Enzo Francescoli, “El Princípe”

  • por Mauricio Fernando
  • 6 Anos atrás

Por Maurício Fernando

“Enzo é como é um Deus”. Em declaração dada à revista Four-four-two em 2009, Zinedine Zidane, um dos maiores jogadores de todos os tempos, demonstrou – o que muitos já sabiam – sua admiração e sua idolatria por Enzo Francescoli, um dos grandes craques das décadas de 1980/90, quando fez história com as camisas de River Plate, Olympique Marselha e outros, além da seleção uruguaia. O “El Príncipe”, apelido que ganhou de Aníbal Ciocca, companheiro em sua primeira equipe, o Montevideo Wanderers, foi devido a sua elegância nos gramados. Francescoli, além de muito técnico, tinha grande visão de jogo e instinto artilheiro.

Apesar de ser torcedor do Peñarol e ter tido oportunidade nas categorias de base do clube, Francescoli acabou se desacreditando da formação e acabou não atuando pela equipe. Chegou ainda, curiosamente, a fazer ser aprovado nas peneiras do River Plate uruguaio, onde optou por não prosseguir. Foi no Montevideo Wanderers que o garoto decidiu começar a carreira. Logo em sua temporada de estreia, em 1980, foi vice campeão nacional, melhor feito do clube em cinqüenta anos, ficando atrás apenas do poderoso Nacional, campeão da Libertadores e do Mundial daquele ano. Logo, o garoto, que naquela altura tinha 19 anos, foi comparado a Schiaffino, ídolo uruguaio campeão mundial em 1950.

Francescoli ficou até 1983 no Montevideo. Não conquistou títulos no único clube uruguaio que atuou, mas levou a equipe à Libertadores em seu último ano. Na competição, o meia-atacante despertou o interesse do River Plate da Argentina, clube pelo qual o uruguaio viria a ser um dos maiores ídolos da história.

O primeiro ano de Enzo na equipe argentina foi complicado, com o River nas últimas posições. Mas, no ano seguinte, El Principe mostrou seu valor, levando os Millonários ao vice campeonato nacional no primeiro semestre. No segundo semestre, apesar do quarto lugar no Metropolitano (equivalente ao nacional), terminou ainda como artilheiro com 24 gols. A consagração individual viria no ano seguinte, quando se tornou o primeiro estrangeiro eleito o melhor jogador do futebol argentino. O River conquistaria o nacional de 1985/86 – o primeiro nos moldes europeus – e Francescoli se tornaria o artilheiro.

Em 1986, chegou ao futebol francês para o Racing Matra de Paris, clube mais tradicional do país, mas que estava decadente e ainda sofria com a ascensão do novato rival Paris Saint-Germain. Francescoli, “solitário”, não conseguiu grandes campanhas na equipe, mas seguia se destacando individualmente, vindo a ser eleito o melhor jogador estrangeiro do futebol francês em 1987. Após três temporadas, rumou para o Olympique de Marseille, onde jogou apenas uma temporada, mas se tornou ídolo e campeão francês, conquistando grandes fãs, inclusive o jovem Zidane, que se inspiraria nele futuramente.

Após a Copa do Mundo da Itália, jogaria naquele país, atuando por Cagliari e Torino sem muito destaque. Porém, Francescoli ainda tinha uma missão a cumprir e voltou ao River Plate em 1994. Mesmo após ter completado 33 anos, o uruguaio ainda mostrava que tinha fôlego e podia muito mais, conquistando de quebra o Apertura e a artilharia da competição daquele ano. Em 1996/97, comandou um time de ouro do River, uma equipe jovem com grandes talentos como Crespo, Ortega, Sorin, Almeyda e Gallardo. A equipe seria tricampeã argentina de forma consecutiva (Apertura 1996, Clausura 1997, Apertura 1997), campeã da Libertadores em 1996 – uma antiga dívida que Enzo se cobrava, pois o River havia conquistado em 1986, pouco depois de sua saída – e campeão da Supercopa da Libertadores de 1997. Individualmente, Francescoli ainda foi eleito o futebolista do ano na Argentina e da América do Sul, ambos pela segunda vez, em 1995. Suas duas últimas partidas oficiais pelo clube argentino foram históricas, com as conquistas do título da Supercopa da Libertadores frente o São Paulo e o Apertura argentino no superclássico contra o Boca, que havia perdido apenas uma partida. O River saiu vitorioso e Francescoli ainda mais. O uruguaio só lamenta não ter conquistado o Mundial de Clubes de 1996, vencido pela Juventus do ilustre fã Zidane, que inclusive deu o nome de Enzo ao seu filho em homenagem ao ídolo. Outro fruto de homenagem ao craque é o nome do meia da seleção argentina Enzo Pérez.

Pela seleção uruguaia, Francescoli conquistou títulos com uma geração que muitos consideravam a representação da decadência uruguaia. Pois “El Principe”, que estreou pela celeste em 1982, foi fundamental nas conquistas das Copas América de 1983, 1987 e 1995, duas destas diante do Brasil. Em Copas do Mundo, porém, o craque não teve a mesma sorte. Participou em 1986 e 1990, mas pouco pode fazer, e o Uruguai saiu precocemente de ambas, com apenas um gol marcado por seu craque. Após a Copa de 1990, o técnico Luis Cubilla foi contratado e iniciou-se uma série de problemas com atletas que atuavam na Europa, como Ruben Sosa e o próprio Francescoli. O treinador chegou a insinuar que os atletas seriam “mercenários”. E o pior é que parte da torcida ficou do lado do treinador, e por conta disso e de outros fatores, como a ligação com empresários, é que Enzo tem uma imagem arranhada com boa parte dos uruguaios. Cubilla não teve sucesso sem os “estrangeiros” e o craque voltou, mas acabou não podendo levar a seleção à Copa de 1994, sendo eliminada pelo Brasil na última rodada. Ali brotava uma de suas grandes frustrações da carreira.

No amistoso de sua despedida dos gramados, Francescoli reuniu 65 mil pessoas no Monumental de Nuñez, entre eles os presidentes argentino Carlos Menem e uruguaio Julio Mária Sanguinetti, prova de todo o amor e influência deste craque que fez história e que completou 51 anos no último dia 12 de novembro.

 

Enzo Francescoli Uriarte

★ 1961

Títulos

Campeonato Argentino (5)

Taça Libertadores da América

Supercopa Libertadores

Campeonato Francês

Copa América (3)

 

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21 anos, morador de Maringá-PR. Corintiano de coração, aprendi ainda a ser Liverpool, na Europa. Como Doente por Futebol, acompanho diariamente jogos, jogadores e tudo o que acontece acerca deste apaixonante esporte. Minha função por aqui será de analisar e informar tudo o que rola na América do Sul e no México. Responsável ainda pelas colunas "Craque DPF" e "Futebol na Mídia".

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