A redenção de R10

  • por Victor Gandra Quintas
  • 8 Anos atrás

Foto: Alterosa Esporte – Ronaldo com a camisa do Galo. Será que fica?

Um craque. Dono de dois prêmios FIFA de Melhor Jogador do Mundo, campeão da Copa do Mundo com o Brasil, da Liga dos Campeões da Europa com o Barcelona e um monte de outros pela carreira. Ronaldinho Gaúcho, apesar do apelido pertencer a outro Ronaldo, também foi um fenômeno.

É uma pena depois de tudo isso, caros Doentes por Futebol, termos presenciado a queda de rendimento deste jogador, outrora adorado por muitos. No entanto, neste Campeonato Brasileiro, pudemos ter um vislumbre do que R10 mostrara ao encantar tantos por muito tempo na Europa (e antes de sua ida para o velho continente também).

É por isso que chega-se ao fato, presenciado por muitos, de que Atlético Mineiro e Ronaldinho precisavam um do outro. Fazia anos que os torcedores do Galo, apaixonados e ao mesmo tempo calejados, não presenciavam seu time fazer uma campanha tão digna. Sempre vendo o time lutar nas partes baixas, foi um alento à briga pelo título deste ano. E para o antigo jogador do Barcelona, com a imagem prejudicada após sua volta ao Brasil e pelo declínio técnico, precisava mostrar que ainda podia jogar um futebol de primeira.

Assim, a parceria deu certo, um ajudando o outro. Verdade seja dita que o alvinegro contava com a sua melhor formação desde muitos anos, mas a chegada do Ronaldinho consolidou o time como um dos favoritos à briga pelo título brasileiro. Outro argumento indispensável à chegada do camisa 10 foi o respeito conquistado a nível internacional pelo time de Belo Horizonte. O orgulho antes ferido de seus torcedores estava restaurado e estes podiam se vangloriar da presença de um dos maiores nomes do futebol vestindo a camisa que amam. Mas Ronaldinho sempre teve momentos difíceis por onde passou. Em praticamente todas as suas transferências, o clube antecessor saiu ferido e reclamando de alguma forma – e muitas vezes com razão. A mudança do Grêmio para o Paris Saint-Gemain foi marcada com uma saída pelas portas dos fundos. O jogador assinou um pré-contrato com a equipe francesa ao mesmo tempo em que jurava fidelidade eterna ao tricolor gaúcho. Saiu sem que o clube que o revelou ganhasse um tostão sequer com a transferência. Em seguida, pediu para se transferir de Paris por não conseguir conquistar títulos, rumando para Barcelona. Este talvez tenha sido a única passagem calma em sua carreira.

No Barcelona, viveu seus melhores momentos, onde se tornou craque de classe mundial e conquistou os títulos citados anteriormente. Mas, próximo do fim da passagem pela Espanha, o jogador vivia de polêmicas na vida pessoal, desgastado por festas e baladas, restando somente como alento à sua saída do clube – ainda mais que um novo craque surgia, ninguém menos que Lionel Messi. O destino foi o Milan, onde não conseguiu mostrar o futebol de temporadas anteriores. Teve seus lances, é verdade, mas muito pouco. Levou consigo a fama de festeiro, de boêmio, e assim só lhe restou ser reserva. Por este motivo, pediu para voltar ao Brasil e talvez com isso demonstrar novamente seu futebol. E aqui foi a mais tumultuada situação em questão de transferências, o leilão, que acabou prejudicando ainda mais sua imagem com o time que o projetou.

Rejeitando o Palmeiras e esnobando o Grêmio, Ronaldinho acabou no Flamengo, clube pelo qual jurava amor e dizia-se torcedor. É verdade que o time do Rio Grande do Sul exagerou já contando com o acerto do jogador sem nada resolvido, mas ficou claro que R10 não queria voltar para seu estado natal. Assim, estando no Rio de Janeiro, tinha tudo para dar certo e voltar a jogar o futebol alegre e
vistoso de épocas passadas.

Em sua apresentação, diante de uma plateia gigantesca, proferiu as palavras: “Nunca me senti tão motivado. É mais do que imaginava. Nação rubro- negra, ‘tamo junto’, estou fechado com vocês e agora eu sou Mengão!”. O Flamengo foi ao céu e ao inferno para o Ronaldinho. Virou ídolo no momento que vestiu a camisa do time, teve jogos iluminados, em especial um contra o Santos de Neymar, que ficará marcado na lembrança de todos os torcedores, e foi lembrado para a Seleção Brasileira novamente. Mas depois da briga, falta de pagamentos, rusgas entre Patrícia Amorim, presidenta do clube, e Assis, irmão e empresário do clube, veio o processo na justiça e nova transferência.

O destino foi o surpreendente, mas não improvável Clube Atlético Mineiro. O histórico do time era motivo de chacota não só para os rivais cruzeirenses, mas para todo o Brasil. Com isso, a notícia da chegada sem alarde do craque ao CT do Galo foi vista com espanto entre grande parte dos torcedores e imprensa. E Ronaldinho não desapontou, finalmente jogou um verdadeiro futebol, aclamado por muitos (até os não-atleticanos) e ajudou o time a ir bem no Brasileirão.

Este é um caso de ajuda mútua. Ronaldinho auxiliou o Atlético a ter uma imagem forte e respeitada e o Galo fez com que o craque voltasse aos bons tempos. Foi uma parceria, como foi classificado antes neste texto. Não chegou a ser um casamento, porque estes dois que se completaram podem acabar em lados opostos.

Então fica a dúvida: o que será de cada um deles sem o outro? O alvinegro de Minas se manterá no topo por muito mais tempo? E Ronaldinho continuará mantendo o bom nível em outro clube? Não é fácil saber, sobretudo pelo histórico de cada um, mas para o bem
do futebol (e dos torcedores do Atlético e dos fãs do Ronaldinho Gaúcho), esta parceria deveria continuar por mais tempo.

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).

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