Raymond Kopa, “Napoleão”

  • por Lucas Amaral Nunes
  • 7 Anos atrás

Por Lucas Amaral Nunes

 

Quando se fala em grandes astros franceses, é tão fatal quanto sumário surgir na memória o nome do craque Zinedine Zidane. Obrigando-nos a esforços maiores, nos vêm à mente as talentosas jogadas de Michel Platini ou, ainda mais distante, os treze escores marcados por Just Fontaine em uma única Copa do Mundo. Porém, há outra estrela, não menos genial, pela qual devemos gratidão à França, que nos trouxe aos olhos tamanha genialidade. Seu nome é Raymond Kopa.

A história do menino Kopaszewski, que mais tarde seria só Kopa, inicia-se na pequena Noeux-les-Mines, em 1931. Aos quatorze anos, principia o espinhoso trabalho nas minas de carvão, onde depois perderia um dos dedos em um dos acidentes tão comuns a este tipo de emprego. Apesar do cansaço e das dificuldades respiratórias causadas pelo serviço nas jazidas, não deixava de participar das partidas de futebol entre trabalhadores após o expediente e marcava seus primeiros gols em enfumaçados campos de terra.

O engenho do rapaz era nítido e, ao participar de um concurso que visava revelar novos talentos, foi contratado pelo Angers, clube de menor expressão no país. Lá, permaneceu por dois anos, até ser observado pelo então treinador do Reims, Albert Batteux, considerado pelo próprio Kopa como o grande responsável pelo aproveitamento de suas características futebolísticas.

Batteux observou que os dribles curtos e passes precisos eram pontos fortes do jogador e resolveu recuar o dono da camisa dez, para que jogasse atrás dos atacantes. Ali, semeava algo que desabrocharia como aquela que seria uma posição clássica até os dias atuais, cuja numeração e função refletiria, anos mais tarde, nos compatriotas Platini e Zidane. A finta estreita o livraria da marcação, deixando espaço para a ação solidária e a genialidade dos passes exatos. Eis o motivo dos tantos gols de Fontaine na Copa de 1958.

Mas antes, em 1956, seria o primeiro francês a deixar o país. Tratou-se de uma contratação milionária, que rendeu gritos de “traidor” ao redor da França. O destino, o poderoso Real Madrid, e um um elenco que foi considerado o time do século XX. Lá, faria história ao vencer três Copas dos Campeões da Europa ao lado de legendários jogadores como Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás.

Na seleção, foi titular inconteste durante dez anos, disputando duas Copas do Mundo. Na Suíça, em 1954, os franceses caíram precocemente, ainda na primeira fase. Porém, seria em 1958 que a estrela de Kopa brilharia e seu nome entraria, em definitivo, nos livros de história sobre o mais famoso esporte bretão. Levaria a equipe às semifinais, quando perderiam para o futuro campeão, Brasil, cuja dupla era formada por ninguém menos, com a remissão da rima, que o moleque Pelé e o boêmio Mané. Embora não tenha vencido o torneio (e contra a aceitação de milhares de brasileiros), foi eleito o melhor jogador da competição.

Os anos finais da carreira do astro foram no Reims, onde conquistou o quarto título nacional. Apesar disso, a paixão pelo futebol não o permitiu abandoná-lo até os 70 anos, quando ainda atuava como amador. Hoje, aos 81 anos, encontra-se regularmente com o amigo e artilheiro Just Fontaine. À sombra de sua charmosa residência na Ilha de Córsega, aos mais próximos até hoje confidencia: “o futebol mudou minha vida. Trocar o trabalho nas minas por correr pelos estádios é transformador”.

Raymond Kopaszewski

★ 1931

Títulos

Campeonato Francês (4)

2ª Divisão Francesa

Copa Latina (2)

Campeonato Espanhol (2)

Liga dos Campeões (4)

Pequena Taça do Mundo

Comentários

Lucas é jornalista desde 2011, mas o fanatismo pelo futebol o acompanha desde o berço. Aficionado por história, jogadores antigos e contemporâneos e causos e contos sobre o mais famoso esporte bretão. Participou de sites como o cruzeiro.org e o fanáticos por futebol. Atualmente atua como editor do futebol mineiro na Doentes por Futebol, onde também é o responsável pela coluna “Lendas do Futebol”.

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