Uma derrota simbólica

As previsões se confirmam e o Sport naufraga no Brasileirão.

Por Pedro Galindo

O que dizer de um time que, depois de passar o campeonato praticamente inteiro afundado na zona de rebaixamento perde, inapelavelmente, por 5×1 uma partida fora de casa? Talvez, um crítico mais condescendente possa julgar que a derrota tenha sido um pouco injusta, “elástica demais”. O consenso é que, em se tratando de um time sem combatividade, a derrota era de se esperar. Mas nem o mais pessimista dos rubro-negros esperava uma catástrofe de tais proporções. Ainda mais em um jogo que, para o Sport, era de vida ou morte: era a chance de vencer um concorrente direto na briga contra o descenso.

Com tanta coisa em jogo, a motivação deveria estar em alta. Não foi isso que se viu ontem, no Canindé. A apatia já era nítida nos primeiros minutos do jogo, quando o Leão precisou contar com uma defesa fantástica de Magrão e até com o travessão para segurar o zero a zero. Era um jogo de um time só: enquanto o Sport tentava – em vão – conter os avanços adversários, a Portuguesa jogava como se não tivesse ninguém do outro lado. Toques rápidos, jogadas em velocidade, apoio dos alas, chegada dos volantes… o ataque rubro-verde parecia imparável quando, num contra-ataque, Cicinho cruzou com precisão, na cabeça de Hugo, que testou para o chão e abriu o placar: 1×0. Era o melhor dos mundos para o Leão, vindo de Recife com a obrigação da vitória. Mas a alegria não durou muito. Nove minutos depois, Luís Ricardo viu a antecipação de Bruno Mineiro e cruzou, rasteiro, para a finalização certeira do artilheiro da Lusa. Daí em diante, o que se viu foi um verdadeiro massacre: uma Portuguesa em noite de “Barcelusa” contra um Sport apático, inofensivo e aparentemente satisfeito com o empate, tocando bola e tentando segurar o jogo.

Se no primeiro tempo o clube pernambucano conseguiu, a duras penas, manter a igualdade no placar, a síndrome do segundo tempo – que assola o Sport desde o início do Brasileirão – voltou a atacar: logo aos dois minutos, gol de Bruno “Messineiro”, que ainda justificaria as honras do apelido ao fazer o seu terceiro tento no jogo e se consolidar na artilharia do campeonato. Moisés e Rodriguinho ainda completariam o placar que mostrou à fanática torcida do Leão, mais do que qualquer outro no ano, sua dura realidade: a volta à Série B é iminente.

Com 27 pontos conquistados em 28 partidas e o pior ataque do certame, o rubro-negro colhe agora os frutos de uma gestão de futebol desastrosa, que negligenciou a necessidade de reforços – que se tornou gritante com a saída de Marcelinho Paraíba, então o principal jogador do time – durante quase um terço do torneio. O time possui alguns bons valores e, surpreendentemente, alguns destaques individuais, como Magrão, Felipe Azevedo, Hugo e Cicinho, que reencontrou seu bom futebol e vem sendo importante. Mas a ineficiência na hora de finalizar e a fragilidade do sistema defensivo, ocasionada tanto pela qualidade duvidosa de boa parte das peças disponíveis, quanto pela ausência de trabalhos táticos de posicionamento, vêm sendo os calos de um time que ainda não engrenou.

Além disso, a inconstância do time durante as partidas tem sido determinante na terrível campanha: se já fez muitos bons primeiros tempos, conquistando resultados parciais importantes, o Sport em várias dessas ocasiões colocou tudo a perder nas etapas complementares. Com uma campanha vacilante até mesmo dentro de seus domínios, outrora tão temidos, deixou de somar pontos importantes. Hoje, cada um deles faz muita falta ao Sport, que assiste inerte ao momento crescente de seus principais rivais no campeonato.

Ainda faltam dez jogos para o término do campeonato e, seguindo a média das últimas edições do Brasileirão, 45 pontos são suficientes para salvar qualquer time da degola. Para o Leão da Ilha do Retiro, isso se traduz em seis vitórias. Não seria nada do outro mundo para um time competitivo e brioso, o que não é o caso do Sport: absolutamente nada leva a crer que o clube terá forças para escapar da volta à Segundona. Evidentemente, no futebol, o improvável às vezes dá as caras. Mas depois do milagroso acesso do ano passado, é difícil acreditar que a sorte bata duas vezes à porta. Ela não seria tão generosa diante de tanta incompetência.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.

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