Croácia na Euro 1996

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 8 Anos atrás

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É comum e compreensível que a Europa Ocidental e a América sejam os lugares com mais destaque na nossa página. A Europa Ocidental por ser a localidade com os times mais ricos do mundo e também por ter todos os maiores jogadores do mundo atuando em suas ligas. A América do Sul, por causa do grande interesse de torcedores brasileiros pelas equi

pes do continente, para se manterem atualizados sobre eventuais adversários na Libertadores da América.Nós, da Doentes Por Futebol, começamos a página com a seguinte promessa: “O esporte, na DPF, está acima de fronteiras e rivalidades, muito longe da ditadura da grande mídia, que mostra o futebol pela ótica de poucos times e ignora o extenso universo que faz a bola rolar.

Temos um time de craques que fala sobre aquele clube ucraniano de nome estranho com a mesma propriedade com a qual versa sobre o Real Madrid ou o Barcelona.”

E temos, na medida do possível, mantido essa promessa. A coluna “Mama África” a cada semana traz uma história sobre o continente mais esquecido na história do esporte (como esquecido em todo o resto). O excelente Rogério Bibiano – que assina a coluna sobre a África – também se preocupa em acompanhar os clubes e seleções do continente na atualidade, assim como faz com a Ásia e o Oriente Médio. Cobrimos quase todo o Planeta Bola com pelo menos uma coluna semanal. Tem bola rolando, estamos lá pra metermos o bedelho e darmos nosso pitaco. Mas uma localidade em especial merece nossa atenção: o pedaço de terra que começa na fronteira Alemanha/Polônia e R.Tcheca e vai até o norte do Oceano Pacífico, passando por Rússia, Turquia, Repúblicas do Báltico, ex-Repúblicas Soviéticas, Bálcãs, enfim, todo o pedaço de chão que não tem o glamour da Europa Ocidental e suas maiores ligas, mas que tem quase tanta história pra contar e quase tantos talentos natos como o resto da Europa.

Faremos uma matéria semanal sobre a região, com a temática variando entre uma equipe histórica, um jogador histórico, mas também dando atenção ao que acontece na atualidade, seja em nível de clubes, seja de seleções.

Senhoras e senhores, sejam bem vindos ao Centro/Leste da Europa. Ou, como costumamos falar na DpF no Orkut, “a área dos pseudos”.

A Croácia da Euro 96 – A Primeira Competição da Equipe.

Não poderíamos começar nossa viagem por outra localidade que não fosse o ponto de maior destaque da região nos últimos 20 anos: a Croácia do fim dos anos 90, mais precisamente a campanha do time até a Euro de 96.

Não é nossa intenção nos aprofundarmos na História dos Bálcãs, um dos lugares mais conflituosos e problemáticos do planeta, localidade que foi palco, em 1914, do primeiro tiro de uma nova forma de se fazer guerra, sendo a mesma localidade palco de uma das maiores limpezas étnicas da história da humanidade 80 anos depois. O que importa pra nós é que, em parte por causa dessa limpeza étnica, surgiu um dos times mais encantadores dos últimos 20 anos.

O ano é 1990. Após 45 anos sob o domínio iugoslavo, a Croácia se torna independente, na política e no futebol (no futebol ainda antes da política). No dia 17/10/1990, a Croácia faz sua primeira partida oficial no futebol, contra os EUA, vencendo por 2×1. O país só se tornaria completamente independente politicamente no ano seguinte, no dia 8 de Outubro.

Em 93, a equipe se filia à FIFA e à UEFA, para disputar as Eliminatórias para a Copa do Mundo dos EUA. Mas devido à guerra contra a Iugoslávia, não disputa a competição Nos EUA. Em Setembro de 94, o time faz sua estreia pelas Eliminatórias para a Euro 96, batendo a Estônia, com 2 gols daquele que seria o jogador mais comentado do país nos próximos 2 anos: Davor Suker. A equipe vai ganhando consistência – inclusive batendo a Itália fora de casa – , chamando a atenção do mundo e levando alegria para uma região destruída pela guerra.

O time fez 10 jogos pelas Eliminatórias, venceu sete e garantiu a vaga em primeiro lugar, deixando a tradicional Itália em segundo. Suker anotou 12 gols na campanha e esses gols, aliados à sua boa performance pelo Sevilla – ESP, o transformaram numa estrela do futebol europeu. O time croata ainda contava com outros bons valores, entre eles Zvonimir Boban, estrela do Milan, Robert Prosinecki, ídolo do Estrela Vermelha campeão da Champions 90/91 e Alen Boksic, ídolo da Lazio.

Na Euro 96, a Croácia caiu no grupo de Portugal, Dinamarca e Turquia, vencendo os 2 primeiros jogos, contra dinamarqueses e turcos. Contra a Turquia, na estreia, uma vitória magra, por 1×0, gol de Suker. Na segunda rodada, contra a Dinamarca, um baile: 3×0, gols de Suker (2) e Boban.

Contra Portugal, na última rodada, um erro de estratégia custou a primeira colocação. Os croatas tinham seis pontos, contra quatro dos portugueses. Pensando no mata mata, o treinador Miroslav Blazevic deixou Boban e Suker no banco, além de não ter Boksic, machucado desde a partida de estreia. Portugal venceu por 3×0 e nem a entrada de Suker e Boban após o intervalo ajudaram os croatas.

Com a derrota, a Croácia terminou em segundo no grupo e teve que encarar a Alemanha. A Alemanha abriu o placar com um gol de Klinsmann cobrando penalidade, ainda antes da metade do primeiro tempo. No começo do segundo tempo, a Croácia empatou, com Suker. Mas um cartão vermelho para Stimac cinco minutos após o empate colocou tudo a perder. Três minutos após a expulsão, Mathias Sammer fez o segundo gol da Alemanha. Com um jogador a menos e sem poder contar com Boksic e Prosinecki (ambos machucados), os croatas não tiveram como empatar o jogo e foram eliminados. Mas a equipe da camisa quadriculada chamou a atenção do mundo. Os Bálcãs tinham os olhos do mundo novamente sobre eles, mas dessa vez por um bom motivo. Mal sabia o mundo que, dois anos depois, o ‘’tabuleiro de xadrez’’ chegaria ainda mais longe. Mas isso é história pra outra coluna.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.