Ajax Campeão da UCL 1994/95

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 7 Anos atrás

Muito se fala do Ajax de Cruijff e cia, que dominou a Europa na primeira metade dos anos 70 e ganhou três Champions seguidas. Mas outra equipe do Ajax merece destaque: o Ajax dos anos 90, último time holandês que conseguiu incomodar numa Champions.

Após a saída de Van Basten para o Milan, o Ajax passou por maus bocados. Viu o rival PSV ganhar uma Champions League e um tri campeonato nacional. O Ajax ganhou o título nacional na temporada 90/91, mas era preciso algo mais para voltar aos tempos de glória da Europa. E o ‘’algo mais’’ estava nas categorias de base do clube, dentro e fora de campo. Dentro de campo, uma geração de jogadores talentosíssimos. Fora de campo, Louis van Gaal, ex-jogador da equipe e desde 88 na comissão técnica do clube.

Na sua primeira temporada como treinador da equipe principal, Van Gaal já mostrou a que veio: a equipe ganhou a Copa da UEFA, depois de cinco anos sem qualquer título continental. Na Eredivisie, um vice-campeonato. A equipe tinha jogadores como Frank de Boer, Winter, Overmars e Bergkamp. Ao fim da temporada, chegou o finlandês Litmanen.

Na temporada 92/93, jogadores como Davids e Seedorf se tornaram mais frequentes entre os titulares, Ronald de Boer foi contratado ao Twente, mas os únicos títulos foram a Copa e a Supercopa da Holanda. Foi a última temporada de Bergkamp.

Para 93/94, o Ajax trouxe de volta um velho ídolo: Frank Rijkaard. O clube também contratou os nigerianos Finidi e Kanu e efetivou o goleiro Van Der Sar. A base estava montada e pronta para os títulos, sendo o primeiro a Eredivisie, com Litmanen terminando como artiheiro, com 26 gols. O clube também disputou a Cup Winners’ Cup, mas caiu nas quartas de final, contra o Parma.

Para a 94/95, o Ajax era novamente favorito para o título da Eredivisie, mas não para a Champions. O clube continuou com sua política de apostar na base e promoveu jogadores como Bogarde, Kluivert e Musampa e trouxe de volta de volta Reiziger, que era do clube, mas estava emprestado. O Ajax não contratou para a temporada.

Na Eredivisie – que teve Ronaldo como artilheiro com 30 gols –, o time sobrou, ganhando o campeonato de forma invicta e com extrema facilidade. Mas foi na Champions que a equipe surpreendeu o mundo.

O Ajax caiu no grupo de Milan, Casino Salzburg e AEK Atenas na primeira fase, da qual passou sem sustos, na liderança e invicto, e ganhando os dois jogos contra o Milan pelo mesmo placar (2×0). Nas quartas de final, o adversário era o Hajduk Split e, novamente, a equipe passou com tranquilidade: 0x0 na Croácia, 3×0 na Holanda. Na semifinal, o confronto contra o Bayern prometia ser duro. No jogo de ida, 0x0 na Alemanha. Na volta, um passeio: no intervalo, o placar apontava 3×1 para o Ajax, que chegou ao quarto gol logo no recomeço do segundo tempo. O Bayern diminuiu, mas Overmars deu números finais ao jogo, 5×2 para o Ajax, fora o baile.

Para a final, o adversário era o Milan. Pouco importava que o Ajax tivesse ganho do time italiano nas 2 partidas da fase de grupos, o Milan era um time temido na Champions nos anos 90 e todo cuidado era pouco. Sabendo disso, van Gaal deixou o centro avante Kluivert no banco para a final e começou o jogo sem um homem de área (é, isso já existe há muito tempo). O jogo foi truncado, com poucas chances de gol dos dois lados e com algumas entradas desleais (inclusive uma voadora de Desailly, primorosamente imitada por van Gaal enquanto reclamava da arbitragem no lance). Até que, faltando 20 minutos para o fim da partida, van Gaal colocou Kluivert no lugar de Litmanen. O atacante passou a dar mais trabalho para a defesa do Milan e, aos 85′, recebeu passe na entrada da área, ganhou de Albertini e Baresi e, desequilibrado, tocou na saída de Rossi, que nada pôde fazer. Ajax 1×0 Milan, quarto título de Champions do clube, campeão invicto.

Teve início, então, uma nova temporada com a perda de 2 pilares: Rijkaard se aposentou e Seedorf foi vendido à Sampdoria. O Ajax contratou apenas os zagueiros Márcio Santos e Scholten para compor elenco e continuou a promover jogadores da base do clube. Mas, mesmo com a saída de Rijkaard e Seedorf, o time chegou ao tri da Eredivisie, algo que não acontecia desde os anos 70. Na Champions, passou tranquilamente pela fase de grupos, batendo o Real Madrid por duas vezes e avançando na liderança e sem derrotas. Nas quartas, duas vitórias contra o Borussia Dortmund e a equipe seguia invicta e tranquila. Na semifinal, entretanto, uma surpresa: uma derrota para o Panathinaikos, em casa, tirou uma invencibilidade de 19 jogos do time na Champions e complicou a vida do Ajax. Na volta, tudo nos conformes: a equipe fez 3×0 fora de casa e avançou à final, dessa vez para jogar contra a Juventus.

O Estádio Olímpico de Roma recebeu 67 mil pessoas para ver a decisão da Champions. De um lado, a equipe que era a base da Holanda, um grupo jovem e com muito tempo de carreira pela frente. Do outro, um time que tinha jogadores mais experientes e próximos do fim da carreira, como Deschamps, Vialli e Ravanelli entre os titulares. Esperava-se um grande jogo, mas foi uma final truncada e com poucas chances de gol. Os gols só saíram em falhas da defesa.

Ravanelli abriu o placar após falha de Van Der Sar e Litmanen empatou após falha de Peruzzi. Nada mais de gols no tempo normal e nas penalidades brilhou a estrela de Peruzzi, que defendeu as cobranças de Davids e Silooy e garantiu o título para a Juventus.

Na temporada seguinte, o Ajax perdeu jogadores como Bogarde, Reiziger, Davids, Finidi e Kanu. O time terminou longe do título da Eredivisie (apenas na quarta colocação) e chegou à semifinal da Champions, quando foi eliminado pela Juventus após duas derrotas (2×1 em Amsterdam, 4×1 em Turim). No fim da temporada, Kluivert se transferiu para o Milan, van Gaal foi contratado pelo Barcelona e em seu lugar entrou o dinamarquês Morten Olsen, que levou o Ajax ao título da Eredivisie na 97/98, ainda contando com jogadores como Ronald de Boer, van der Sar e Danny Blind.

Mas os dias de glória da equipe estavam encerrados e, desde então, o Ajax é presa fácil em Champions League e recentemente chegou a ficar sete anos sem ganhar a Eredivisie (2004-2011). Curiosamente, o jejum de nacionais foi quebrado na temporada de estreia de Frank de Boer como treinador. Esperamos que o ídolo consiga reerguer o clube.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.

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