoas e todo o favoritismo do mundo para a equipe carioca. Esse foi o cenário que o Azulão encontrou no jogo de volta, após empatar na ida por 3×3 em uma partida emocionante disputada no Palestra Itália. Mas somente até começar a partida, visto que todo o imenso barulho se transformou em silêncio absoluto, após Adhemar, em cobrança de falta de muito longe, lançar um petardo cheio de curvas no ângulo do goleiro Murilo. Acabavam ali as pretensões tricolores.

O próximo confronto era paulista, contra o surpreendente Palmeiras, que ao estilo “bom e barato” alcançava as quartas de final da competição. Ambos os jogos seriam no estádio palmeirense.

No primeiro, com menos de 10 minutos de jogo, o São Caetano mostrava a que vinha, abrindo 0x2 e calando grande parte da torcida verde. Após diversas reviravoltas no placar e mais um golaço de falta de Adhemar, confirmando de vez o apelido de “homem-bomba”, a partida terminou com vitória do Azulão por 3×4. Uma semana depois, no mesmo palco, seria a vez do Palmeiras abrir 2×0 no placar. Ainda no primeiro tempo, porém, Serginho descontaria para os visitantes e César, outro que já vinha se destacando por suas atuações, empataria no segundo tempo, dando a classificação mais uma vez para o São Caetano.

O improvável time do ABC chegava às semifinais e teria diante de si o Grêmio, substanciado por estrelas como Paulo Nunes, Zinho e ninguém menos que o garoto revelação Ronaldinho Gaúcho.

Em mais um jogo emocionante e duro, o Azulão confirmava o bom retrospecto em casa vencendo o tricolor gaúcho por 3×2, em São Paulo. No jogo de volta, 40 mil torcedores azuis aguardavam o jogo ansiosamente, esperando a reviravolta gremista em um estádio Olímpico fervilhante. A equipe da casa abriu 1×0 em um gol contra do zagueiro Serginho logo no início, fazendo a torcida enlouquecer. Entretanto, o time paulista se acalmou e, no segundo tempo, em dois pênaltis e um gol de Adhemar, virou o placar para 1×3, contrariando parte da torcida e da imprensa gaúcha, que dava a classificação do Grêmio como certa. Uma nova página na história do futebol brasileiro era escrita.

O acontecimento era real e histórico. A equipe que há pouquíssimo tempo disputava a série A2 do estadual, de apenas 11 anos de vida, garantia um lugar na final do Campeonato Brasileiro e uma vaga para o ano seguinte na famigerada Taça Libertadores.

E o adversário seria ninguém menos que o Vasco de Romário, Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Mauro Galvão e companhia. O confronto prometia, e esperava-se que as surpresas e emoções viessem apenas dentro de campo, o que infelizmente não ocorreu.

Após um bom primeiro jogo, em um Palestra lotado de “novos torcedores”, o Azulão abriu o placar com César em mais uma grande jogada. Poucos minutos depois, porém, Romário encontrou um espaço daqueles que só ele sabia encontrar dentro da área, e empatou o jogo, fazendo vibrar a torcida cruzmaltina que se locomoveu do Rio até São Paulo.

Na segunda partida, em São Januário, quase 33 mil ingressos vendidos prometiam um caldeirão mais que lotado para a grande final. No entanto, sem condições de segurança apropriadas, o estádio de fato superlotou, fazendo uma parte do alambrado cair, causando um grande tumulto com feridos e a consequente paralisação e adiamento do jogo, que estava 0x0, com uma bola na trave do São Caetano e Romário saindo por contusão.

Um novo jogo fora marcado para o Maracanã dias depois, dessa vez terminando com vitória do Vasco por 3×1, sagrando o time da Colina o campeão brasileiro do ano de 2000.

Em pouco tempo, muitos dos jogadores do time, após grandes apresentações, já estariam vendidos para clubes grandes. O próprio clube alçaria voos até maiores alguns anos depois, vencendo um campeonato paulista e chegando a uma final de Libertadores.

Porém, a história começou a ser escrita ali, em 2000, e certamente já está guardada com carinho no baú de acontecimentos que marcaram o futebol brasileiro.

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.

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