A supervalorização dos treinadores brasileiros

  • por Tiago Lima Domingos
  • 8 Anos atrás
Joel Santana, um dos exemplos de treinadores supervalorizados

 

Eles são caros. Alguns deles muito caros. Chegam a receber salários maiores do que de alguns ótimos jogadores do futebol brasileiro. Mas o que me intriga é o porquê desses altos salários. Os nossos treinadores são limitados, muitos até ultrapassados (Joel Santana, por exemplo). Mas sempre dão seu jeito de figurarem em grandes clubes e recebendo salários não condizentes até com o mercado mundial, e, sobretudo europeu, onde estão os melhores treinadores, clubes e futebol do planeta.

Treinadores como Muricy, Felipão, Luxemburgo e alguns outros chegam a receber mais do que treinadores de Milan, Inter, Lazio, Juventus e Roma por exemplo. Curioso, visto que, mesmo em crise, os clubes italianos ainda são mais ricos que os clubes brasileiros. Mas é que, na Europa, os treinadores além de serem melhores (não todos, obviamente) não são frutos dessa valorização irracional que acontece por aqui.A grande parte dos treinadores do Brasil parou no tempo, não acompanhou a evolução do futebol. Não são estudiosos, não vêem jogos de outras equipes, só fazem o básico. Não se reciclam (4-2-3-1? O que é isso? Um número de telefone?). Batem de porta em porta atrás de um emprego aqui e outro acolá. E os clubes muitas vezes entregam na mão desses treinadores a montagem de um elenco para todo um ano. E é aí que está o maior erro. No Brasil, é raro um treinador durar mais que um ano no cargo. Fora isso, a visão limitada dos mesmos acaba estragando qualquer projeto que possa existir. Muitos treinadores são apegados a certos jogadores e não largam mão, não tem visão de mercado fora do Brasil.

Soberano economicamente na América do Sul, o Brasil conseguiria atrair bons jogadores dos vizinhos Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia entre outros. Mas é raro isso acontecer, e quando acontece, muitos dos jogadores são indicados por diretores e não por treinadores, que se apegam a determinados grupos de jogadores e seguem fiéis a eles até encerrarem suas carreiras. Outro ponto são as parcerias entre treinadores e empresários, que não raramente “matam” o clube. Muitos jogadores de qualidade duvidosa chegam aos clubes por empresários iguais ao do treinador.

Um bom exemplo foi a passagem de Vanderlei Luxemburgo pelo Real Madrid. O melhor treinador brasileiro dos últimos tempos (para este que escreve) indicou ao clube espanhol nomes como Maldonado e Edu Dracena. Mostrando bem a limitação de mercado dos nossos técnicos. Com Felipão não foi diferente. Quando chegou ao Chelsea quis apostar apenas em jogadores brasileiros (tentou Robinho e contratou Mineiro) e conhecidos da seleção portuguesa (Deco e Quaresma, por exemplo). Não durou uma temporada inteira.

Poderíamos enumerar outros diversos fatores. Com certeza não acabaria de escrever hoje. Você que me lê nesse momento está pensando nas bobagens que muitos cometeram quando passaram por seus times de coração. Mas a intenção do texto é mostrar e abrir os olhos de quem ainda tenta superestimar os treinadores aqui no país. Claro que muitas vezes eles são injustiçados quando demitidos sumariamente. A culpa, obviamente, não é só deles, mas queremos chamar a atenção para principalmente a péssima visão de mercado dos nossos treinadores e os altos salários, muitos injustificáveis, que eles recebem por aqui. No futebol, quem faz a diferença ainda está dentro de campo, são os jogadores. O técnico é um personagem importante, mas não o principal.

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.

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