Salif Keita: a Pérola Negra do Mali

  • por Rogério Bibiano
  • 6 Anos atrás

A Doentes por Futebol, sempre buscando honrar o seu nome como canal de informação e compromissada com o termo na melhor constituição do mesmo, apresenta a coluna Mama África, uma homenagem ao Futebol Africano, aos seus jogadores e grandes equipes, entre clubes e seleções, que marcaram época, seja no cenário continental, seja no cenário mundial. Resgataremos aqui a memória futebolística africana para os que amam o esporte.
E para dar o pontapé inicial deste projeto, começamos com Salif Keita Traoré, simplesmente conhecido como Salif Keita.

Salif Keita. Bola de Ouro da France Football.

Atacante, nascido em Bamako, Mali, em 08/12/1964, começou nas categorias de base do Stade Malien-MLI, em 1960. Em 1963, com 17 anos, ainda juvenil e com a moral de haver sido o mais jovem jogador convocado para a Seleção Nacional (com 15 anos de idade), transferiu-se para Real Bamako-MLI, onde ficou por duas temporadas, sagrando-se campeão nacional na temporada 1963/64. Em 1965, retornou para o Stade Malien-MLI, conquistando seu segundo título nacional, e, após desentendimentos com os dirigentes do clube, retornou ao Real Bamako-MLI, em 1966, para conquistar seu terceiro título nacional seguido, na temporada 1966/67, escrevendo em definitivo seu nome na história do país. No Real Bamako-MLI, Salif Keita ficou até 1967.

Em novembro de 1967, o jogador chegou clandestinamente à França. Recomendado pelo Doutor Loreal, diretor do Instituto de Oftamologia de Bamako e ex-jogador do Rennes-FRA, Salif Keita chegou ao Saint-Étienne-FRA, e no clube alvi-verde do norte francês teve uma carreira acima do que todos poderiam imaginar, sagrando-se tricampeão francês nas temporadas 1967/68, 1968/69 e 1969/70, conquistou também duas Copas da França, em 1967/68 e 1969/70, entrando para a galeria dos maiores nomes da história do clube, com 125 gols em 149 jogos, além de uma chuteira de prata como vice artilheiro da Europa. Na França, a mídia esportiva passou a chamá-lo de “O Pantera”. Para se ter uma idéia da sua popularidade e carisma junto ao Saint-Étienne, em 1968, o clube adotou uma pantera como mascote acima do símbolo do clube. Em 1970, tornou-se o primeiro africano (não naturalizado) a ganhar a Bola de Ouro da Revista France Football.

Salif Keita. Presidente da Federação de Futebol do Mali.

Em 1972, Salif Keita, saiu do clube para disputar a Copa Africana das Nações (disputada em Camarões), sem haver sido liberado pelos franceses, que consideraram uma falta grave do atacante malinês, que afirmou que o cube e seus interesses não estavam à frente do que ele sentia pela Seleção e pelo seu povo. Ao retornar ao clube, a situação ficou insustentável e Salif Keita transferiu-se para o Olympique de Marseille-FRA, aonde ficou na temporada 1972/73, marcando 10 gols em 18 jogos. o clube mediterrâneo, exigiu que Salif Keita se naturalizasse francês, fato este recusado pelo malinês. Não chegando, ambos os lados a um acordo, Salif Keita transferiu-se para o Valencia-ESP, aonde atuou de 1973 a 1976, jogando 74 jogos, marcando 23 gols e vivendo algumas polêmicas em torno do deplorável tema do racismo, tanto por parte de alguns órgãos da imprensa valenciana, como até mesmo por companheiros espanhóis, dentro do próprio clube.

Em 1976, mudou-se para o Sporting de Lisboa, onde atuou até 1979, num total de 63 jogos e 32 gols, sagrando-se campeão da Taça de Portugal na temporada 1977/78. Em 1979 foi se aventurar no New England Tea Men-EUA, de Boston, onde encerrou a carreira um ano depois, após 39 jogos e 17 gols. 

Nos Estados Unidos, Salif Keita formou-se em administração e, retornando aos seu país, construiu um hotel na capital Bamako e fundou uma fundação filantrópica destinada a ajudar crianças de rua através do estudo e do esporte. Em 2005, foi eleito presidente da Federação Malinesa de Futebol. Sua gestão é considerada um avanço na história futebolística do país, consolidando a Seleção de Mali como uma das principais forças do continente, além de um bom trabalho nas categorias base. Curiosamente Salif Keita disputou somente 13 jogos entre 1963 e 1972 pela Seleção, sendo vice-campeão da Copa Africana das Nações em 1972, que, segundo o próprio, foi a sua única e real tristeza dentro do futebol, não ter conquistado o título da competição.

Salif Keita Traoré, que na França foi “O Pantera” e para o Mundo foi a “Pérola Negra do Mali”, foi um esguio e veloz atacante, que posicionava-se bem e tinha um ótimo arremate de curta e média distância. Ajudou com sua postura engajada, a honrar o nome do futebol africano e fazer com que Mali ficasse conhecida no Mundo.

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Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.

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