2001 – Campeão por quatro minutos

Foto: Kicker - O elenco do Schalke não acreditou na perda do título

Foto: Kicker – O elenco do Schalke não acreditou na perda do título

Dentre todos os vexames do Schalke 04, o protagonizado na temporada 2000/2001 foi, de forma disparada, o mais vergonhoso para o clube e, principalmente, para o torcedor.

A história da pipocada azul real naquele ano começou na penúltima rodada. Liderando o campeonato e com saldo de gols melhor que o do Bayern, vice-líder, o Schalke tropeçou diante do Stuttgart, que lutava contra o rebaixamento. O 1×0 conquistado pelos Suábios (gol de Balakov, aos 45 minutos do 2º tempo) não só os livrou do rebaixamento como tirou a liderança do time de Gelsenkirchen. Isso porque os bávaros venceram o Kaiserslautern por 2×1 e tomaram a ponta (curiosamente, o gol da vitória do Bayern, anotado por Zickler, também saiu aos 45 minutos do 2º tempo).

Na rodada derradeira, a fórmula para o Schalke superar o Bayern e ficar com a Salva de Prata pela primeira vez era simples: vitória em casa sobre o Unterhaching, time que ocupava a primeira colocação dentro da zona de rebaixamento e que precisava dos três pontos para evitar a queda, e torcer para que os bávaros tropeçassem fora de casa diante do Hamburgo, que estava de férias na temporada.

Ambos tinham jogos difíceis, mas o duelo do Bayern era o mais complicado, não só por ser longe de seus domínios, mas por ser contra um adversário que nutre uma rivalidade consigo. Ou seja, para a equipe do norte era questão de honra evitar o título bávaro no Volksparkstadion.

Porém, quem passou sufoco foi o time azul real. Com 26 minutos de jogo, o placar do antigo Parkstadion apontava 2×0 para o Unterhaching. O Schalke buscou o empate ainda na etapa inicial, mas voltou a ficar atrás do marcador aos 19 minutos do período complementar.

Eis que surgiu Jörg Böhme. O meio-campista já havia feito oito gols na temporada e os Azuis Reais não tinham perdido nenhuma partida quando ele balançara as redes. Em dois minutos Böhme fez dois gols, virou a partida e deu a certeza a todos que o jogo estava ganho.

Quase simultâneo ao quinto tento do Schalke, anotado por Ebbe Sand na última bola do jogo, veio o lance divisor de águas da competição. Os hamburgueses estavam em cima do Bayern quando, após cruzamento da esquerda, Barbarez se antecipou a marcação e cabeceou para o fundo das redes.

Já estávamos nos acréscimos e só um milagre salvaria o Bayern. Aparentemente, poucos no Schalke acreditavam nisso. Rudi Assauer, histórico manager do clube, se segurou por alguns minutos. Enquanto os atletas se abraçavam e comemoravam no gramado, ele, junto com o técnico Hubb Stevens, pedia calma, já que a partida não havia acabado no norte. Porém, o dirigente explodiu e, repentinamente, passou a comemorar enlouquecidamente, o que instigou a torcida a invadir o campo para vibrar pelo “título”.

Mas o jogo não havia acabado em Hamburgo e os Deuses do Futebol (ou Fussballgott em alemão) não estavam para brincadeira. Na última bola da partida, o zagueiro tcheco Ujfalusi deu um carrinho para trás e, ingenuamente, o goleiro Schober pegou a bola com a mão. Não restou nada a Markus Merk a não ser marcar o tiro livre indireto na grande área hamburguesa.

Como azar pouco é bobagem ao longo da história do Schalke, Patrik Andersson cobrou com força e fez o gol do título bávaro, jogando uma ducha de água absurdamente gelada em todos que vibravam em Gelsenkirchen.

Curiosamente, Schober, que pegara a bola com a mão no lance que deu a Salva de Prata ao Bayern, já havia jogado no Schalke e retornou ao clube anos depois.

O Schalke foi campeão alemão por exatos quatro minutos. Esse episódio é conhecido até hoje como “4 Minuten im Mai” (4 minutos em Maio) e já foi tema até mesmo de um curta-metragem. Quem sabe se virar na língua alemã, vale pesquisar no YouTube e assistir. Mas para quem, como eu, ainda apanha um pouco do citado idioma, vale assistir a um resumo do que foi a rodada 34 da Bundesliga 2000/2001.

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Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.