Abedi Pelé: O Camisa 10 de Gana! O Camisa 10 da África!

  • por Felippe Garcia
  • 6 Anos atrás
Por Rogério Bibiano
A coluna Mama África desta semana é uma homenagem aos 50 anos de Abedi Ayew (completados no dia 05/11), que, pelo futebol que jogava, ainda jovem ganhou o apelido de Pelé e ficou famoso em todo o planeta como Abedi Pelé.
Nascido e criado na periferia de Accra, capital de Gana, Abedi PeléAbedi Pelé teve uma infância humilde e, ainda jovem, teve a oportunidade e se dedicou aos estudos visando ajudar sua família. mas o talento futebolístico o levou aos 14 anos de idade para a equipe juvenil do Great Falcons-GAN, que era apoiada pelo colégio em que Abedi estudava. Destaque nos torneios intercolegiais, logo Abedi Pelé chamou a atenção de dirigentes do Real Tamale United-GAN, onde foi mostrar seu futebol, inicialmente nas categorias de base, e posteriormente assinando um contrato profissional aos 18 anos de idade. No clube da capital, o meia-atacante passou a se destacar e virou sensação no futebol local, chegando à Seleção de Gana em 1981, então com 19 anos de idade. Destaque nacional, foi convocado para a Copa Africana das Nações na Líbia, em 1982, sagrando-se campeão com a Seleção Ganesa.Ao retornar para Gana, foi negociado pelo seu clube com o Al Saad Doha-CAT, onde permaneceu por um ano, vencendo a Copa do Catar. Após esta conquista, o clube o negociou com o FC Zurich-SUI, onde atutou até 1984. Com problemas familiares, Abedi retornou ao continente africano para encerrar a temporada de 1984 no Dragons de l’Ouémé, do Benin (que tinha sua liga nacional ainda em plena atividade, nos três meses finais do ano, algo que não ocorria em Gana). No ano seguinte, retornou à sua terra natal, indo jogar no Real Tamale United-GAN, onde ficou por apenas mais um ano, jogando um grande futebol próximo a seus pais.Já em 1986, com apenas 24 anos, mas já com uma certa “quilometragem” internacional, Abedi Pelé chegou à França, onde definitivamente iria escrever seu nome na história do futebol africano e mundial. Abedi Pelé, ingressou junto ao Chamois Niortais-FRA, permanecendo até 1987 e transferindo-se para o FC Mulhouse-FRA no mesmo ano. No clube azul e branco, o ganês fez somente 14 jogos e logo chamou a atenção dos dirigentes do Olympique de Marseille-FRA, que levaram-no para a cidade mediterrânea ainda no ano de 1987, ficando no clube até o final da temporada. Na temporada seguinte, o Olympique o emprestou ao Lille-FRA, onde desfilou seu futebol de 1988 até 1990, tornando-se ídolo e líder do time.No ano de 1990, na janela de inverno, Abedi retornou para o Olympique de Marseille-FRA, ficando por lá até 1993, e vivendo nestes três anos uma fase mágica em sua vida, sendo campeão francês das temporadas de 1990/91, 1991/92, 1992/93 (título posteriormente cassado pela Federação Francesa de Futebol em comum acordo com órgãos da justiça francesa, devido a atos de corrupção do então presidente do clube Bernard Tapie), além da conquista da Liga dos Campeões da UEFA de 1992/93, jogando num time memorável que marcou época. Durante a sua passagem por Marseille, Abedi Pelé foi eleito o Futebolista Africano do Ano em 1991, 1992 e 1993, pela revista France Football, além de melhor jogador da África em 1992, pela CAF. Em 1993, com o rebaixamento do Olympique de Marseille, devido aos escândalos de corrupção, o meia-atacante ganês foi jogar no Olympique Lyon-FRA, transferindo-se para o futebol italiano ao final da temporada, indo atuar no Torino-ITA, onde permaneceu por mais duas temporadas, destancando-se em meio a um time que não tinha tantos talentos e sendo considerado o melhor jogador estrangeiro da temporada 1995/96.

Em 1996, rumou para o Munique 1860-ALE, e, duas temporadas depois foi parar no Al Wahda Abu Dhabi-EAU, onde encerrou sua carreira em 1998.

Pela Seleção de Gana, então com 20 anos de idade, Abedi Pelé conquistou a CAN-Líbia/1982, entrando durante a final, na qual converteu uma das penalidades na vitória por 7×6 sobre os anfitriões. Mas seu auge no maior torneio de seleções do continente foi em 1992, na CAN-Senegal, quando foi vice-campeão, mas não jogou a final, contra Costa do Marfim, por estar suspenso pelo terceiro cartão amarelo, fato que segundo o próprio Abedi, foi uma das suas maiores tristezas dentro do futebol. Em 1996, conduziu Gana, numa fase de transição, ao quarto lugar na CAN-África do Sul. E em 1998, aos 36 anos de idade, participou da sua quinta e derradeira Copa Africana das Nações, em Burkina Faso. É o jogador que mais vezes atuou pela Seleção Nacional, com 73 jogos e 33 gols marcados. Participou de várias disputas das Eliminatórias para a Copa do Mundo, porém em sua época nunca teve êxito esperado, segundo o próprio, na maioria das vezes, Gana não conseguia classificar-se devido às desavenças internas que se refletiam em campo.

Abedi Pelé tem quatro filhos: André, Jordan, Rahim e Imani. André e Jordan Ayew atuam no Olympique de Marseille-FRA e na Seleção de Gana. Rahim Ayew, joga no Lierse-BEL. Além disso, o ex-craque africano é embaixador do futebol de Gana, nomeado oficialmente para tal missão. Nunca aceitou dirigir nenhum time, porque, segundo ele, os anos vividos no futebol profissional pedem que hoje ele tenha uma vida de curtir o seu legado, sem maiores preocupações, haja visto, que já sofre demais torcendo pelos filhos.

Meia-atacante de muita velocidade, habilidoso e de um ótimo arremate a gol. Além do característico improviso que é marca comum nos grandes futebolistas do continente, este era o estilo alegre e divertido de se ver jogar de Abedi Pelé, o Camisa 10 de Gana! O Camisa 10 da África!

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Publicitário apaixonado por esporte. Fundador do projeto Doentes por Futebol.

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