Obdulio Varela, “El Negro Jefe”

  • por Lucas Amaral Nunes
  • 8 Anos atrás

 

Por Lucas Amaral Nunes

 

Quando o jornalista Juca Kfouri perguntou ao defensor uruguaio Diego Lugano se alguma vez, na infância, ele brincara de ser Obdulio Varela, os olhos brilharam e se fixaram em nenhum ponto em especial. Passados alguns segundos, os olhos firmes e boca impávida se moveram e uma voz ainda mais sólida retumbou: “De Deus não se brinca”.

O homem era muito mais do que um craque dos gramados. O imponente zagueiro era, acima de tudo, um ídolo, um herói nacional e, para a infelicidade de milhões de brasileiros, uruguaio. Um dos carrascos na histórica final da Copa de 1950, foi exemplo para as crianças de seu país conhecido por suas atitudes corretas e com ideias que quase sempre beneficiavam ao próximo. “Um homem de caráter”, proclamavam os jornais da época.

Em campo, era tido como um dos melhores defensores de sua época. Um líder nato que comandava, da metade anterior do gramado, aos gritos, os demais jogadores das equipes e da Seleção. Contam histórias de que com o sangue fervido entrava, o sangue doava e com o sangue fervido saía. Como dissera Nelson Rodrigues, “Varela não atava as chuteiras com cordões, mas com as veias”.

Apelidado de “El Negro Jefe” ou “Chefe Negro”, em português, disputou as copas de 1950 e 1954, sagrando-se campeão da primeira sob os olhares de mais de 200 mil torcedores que lotavam o Maracanã. Até hoje, é lembrado como um dia fúnebre para o futebol cuja seleção é a mais vitoriosa entre todas. Os companheiros afirmam que Varela foi o grande responsável pela vitória, que a ele devem o espírito imbatível e calor com os quais entraram naquela partida. Seus gritos eram como incentivos à alma.

Obdulio era o símbolo máximo daquela que seria lembrada como uma equipe que tirara do país do futebol a sua primeira taça. Não obstante, ele nunca fora odiado, nem mesmo por brasileiros que guardavam profunda mágoa após a veemente derrota. Tamanho o seu coração, afirmara que, caso jogasse novamente aquela partida, teria feito um gol contra, a fim de consolar a imensa dor dos presentes desolados.

Poucos méritos recebeu após doar-se tanto à pátria uruguaia. Desgostoso com os cartolas que tanto desprezo tinham pelos atletas, faleceu em 1996, pobre, mas ainda ídolo. Hoje expostas no Estádio Centenário, de Montevidéu, as chuteiras e a camisa usadas por Varela naquele jogo são consideradas monumentos nacionais. Desse modo, a imagem de Varela torna-se inextinguível, assim como sua vontade um dia fora.

Obdulio Jacinto Varela

★ 1917 † 1996

Títulos

Copa do Mundo 1950

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Lucas é jornalista desde 2011, mas o fanatismo pelo futebol o acompanha desde o berço. Aficionado por história, jogadores antigos e contemporâneos e causos e contos sobre o mais famoso esporte bretão. Participou de sites como o cruzeiro.org e o fanáticos por futebol. Atualmente atua como editor do futebol mineiro na Doentes por Futebol, onde também é o responsável pela coluna “Lendas do Futebol”.

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