Felicidade: com ou sem dinheiro?

Felicidade: com ou sem dinheiro?

O duelo da tarde de hoje, entre Manchester City e Borussia Dortmund, em Manchester, não só envolve dois dos maiores times da atualidade, como também prova que, no futebol, não é possível determinar uma fórmula exata para o sucesso.

Enquanto o Manchester City, lastreado por um sheik multimilionário que joga Football Manager na vida real – usando Cheat o’Matic –, adota uma política de contratações milionárias, o Dortmund aposta na contratação e na lapidação de jovens talentos, geralmente contratados em transações de baixo custo. Ambos, entretanto, obtiveram sucesso em suas ligas nacionais: os Sky Blues venceram a última edição da Premier League, enquanto o aurinegro alemão é o atual bicampeão da Bundesliga.

Trazendo a discussão para os números, fica ainda mais fácil de notar a discrepância entre os dois clubes: desde que o sheik Mansour bin Zayed al Nahyan assumiu o controle do City, o clube gastou £ 435,5 milhões em reforços que, muitas vezes, foram praticamente dispensados. Exemplos não faltam: o holandês De Jong, hoje no Milan, foi contratado em 2007 por £ 18 milhões e vendido durante a última janela por £ 3 mi; Robinho custou aos cofres do clube £ 32,5 mi, e depois foi vendido também ao Milan por £ 15 mi. Caso ainda mais esdrúxulo é o do paraguaio Roque Santa Cruz, que fez apenas sete partidas oficiais no City. Detalhe: foi comprado por £ 18 milhões. Está sendo emprestado pela terceira temporada consecutiva. Para a atual temporada, o sheik gastou £ 54,5 mi, mesmo não tendo trazido nenhum reforço significativo para o time titular.

Já os ‘Borussen’ vêm colhendo seus frutos com uma política muito mais modesta: o elenco bicampeão nacional foi formado, em boa medida, por apostas em jogadores de clubes menores ou mesmo em atletas da casa, formados nas categorias de base do Dortmund. Do atual time titular, Götze, Schmelzer e Grosskreutz são formados na base do clube; Piszczek, Subotic, Hummels, Kuba e o artilheiro Lewandowski foram verdadeiras barganhas se comparados ao que custam hoje. Vale lembrar ainda de jogadores importantes que já deixaram o aurinegro, como Nuri Sahin, formado no clube e vendido ao Real Madrid e Shinji Kagawa, comprado junto ao Cerezo Osaka por cerca de £ 200 mil e repassado ao Manchester United por £ 17 milhões. Com sua política de contratações e sua rede de olheiros, o Dortmund vem conseguindo, nas últimas temporadas, desbancar os gigantes de seu país, depois de quase ir à falência há alguns anos.

O duelo entre os dois servirá, enfim, para colocar à prova um antigo provérbio popular: o dinheiro traz ou não felicidade?

Por Pedro Galindo e Gregor Vasconcelos.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.

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