Tequila na caipirinha

  • por Mauricio Fernando
  • 8 Anos atrás

“Jugando como nunca, perder como siempre”. Esta frase se tornou rotina para os adeptos da seleção mexicana, quando esta se deparava com grandes desafios, seja em partidas contra grandes seleções, ou então quando disputava grandes competições. Pois este panorama pode estar mudando.

O selecionado El Tri tem adquirido respeito nos últimos anos devido a bons resultados conquistados perante seleções de maior porte, especialmente contra a seleção brasileira, que tem sofrido nos últimos confrontos. A medalha de ouro olímpica conquistada pelos mexicanos, diante de uma equipe brasileira em que muitos titulares estavam presentes, é prova disso.

Com uma base bem definida, a seleção mexicana conta com muitos jovens jogadores, como o atacante Javier “Chicharito” Hernandez do Manchester United (24 anos) e os meias Andrés Guardado do Valência-ESP (25 anos) e Giovani dos Santos do Mallorca-ESP (23 anos), filho do ex-jogador brasileiro Zizinho. Gio, aliás, esteve na Olimpíada e, além dele, outros cinco jogadores sub-23, campeões em Londres, estiveram presentes na última convocação, prova da baixa média de idade e da renovação mexicana. Destaque para os meias Marco Fabian e Javier Aquino.

Também há espaço para a experiência. O seguro goleiro Jesus Corona (31 anos), o excelente Carlos Salcido (32 anos), que já foi defensor e hoje atua no meio-campo, e o artilheiro e carrasco brasileiro Oribe Peralta (28 anos), também estiveram presentes em Londres. Além deles, o capitão Rafa Márquez (33 anos), ex-Barcelona; o defensor Rodriguez (30 anos) do Sttutgart; e o atacante Aldo De Nigris (29 anos) compõem a ala de “segurança” entre os convocados.

Outro detalhe interessante é a força e estrutura do campeonato local. Na última convocação, 18 dos 23 jogadores chamados atuam em equipes mexicanas. Os clubes do país estão bem estruturados e têm conseguido segurar bons jogadores, apesar do assédio do futebol europeu. Não à toa as equipes têm dominado o cenário da Concacaf.

A seleção também continua trilhando pelo mesmo caminho e deu um passo muito importante rumo à Copa do Mundo de 2014. Com duas vitórias sobre a Costa Rica (2×0 e 1×0), o México se tornou o primeiro classificado ao hexagonal final das eliminatórias da Concacaf. O gol de Chicharito, aos 15 da etapa final, levou a torcida mexicana ao delírio no glorioso estádio Azteca e garantiu esta classificação de forma antecipada, já que restam ainda duas rodadas para o fim da terceira e penúltima fase. Os mexicanos lideram o grupo com a melhor campanha. São 12 pontos em 4 jogos, 100% de aproveitamento.

O trabalho de José Manuel de la Torre no comando técnico tem aparecido e a equipe tem se mostrado bastante segura taticamente. O costumeiro bom toque de bola continua sendo marca da equipe, somando-se ao talento de alguns jogadores mencionados. Com um trio de ataque jovem e promissor (Gio-Barrera-Chicharito), tudo indica que teremos novamente a seleção da terra da tequila (!) no Mundial aqui do Brasil.

Nos últimos cinco mundiais, a seleção mexicana foi eliminada nas oitavas de final, e a expectativa fica por conta de que o desempenho em 2014 supere este recente retrospecto, mas para isso o selecionado terá de superar também o estigma de equipe que atua bem, mas não vence grandes desafios, conforme ilustra a frase que inicia o texto. O trabalho está sendo bem feito até aqui e a esperança de melhores resultados tem fundamento. Só resta aos torcedores aguardarem, pois dias melhores ainda virão.

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21 anos, morador de Maringá-PR. Corintiano de coração, aprendi ainda a ser Liverpool, na Europa. Como Doente por Futebol, acompanho diariamente jogos, jogadores e tudo o que acontece acerca deste apaixonante esporte. Minha função por aqui será de analisar e informar tudo o que rola na América do Sul e no México. Responsável ainda pelas colunas "Craque DPF" e "Futebol na Mídia".

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