Clássicos DPF – Boca x River Libertadores 2000

  • por Mauricio Fernando
  • 6 Anos atrás

Um Superclássico argentino para ficar na história: Libertadores 2000

O “Jogos Clássicos” relembra um dos clássicos mais importantes entre Boca Juniors e River Plate. A partida, realizada em uma La Bombonera lotada no dia 24 de maio de 2000, era a volta das quartas de final da Taça Libertadores da América daquele ano – o River Plate havia vencido a primeira partida por 2×1, gols de Ángel e Saviola para os Milionários e de Riquelme para os Xeneizes. Duas grandes equipes frente a frente que viriam a dominar o cenário argentino naquele ano. O Boca ainda viria a dominar o mundo.

Os donos da casa contavam com jogadores como o goleiro Córdoba, o zagueiro Samuel, o lateral Ibarra, os atacantes Palermo e Delgado, e nada mais, nada menos que Riquelme, na época com apenas 21 anos e já comandando a equipe dentro de campo. Fora de campo o maestro e mentor do Boca era o brilhante Carlos Bianchi. Uma equipe excepcional com um treinador fantástico.

O River Plate também contava com uma excelente equipe, jogadores como o goleiro Bonano, o lateral Placente, e principalmente um inspiradíssimo e qualificado trio de frente formado por Aimar, Saviola e Ángel, davam uma amostra da força do time comandado por Américo Gallego, que já era ídolo do clube pelo que havia feito como jogador.

O primeiro tempo da partida foi bastante equilibrado, com uma chance clara para cada lado. Ángel e Delgado desperdiçaram chances preciosas defendidas por Córdoba e Bonano, respectivamente. Os donos da casa ainda reclamaram de um pênalti em cima de Gustavo Schelotto.

Os gols e uma maior emoção ficaram reservados para o segundo tempo. Riquelme deu seu show à parte. No primeiro gol, o meia fez grande jogada pela meia esquerda e deu um belíssimo lançamento a Delgado, que apenas completou para as redes, contando ainda com uma falha do arqueiro Bonano. O River por pouco não chegou ao empate em seguida com Saviola, Córdoba salvou mais uma vez.

Restando menos de quinze minutos para o fim, aconteceu o que todos queriam e esperavam:o artilheiro Palermo foi chamado. Seria sua volta aos gramados após 6 meses e 14 dias fora devido a uma grave contusão. Ele entrou em campo para fazer parte da história, marcar o terceiro gol, o do tiro de misericórdia. Antes porém, o volante Lombardi foi expulso, facilitando as coisas para os donos da casa. A partir daí foi só pressão Xeneize, no gramado e nas arquibancadas. Delgado quase marcou o segundo, bela defesa de Bonano. Mas não demorou muito a sair o segundo gol. Após bela arrancada pela esquerda, Battaglia foi derrubado por Trotta, pênalti claro que o maestro Riquelme converteu levando a hinchada xeneize ao delírio em uma La Bombonera pulsante. Em seguida, o craque ainda teve tempo de dar um dos dribles mais fantásticos da história do futebol, um calcanhar por baixo das pernas do zagueiro Yepes – sim, o que hoje atua pelo Milan. No fim, já nos acréscimos, veio o sonhado gol de Palermo após outra bela jogada de Battaglia pela esquerda, coroando a excepcional atuação daquele time que iria fazer história. O artilheiro viria a sair carregado de campo, chorando. A emoção tomava conta do estádio que comemorava uma classificação memorável diante de um rival muito forte.

A partir daquela suada classificação, muitos jogadores declararam ter certeza do título, que veio, mas não foi fácil, com vitórias suadas nos confrontos contra América-MEX, nas semifinais, e Palmeiras, em uma polêmica final. O Boca Juniors viria ainda a ser campeão mundial no fim do ano, em outro jogo marcante contra o Real Madrid (vitória por 2×1), mas estes jogos podem vir a ser assunto da coluna num outro dia.

Aquele time ainda viria a conquistar a América do Sul no ano seguinte, e ainda em 2003 sob o comando de Carlos Bianchi. Enfim, um time que encantou o mundo, sendo este jogo tema da presente coluna um dos pontos de partida desta marcante história de glórias do Boca Júniors na década passada. Boca e River ainda viriam a fazer um duelo pelas semifinais da Libertadores de 2004, decidido nos pênaltis, mas o peso histórico não foi o mesmo.

Um jogo pra ficar na história de quem gosta de futebol e de uma boa rivalidade. Viu este jogo e quer relembrar? Não viu? Veja nestes vídeo, gols, grandes momentos, o clima da partida e ainda a emocionante comemoração com o choro de Palermo:


Escalações:

Boca Juniors: Córdoba, Ibarra, Bermudez, Samuel e Arruabarrena; Marchant (Battaglia), Traverso, Gustavo Schelotto, e Riquelme; Delgado (Burdisso) e Moreno (Palermo).

Tec: Carlos Bianchi

River Plate: Bonano, Ramos, Trotta, Yepes e Placente; Lombardi, Berizzo, Zapata e Pablo Aimar; Javier Saviola e Angel.

Tec: Américo Gallego

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21 anos, morador de Maringá-PR. Corintiano de coração, aprendi ainda a ser Liverpool, na Europa. Como Doente por Futebol, acompanho diariamente jogos, jogadores e tudo o que acontece acerca deste apaixonante esporte. Minha função por aqui será de analisar e informar tudo o que rola na América do Sul e no México. Responsável ainda pelas colunas "Craque DPF" e "Futebol na Mídia".