CLÁSSICOS DPF – São Paulo 2×3 Palmeiras em 1994

  • por Bráulio Silva
  • 7 Anos atrás

Quando mencionamos o dia 1º de maio de 1994 logo nos vem em mente a morte do piloto Ayrton Senna, acontecida na manhã daquele domingo ensolarado, no circuito de Ímola na Itália.

Na tarde daquele domingo histórico teríamos um mega-clássico. Duelo de dois dos maiores times do começo dos anos 90, um São Paulo x Palmeiras de tirar o fôlego. Vejam bem: O São Paulo nos anos anteriores havia vencido tud

o. Brasileirão (91), Paulista (91-92), Libertadores (92-93), Mundial (92-93) e uma Supercopa (93). Já o Palmeiras, turbinado pela parceria com a Parmalat, tinha como objetivo imitar o rival e conquistar a Libertadores. A parceria até então já tinha rendido ao Palmeiras três títulos (Paulista, Brasileiro e Rio-SP, todos em 93). Uma enormidade se pensarmos que o alvi-verde tinha amargado 17 anos sem conquistas.O jogo em questão valia pelo segundo turno do Paulistão. O Palmeiras já havia conquistado o primeiro turno e liderava o returno com 1 ponto a mais que o tricolor, que tinha dois jogos a menos. O duelo valia a liderança para o São Paulo e a aproximação do título para o Palmeiras.

A rivalidade estava ainda mais em evidência, já que os times estavam envolvidos nas oitavas de final da Libertadores daquele ano. Quatro dias antes desse jogo, eles haviam duelado no Pacaembu e o jogo havia terminado empatado em 0 a 0, com Zetti realizando a maior atuação de sua carreira.

Mais de 60 mil pessoas foram ao estádio. Não existia internet e muito menos pay-per-view. Para acompanhar a um jogo realizado na mesma cidade – e que não fosse decisivo – ou iríamos ao estádio, ou acompanhavamos tudo pelo bom e velho radinho, e a noite esperávamos pelo VT com os melhores momentos. Em tempos de extrema violência, as torcidas deram exemplo e se juntaram pra homenagear o Senna, no minuto de silêncio que naquela tarde foi realizado com o jogo já iniciado.

O Palmeiras sentia a ausência de Edmundo, que havia brigado com o técnico Vanderlei Luxemburgo no duelo anterior. O jogo começou a todo vapor. O Palmeiras tomando as iniciativas e o São Paulo apostando no contra-ataque. E assim surgiu a jogada que inaugurou o placar. Euller avançou pela direita e só foi parado com falta. Na cobrança, Leonardo cruzou e o “Filho do Vento”, sem marcação, só escorou pro gol. A resposta palmeirense veio com Edílson. O “Capetinha”, que substituía Edmundo, aproveitou o bate-rebate e empatou a partida. Ainda no primeiro tempo, o São Paulo voltou a ficar em vantagem. Aos 34 minutos, após boa triangulação, a bola sobrou nos pés de Muller que fuzilou o goleiro Gato Fernandes.

Em vantagem, o time de Telê sempre levava perigo aos palmeirenses nos contra-ataques. E o Palmeiras pouco ameaçava o gol de Zetti. Aos 30 do segundo tempo, Luxemburgo ousou. Tirou o lateral Cláudio para pôr em campo o sempre contestado Maurílio. Gritos de “burro” ecoaram pela parte verde das arquibancadas. E como futebol é sempre imprevisível, no lance seguinte, em seu primeiro toque na bola, Maurílio empatou a partida. Detalhe que, no lance que saiu o empate, o são-paulino Válber agrediu o zagueiro Antônio Carlos com um soco de direita. O palmeirense quebrou o maxilar e essa lesão o afastou da Copa do Mundo.

Quando o empate parecia bom pra todos, aos 38, eis que surge Maurílio novamente. Numa arrancada ele foi derrubado na entrada da área. Com perfeição, Evair bateu a falta no canto esquerdo de Zetti. Gol que decretou a vitória palmeirense e aproximou o alvi-verde do bi-campeonato paulista, que viria em três rodadas com uma vitória sobre o Santo André. Ao tricolor restou o vice-campeonato. Na Libertadores, no jogo de volta disputado após a Copa, o São Paulo levou a melhor… Mas isso é assunto pra outras colunas.

Amanhã teremos outro Choque-Rei. E estaremos na torcida pra que seja tão eletrizante quanto esse de 18 anos atrás.

Ficha técnica:

São Paulo – Zetti; Cafu, Junior Baiano (Nem), Gilmar e André; Valber, Doriva, Leonardo e Palhinha (Juninho); Euller e Muller. Téc: Telê Santana.

Palmeiras – Gato Fernandes; Cláudio (Maurílio), Antônio Carlos, Cleber e Roberto Carlos; Cesar Sampaio, Mazinho, Rincón (Amaral) e Zinho; Edílson e Evair. Téc: Vanderlei Luxemburgo.

Link com os melhores momentos do jogo:

http://www.youtube.com/watch?v=Z9OqQ6dU1E0

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.

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