O apequenamento do Milan?

  • por Tiago Lima Domingos
  • 8 Anos atrás

 

Cadê tu, Milan?

Ao final da temporada, já era sabido que os maiores nomes da década passada do clube (que ainda lá continuavam) sairiam. Foi assim com Inzaghi, Gattuso, Nesta, Seedorf (principalmente esses quatro). Caberia então aos mais novos liderarem a partir dali um novo Milan, em busca da história que os citados acima conseguiram. E partia de Ibrahimovic e principalmente Thiago Silva a missão de liderar essa nova fase.

Mas foi aí que deu início a um mercado voltado apenas para saldar e controlar dívidas do que no pensamento de um grande clube: títulos. Numa tacada só Thiago e Ibra foram vendidos aos PSG por €63 milhões. A venda dos dois melhores jogadores refletia bem a atual situação do rubro-negro de Milão.As finanças não vão bem e é um reflexo do presidente e dono do clube Silvio Berlusconi. O ex-primeiro ministro da Itália perdeu dinheiro, poder e força política o que se refletiu bem nos negócios de Silvio e no “seu” clube não seria diferente. Hoje, o Milan só contrata jogadores encostados ou com contrato encerrando ou a se encerrar. E foi o retrato dessa janela pra temporada 2012/2013. Chegaram Montolivo (fim de contrato), Bakaye Traoré (fim de contrato), Acerbi (€4 milhões), Gabriel (€500 mil), Bojan (€250 mil pelo empréstimo), Niang (€3 milhões), Zapata (€400 mil euros pelo empréstimo), Muntari (fim de contrato), Constant (empréstimo gratuito), De Jong (€3,5 milhões, contrato se encerraria em 2013) e Pazzini (€7 milhões + Cassano). Não foram gastos nem metade do valor recebido pelas vendas ao PSG.

Como visto acima, há algumas apostas, alguns jogadores de bom nível e muitas incógnitas. O Milan hoje não tem dinheiro pra top-players e a nova filosofia a partir de agora é apostar em jovens (De Sciglio, El Shaarawy…) e formá-los dentro das divisões de base. Um bom pensamento, visto que a Itália sempre fechou os olhos aos garotos e muito da queda, não só do Milan, como do futebol italiano está direcionada ao fato dos grandes clubes não aproveitarem os jovens. Mas era necessário “chegar ao fundo do poço” para fazer isso?

E com isso um dos times de maior torcida aqui no Brasil passa por um período de ser coadjuvante na Europa, território de domínio do Milan sete vezes campeão do continente e o maior ganhador de troféus internacionais do mundo. Berlusconi vive hoje um dos piores momentos de seus 26 anos de presidência e é sempre perguntado de um possível interesse de árabes ou da russa Grazprom na compra de parte das ações do clube. Nunca foi à frente.

E o Milan vai vivendo um período de incerteza, que começou após a conquista da Champions de 2007 e que parecia ter acabado com o Scudetto de 2011, mas o mercado desse ano prova que não. O torcedor terá que esperar mais um pouco para ver o Milan forte como sempre se habituou a ver.

Só como efeito de comparação. Eis o Milan em 2005 e o Milan de hoje, menos de uma década se passou. Tirem suas próprias conclusões:

2005 – Dida, Cafu, Nesta, Stam, Maldini; Gattuso, Pirlo, Seedorf; Kaká; Shevchenko e Inzaghi (Crespo).

2012 – Abbiati; Abate, Mexès, Acerbi, Antonini; Montolivo, De Jong, Nocerino; Boateng; Robinho e Pazzini.

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.

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