Crise dos grandes argentinos e rebaixamento à vista

  • por Mauricio Fernando
  • 8 Anos atrás

O panorama do futebol na Argentina não é nada bom e isso passa muito pelo momento dos grandes clubes. Mal administrados e endividados, as equipes começam a sofrer consequências em campo. Independiente, San Lorenzo e River Plate, três dos quatro maiores clubes do país, passam por uma crise profunda e nada disso está acontecendo à toa. Quer entender? A Doentes por Futebol explica.

Comecemos por aquele que está na situação mais delicada. O Independiente, maior campeão da história da Taça Libertadores (sete conquistas) e terceiro maior campeão argentino com 14 títulos, passa pelo pior momento de sua vida e está seriamente ameaçado de ser rebaixado pela primeira vez em sua história. O rojo não venceu nas primeiras oito rodadas do torneo inicial, com apenas quatro pontos conquistados, é o 18º na atual temporada e último colocado no ranking dos promédios, a média que determina o descenso. Nem a recente chegada do novo treinador Américo Gallego melhorou os resultados no nacional.Ao menos na Copa Sulamericana, o time demonstrou que ainda tem forças. Após eliminar o Boca Juniors – com dois empates, é verdade – veio a vitória sobre o Liverpool por 2 a 1 na última quarta feira, em casa, quebrando um jejum de 150 dias (17 partidas) sem vitória. Porém, mesmo com o triunfo, a torcida pressionou a equipe a vencer a partida deste final de semana frente ao Union, concorrente direto na luta contra o rebaixamento. Resta saber qual será a reação do elenco diante desta pressão.

Pressão que vive o San Lorenzo de Almagro, quarto maior campeão nacional com dez conquistas na era profissional e que, na última década, conquistou as copas Mercosul e Sulamericana. O Ciclón já havia escapado do descenso nas últimas rodadas da temporada passada e, na atual, o objetivo deverá ser o mesmo, já que o clube ocupa a 15ª posição no campeonato e é o 16º no ranking de promédios.

Como se não bastasse o cenário dentro das quatro linhas, fora delas, a situação vai de mal a pior. No intervalo da partida do último final de semana (derrota para o Velez por 2×1) os defensores Palomino e Alvarado se agrediram fisicamente nos vestiários. Palomino acertou uma cabeçada no companheiro, que teve o lábio cortado. Os jogadores foram suspensos e multados pelo acontecimento. E para piorar, o treinador Caruso Lombardi emitiu declarações ofensivas à imprensa nesta semana, insinuando que teria vontade de “atropelar um jornalista e fazê-lo sentir dor”. As declarações obviamente causaram um impacto negativo e a direção do clube resolveu proibir o treinador de falar com a imprensa sem prévia autorização. Caruso prometeu não falar mais, porém a situação está crítica e a soma dos acontecimentos mostra que o clube não aprendeu a lição da última temporada.

Quem parece também não ter aprendido a lição é o River Plate, maior campeão argentino, com 34 conquistas. O clube, que passou por uma situação terrível recentemente e teve de jogar a divisão de acesso na última temporada, vê o fantasma do rebaixamento rondar o clube novamente. Após um início de campeonato promissor, o desempenho caiu, a equipe não vence desde a terceira rodada e com a 14ª posição no campeonato está em penúltimo lugar no ranking dos promédios e estaria sendo rebaixado novamente, se o campeonato terminasse hoje.

Apesar de contar com bons atletas como o promissor Funes Mori e o experiente Trezeguet no plantel, a equipe segue instável, faz muitos gols, mas com a mesma facilidade os sofre. O treinador Matias Almeyda está seriamente ameaçado. A imprensa argentina cita que o principal motivo que o mantém no cargo é o fato da torcida pedir pela volta de Ramon Díaz, ex-técnico e jogador do clube, mas que tem uma péssima relação com o presidente Daniel Passarela. Porém, apesar dos problemas, a equipe parece ter condições de reverter a situação.

Com o rebaixamento do River há duas temporadas e um iminente rebaixamento do Independiente, o Boca Juniors tem tudo para ser o único clube argentino a nunca ter sido rebaixado no nacional. Mas com o panorama crítica apresentado no futebol argentino, nem mesmo os xeneizes podem sossegar.

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21 anos, morador de Maringá-PR. Corintiano de coração, aprendi ainda a ser Liverpool, na Europa. Como Doente por Futebol, acompanho diariamente jogos, jogadores e tudo o que acontece acerca deste apaixonante esporte. Minha função por aqui será de analisar e informar tudo o que rola na América do Sul e no México. Responsável ainda pelas colunas "Craque DPF" e "Futebol na Mídia".

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