115 anos da Velha Senhora

  • por Victor Gandra Quintas
  • 7 Anos atrás

Foto: Agência Getty Images – Jogadores da Juventus com a Taça da Supercopa da Itália de 2012

Sabe aquela velha história em que amigos de um colégio resolvem se unir para jogar futebol? Foi assim, há exatos 115 anos, que um dos gigantes do futebol mundial surgiu. O ano era 1897, em Turim, norte da Itália. O nome surgiu exatamente por ser fundado por jovens estudantes italianos e ingleses que frequentavam o Massimo D’Azeglio Lyceum, por isso Juventus (com “J” mesmo, utilizado no Piemontês e não no Italiano). Acolhera o rosa como oficial por se tratar de uma cor ligeira e divertida, como deveria ser a equipa em campo.

Três anos depois, em 1900, ingressou no Campeonato Italiano, vencendo-o pela primeira vez em 1905. No ano seguinte, por conflitos internos, parte da diretoria sairia e viria a fundar o Torino, hoje o maior rival local da Vecchia Signora (o famoso Derby della Mole).
Neste período o clube passaria por uma situação inusitada, que mudaria uma de suas marcas: encomendando o uniforme na Inglaterra, os kits enviados perderam a coloração rosa na viagem, e o clube passaria a ser Bianconero. No entanto, as riscas pretas e brancas verticais davam, segundo os integrantes do clube, uma aura de força implacável que acabaria por se tornar na nova imagem do clube.

Edoardo Agnelli, proprietário da Fiat, viria a adquirir os direitos sobre o clube em 1923, ano em que se iniciaria o domínio da equipe sobre o futebol italiano, sobretudo na década seguinte, com cinco campeonatos conquistados. Já a época de 1951-52 viria a ser emblemática. O clube de Turim receberia a “Golden Star for Sport Excellence”, já que seria o primeiro clube italiano a atingir a marca de dez scudettos conquistados. Ainda neste ano, Omar Sívori seria o primeiro jogador da Vecchia Signora a vencer o prêmio de Futebolista Europeu do Ano.

Vários foram os grandes craques que estiveram nestas épocas envergando o manto Bianconeri: Giampiero Boniperti, Roberto Bettega, José Altafini e o emblemático zagueiro Gaetano Scirea.

Depois de vários anos, a década de 80 seria marcada pela passagem de Giovanni Trapattoni, conseguindo a segunda estrela dourada (20 scudettos), tendo por quatro anos seguidos o Futebolista Europeu do ano no seu time, Paolo Rossi, em 1982, e Michel Platini em 1983, 1984 e 1985, sendo o recorde até hoje. O francês ainda viria a marcar o gol do primeiro título da equipe da Copa dos Campeões Europeus, em 1984-85, contra o Liverpool, lembrado pela Tragédia de Heysel, em que 39 pessoas (na sua maioria torcedoras da Juventus) foram mortas quando um muro do estádio desabou.

A Juventus voltaria a ser protagonista alguns anos depois, sob o comando de Marcello Lippi, em 1994, conquistando o Campeonato Italiano depois de 10 anos de jejum. Ciro Ferrara, Roberto Baggio, Gianluca Vialli e o jovem Alessandro del Piero foram alguns dos destaques da época. A Vecchia Signora levou ainda a Liga dos Campeões da Europa (antiga Copa do Campeões), desta vez sobre o Ajax, e foi vice-campeã do torneio nas duas temporadas seguintes, ainda com grandes nomes, como Zinédine Zidane, Filippo Inzaghi e Edgar Davids. Depois de passagem breve pela Internazionale, Lippi voltou ao clube trazendo consigo Gianluigi Buffon, David Trezeguet, Pavel Nedved e Lilian Thuram, ídolos de uma nova geração, e assim, na virada do milênio, conquistaria mais 2 schudettos.

Foi então que a bela história da Juventus teve uma mancha negra, com o “Calciocaos”, escândalo do qual viria a ser protagonista, perdendo os títulos conquistados em 2005 e 2006, sendo rebaixada à serie B e com alguns grandes nomes saindo clube, como Paolo Cannavaro, Patrick Vieira e Zlatan Ibrahimovic. Subiu na temporada seguinte, 2006-07, conquistando uma vaga para a Liga dos Campeões, surpreendendo muita gente. Salienta-se a permanência de grandes ídolos no clube mesmo nesta fase difícil, como Buffon, Nedved, Del Piero e Trezeguet. Outro fato importante para a época foi o retorno do clube para as mãos da família Agnelli, tendo como presidente Andrea Agnelli, ajudando a recuperar a confiança e o valor da instituição, fortalecido com a construção do estádio próprio, a Arena Juventus, motivo de orgulho para a apaixonada torcida.

A Juventus amargou seis anos difíceis, ficando em posições abaixo de seu status, até obter no êxito com a chegada de Antonio Conte ao comando técnico, sendo campeã de forma invicta na temporada 2011-12 e estando, até completar esses 115 anos, sem qualquer derrota desde então no Campeonato Italiano.

Ainda como fatos relevantes, segundo pesquisa de 2011, o time possui a maior torcida da Itália (executada pela Demos & Pi), e foi o primeiro clube (seguido por Ajax e Bayern de Munique) a ter vencido os três troféus europeus de clubes, além de ser a única equipe no mundo a ter ganho todos os campeonatos internacionais oficiais.

“Eles são fortes, mas nós somos a Juve”! (Lilian Thuram, ex-lateral-direito da Juventus e Seleção Francesa)

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).

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  1. Sou torcedor da Juventus desde 1993 quando vi a juve ser campeã da copa da uefa.São mais de 20 anos de amor e satisfação.

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