Dança dos Técnicos no Chelsea

  • por Gregor Vasconcelos
  • 8 Anos atrás

Seis meses. Esse foi o espaço de tempo entre a conquista da Champions League e a demissão de Roberto Di Matteo. Nos últimos anos, o Chelsea tem demitido técnicos após qualquer sequência ruim, mas nenhuma demissão foi tão injusta quanto essa.

Nos últimos 6 anos, desde a demissão de José Mourinho, nenhum técnico conseguiu se estabelecer na equipe azul. O próprio português foi demitido bizarramente, após sua primeira temporada sem títulos no clube. Mourinho foi demitido em setembro, após um começo abaixo da média na temporada 2007-2008.Seu substituto, Avram Grant, conseguiu levar o Chelsea ao vice-campeonato (apenas 2 pontos atras do Manchester United) e levou o clube a sua primeira final de Champions League. Um escorregão de John Terry impediu o triunfo do Chelsea na final. Resultado? Demissão do israelense.O nome da vez foi Felipão, que teve carta branca para contratar quem quisesse. Não durou até fevereiro no clube, quando foi substituído por Hiddink, que foi apenas um tapa-buraco. O Chelsea ganhou a Copa da Inglaterra, mas no final da temporada tiveram que, mais uma vez, começar do zero.Carlo Ancelotti chegou e, na sua primeira temporada, conquistou a “double” (Premier League e FA Cup). Na temporada seguinte, começou mal, mas mesmo um excelente segundo turno e o vice-campeonato não impediram a demissão.Com um time velho e com necessidade de renovação, o Chelsea resolveu apostar pesado em Villas-Boas para a temporada 2011-2012. Era um projeto a longo prazo, para dar constância e identidade futebolística ao Chelsea. Nessa época, surgiu o site “hasandrevillaboasbeensackedyet.com”, que fazia uma contagem dos dias que o técnico duraria no Chelsea, já prevendo sua demissão. Em março, o técnico foi demitido.

Foi aí que entrou Di Matteo. É óbvio para quem acompanhou a situação do treinador no clube que Abrahmovic sempre esperou que ele fosse falhar. O italiano, já ídolo do clube, foi colocado como interino para apaziguar a torcida diante de uma situação na qual era praticamente impossível ele vencer. O Chelsea se encontrava em 5º na Premier League e havia perdido a primeira partida para o Napoli nas oitavas de final da Champions League por 3-1. Di Matteo conseguiu o impossível e, mesmo após a espetacular conquista da Champions League, o grande sonho de Abrahmovic, o técnico continuou sem a confiança de seu dono.

Di Matteo queria, como garantia, um contrato de dois anos com o Chelsea. Um contrato que só foi dado ao treinador por pressão da torcida, que queria o ídolo mantido no comando. Mas mesmo assim, permaneceu a sensação de que Di Matteo não sobreviveria a sua primeira sequencia ruim.

E foi exatamente isso o que aconteceu. Após um excelente começo na temporada, Di Matteo foi demitido após seu primeiro mês ruim no comando do Chelsea. Após derrotas para o Manchester United e West Brom na Premier League e para o Shaktar Donetsk e Juventus na Champions League, o Chelsea se encontra na terceira posição na liga inglesa e perto da porta de saída da Champions.

Esse troca-troca de técnicos do Chelsea impede que o clube se estabilize. O medo constante da demissão impede os técnicos de imporem seu estilo de futebol no clube, que só consegue manter sucesso graças ao dinheiro ilimitado de seu dono, mas não traz uma filosofia e um futuro sustentável, que são as marcas dos clubes europeus de mais sucesso.

O que os doentes acham dessa politica de treinadores “à la brasileira” do Chelsea? Faz bem ao clube, já que eles continuam ganhando apesar disso? Ou o clube precisa de mais estabilidade e pensar no futuro?

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.