O falso nove Fàbregas

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás

Francesc Fàbregas surgiu no Arsenal como um garoto-prodígio cerebral. Capaz de dar excelentes passes longos, curtos e organizar o jogo, o jogador atuava como segundo volante. Antes, nas canteras do Barcelona, ele era o cérebro da famosa geração 87, tida até hoje como a melhor equipe da base blaugrana. Com o passar do tempo, Arséne Wenger, técnico do Arsenal, adiantou Fàbregas a uma nova posição, mas sem que ele perdesse sua principal característica, a de organizador. Em seus últimos anos em Londres, Cesc passou a atuar centralizado na linha de 3 do 4-2-3-1, com Nasri e Walcott abertos pelos flancos.

Na seleção, ele havia atuado dessa maneira na Eurocopa de 2008. Quando Villa se lesionou e ficou fora da final contra a Alemanha, Aragonés abandonou o 4-4-2 para dar vez ao 4-2-3-1, que teve Fàbregas na armação, com Silva aberto à direita, Iniesta aberto à esquerda e Xavi e Marcos Senna na linha de trás. Ao voltar para o Barcelona, o catalão sabia qu

Fàbregas é o falso nove que Vicente Del Bosque tanto tentou achar

e disputar posição com Iniesta e Xavi seria tarefa ingrata. Além disso, na equipe de Guardiola, o terceiro meio-campista (Iniesta) tinha (e ainda tem com Tito Vilanova) a função de acelerar a bola, ao contrário do segundo volante (Xavi), que cadencia mais o jogo. Para não ter que tirar a dupla da equipe titular e nem deixar Cesc no banco, Pep resolveu adiantar ainda mais o canterano, que passou seus sete primeiros meses jogando no ataque ao lado de Messi e Alexis Sánchez. Em algumas partidas, chegou a atuar de falso nove.

Essa proposta de jogo foi levada à seleção. No amistoso de novembro passado contra a Inglaterra, Del Bosque testou Fàbregas pela primeira vez como falso centroavante. Não deu certo. Fàbregas sentiu-se perdido em campo e pouco participou do jogo. Para tentar consertar seu erro, o treinador o inverteu com Silva. A tragédia aumentou. Logicamente, Del Bosque desistiu da opção. Temporariamente. A lesão de Villa e a má fase de Torres o obrigaram a repensar no assunto. Na estreia da Eurocopa contra a Itália, Fàbregas apareceu na criticada posição. O gol que salvou a Fúria da derrota não isentou o técnico madrilenho das críticas, mas ele não abandonou sua, digamos, “filosofia”. Ao final do torneio, Fàbregas não apareceu em momento algum no meio-campo e ainda foi um dos destaques.

Hoje, o barcelonista é um falso nove que caminha para a perfeição que a posição obriga. Durante a Euro, cheguei a comentar que ele era um 12º jogador essencial para uma equipe que estava longe de apresentar o futebol encantador dos últimos anos. No momento, Fàbregas é peça-chave e titular absoluto. É claro que, por ter atacantes confiáveis à disposição, Del Bosque pode variar seu titular; mas, à primeira vista, Cesc está à frente de todos. O treinador já acenou com a possibilidade de utilizá-lo ao lado de Villa, que atua aberto à esquerda, embora seja difícil aparecer os dois num jogo oficial por Iniesta ser o dono da posição.

Contra a Bielorrúsia, Pedro foi o destaque. O canário anotou três gols e assistiu Alba marcar após lindo passe de calcanhar, na vitória por 4×0. Mas Fàbregas merece, novamente, menção honrosa. Ele não marcou, mas deu uma assistência para um dos tentos do atacante culé. Ainda que a qualidade do adversário seja fraca para chegar a uma conclusão definitiva, Cesc caminha para tornar-se um falso centroavante útil. Com liberdade de movimentação, ele participa da incessante troca de passes no meio-campo, cai pelos flancos e chega à área para concluir, como Messi no Barcelona. Há quem diga que, por estar jogando muito bem adiantado, Fàbregas “esqueceu” como atuar no meio-campo. O mal início de temporada em sua posição de origem até dá margem à especulação, mas contra Sevilla, Benfica e o início do segundo contra o Real Madrid joga por água abaixo essa tese. Fàbregas é craque e sabe se adaptar a qualquer função, seja ela meio-campista ou centroavante.

Comentários

Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.